Fogos com estampido voltam ao debate com jogos da Copa do Mundo

Fogos de artifício
Fogos de artifício

Com a Copa do Mundo de 2026 já movimentando torcedores em todo o planeta, o clima de festa e expectativa toma conta de Alegrete e de milhares de cidades brasileiras. Reuniões entre amigos, encontros familiares e celebrações costumam marcar os dias de jogos. Porém, em meio à animação característica do período, um assunto importante volta ao debate: os impactos provocados pelos fogos de artifício com estampidos, especialmente para pessoas sensíveis ao ruído, idosos, crianças e animais.

A defensora da inclusão, acessibilidade e idealizadora do projeto Pernas Solidárias Alegrete, Carine Borges, utilizou as redes sociais para fazer um apelo à população sobre a importância de comemorar de forma consciente e respeitosa, principalmente com relação às pessoas autistas e demais públicos sensíveis aos sons altos.

Segundo Carine, embora o futebol desperte alegria e união, os estampidos provocados por bombas e fogos podem representar sofrimento para muitas pessoas. “Para muitas pessoas autistas, os sons altos e inesperados não representam alegria. Eles podem causar medo, ansiedade, crises sensoriais e um enorme sofrimento”, destacou.

Ela ressalta ainda que o impacto não se limita apenas às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Bebês, idosos, pessoas acamadas e animais também sofrem com os ruídos excessivos provocados durante as comemorações. Conforme Carine, é possível celebrar sem causar desconforto ou dor ao próximo.

“A verdadeira vitória acontece quando aprendemos a celebrar sem causar dor ao próximo. Quando entendemos que a alegria de uns não precisa ser o sofrimento de outros”, afirmou.

Em Alegrete, a discussão sobre os fogos com estampido já resultou em mudanças na legislação municipal. O ex-vereador Fábio Perez, o Bocão, retomou a pauta e conseguiu a aprovação da Lei Complementar nº 068, em julho de 2021, que proíbe a utilização de fogos de artifício com ruídos no município.

Esta será a segunda Copa do Mundo com a legislação em vigor, reforçando a conscientização sobre os impactos causados pelo barulho em pessoas autistas, cães, idosos e demais públicos sensíveis. A causa sempre foi defendida por Bocão, que vivencia a realidade do autismo dentro da própria família.

A preocupação agora gira em torno da fiscalização e do cumprimento da lei. A responsabilidade é da Prefeitura Municipal, enquanto a população também pode colaborar denunciando situações de descumprimento. Em casos considerados crime ou de perturbação, a orientação é acionar a Brigada Militar através do telefone 190.

O relato também reforça a importância da empatia e da inclusão nas pequenas atitudes do cotidiano. Para Carine Borges, inclusão vai além da criação de leis ou adaptações estruturais, estando presente principalmente no respeito às diferenças e na conscientização coletiva.

Com a proximidade dos jogos da Seleção Brasileira, o tema volta ao debate em diversas cidades do país, incentivando campanhas de conscientização sobre o uso de fogos silenciosos e celebrações mais inclusivas. A orientação é que a população possa torcer, vibrar e comemorar, mas sempre priorizando o respeito e o bem-estar de todos.

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