Era Davi Lucas Nicola Ferreira Figueiredo, estudante do 3º ano do Polo Educacional Caverá – Francisco Mafaldo. A réplica havia sido construída de maneira artesanal e acompanhava o garoto durante a Caminhada como uma homenagem à Polícia Civil. Em meio à grandiosidade de um evento que reúne centenas de pessoas e diferentes representações da comunidade, aquela pequena criação poderia facilmente passar despercebida. Mas não passou. A imagem do menino, carregando com orgulho a viatura que havia feito com as próprias mãos, chegou aos policiais civis da Delegacia Regional e despertou uma curiosidade que acabaria transformando uma cena comum de desfile em uma história especial.
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Naquele momento, os policiais tinham apenas uma fotografia e algumas perguntas. Não sabiam quem era o garoto, de onde ele vinha, qual era a escola que representava ou quem havia construído aquela pequena viatura. Sabiam apenas que havia um menino, uma réplica de papelão e uma demonstração espontânea de admiração pela Polícia Civil. A pergunta começou a circular entre os policiais: quem era aquele menino que havia construído uma viatura para homenagear a instituição? A resposta poderia ter ficado perdida entre tantas outras histórias da Caminhada Cívica, mas a curiosidade acabou falando mais alto. Havia algo naquela imagem que merecia ser descoberto. Não se tratava apenas de identificar uma criança fotografada durante um desfile, mas de entender a história por trás daquele gesto que, para Davi, provavelmente havia começado de uma maneira muito simples: a vontade de reproduzir, com os materiais que tinha à disposição, algo que admirava.
No domingo (6), segundo dia da Caminhada Cívica, a Polícia Civil voltaria à avenida, desta vez também participando das homenagens pelos seus 185 anos de história. E foi justamente nesse momento que surgiu a ideia de encontrar o pequeno autor daquela homenagem. A Polícia Civil procurou o Portal Alegrete Tudo para tentar localizar Davi. A partir daí, a busca ganhou novos caminhos e contou com a participação do secretário municipal de Educação, Esporte e Lazer, Rodrigo Gutierres, o Bolinha, que se empenhou na tentativa de identificar o estudante. Era preciso descobrir primeiro de onde vinha o menino. A fotografia fornecia uma pista, mas não era suficiente. Foi então que a escola se tornou o elo capaz de transformar uma imagem anônima em uma história com nome, endereço, família e vínculos com a comunidade escolar.
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No Polo Educacional Caverá – Francisco Mafaldo, o diretor Gleidson Corrêa e a equipe da escola, com a participação das professoras Ana Luisa Duarte e Daniela Vargas, ajudaram a localizar Davi. O menino que, no dia anterior, havia chamado a atenção dos policiais por carregar uma pequena viatura de papelão agora tinha nome e uma história que começava a ser conhecida por quem havia se interessado por aquele gesto. A notícia chegou aos pais, César dos Anjos Figueiredo e Suelen Adelina Nicola Ferreira, acompanhada de um convite que certamente não fazia parte dos planos da família para aquele domingo. A Polícia Civil queria que Davi participasse da Caminhada Cívica dentro de uma de suas viaturas. A pequena réplica de papelão continuaria sendo a representação do carinho e da criatividade do menino, mas agora ele teria a oportunidade de experimentar algo que, até então, havia apenas reproduzido em sua brincadeira: estar dentro de uma viatura policial de verdade, acompanhado pelos próprios policiais que haviam se interessado pela sua homenagem.

Para os pais, o convite tinha um significado que ia muito além da curiosidade natural de uma criança diante de um veículo policial. Era a resposta de uma instituição a um gesto espontâneo do filho. Davi não havia construído aquela pequena viatura para ser fotografado, para aparecer em uma reportagem ou para receber qualquer reconhecimento. Ele simplesmente fez porque queria homenagear aquilo que admirava. E talvez seja justamente essa espontaneidade que tenha dado à história um significado tão particular. Em tempos em que quase tudo parece precisar ser planejado para chamar atenção, uma criança produziu, de maneira artesanal, uma demonstração de carinho que não pretendia alcançar ninguém além dela mesma. Só que alguém viu. E, ao ver, decidiu procurar o autor daquela pequena obra feita de papelão.
No domingo, Davi voltou à avenida. Desta vez, porém, sua posição na Caminhada Cívica era diferente. Ele não estava apenas entre os estudantes de sua escola, acompanhando o desfile como havia feito no dia anterior. Estava dentro de uma viatura da Polícia Civil, ao lado dos policiais que haviam participado da busca para encontrá-lo. Percorreu o mesmo espaço que, poucas horas antes, havia percorrido carregando sua pequena criação. A cena tinha uma espécie de simetria que tornava a história ainda mais bonita: no primeiro dia, Davi havia construído uma viatura para homenagear a Polícia Civil; no segundo, a Polícia Civil colocou Davi dentro de uma viatura para homenageá-lo. O papelão, a imaginação e as mãos de uma criança haviam criado uma pequena representação de algo que, naquele domingo, tornou-se real para o menino.

A Caminhada Cívica de Alegrete, realizada em dois dias, reuniu escolas, entidades, instituições e órgãos públicos em uma demonstração de civismo que ocupa tradicionalmente um espaço importante na vida da comunidade. As bandeiras, os uniformes, as formações e a presença das diferentes instituições ajudam a contar, todos os anos, parte da história e da identidade da cidade. Entre essas instituições estava a Polícia Civil, que participa das homenagens justamente em um ano marcado pelos seus 185 anos de história. Mas, para além da programação oficial e dos significados institucionais do evento, havia uma história particular acontecendo dentro de uma das viaturas: a de um menino que, sem qualquer intenção de produzir uma notícia, encontrou no papelão uma maneira de expressar sua admiração.
Talvez Davi nem imaginasse que alguém tivesse reparado nele. Afinal, ele não fez sua viatura pensando em aparecer em uma fotografia, ser procurado por policiais ou participar de um desfile dentro de um veículo oficial. Fez porque uma criança, quando admira aquilo que vê, muitas vezes procura nas próprias mãos uma maneira de transformar essa admiração em alguma coisa concreta. O papelão virou uma viatura. A viatura virou uma homenagem. E a homenagem, depois de ser percebida por quem estava do outro lado, acabou criando uma história que envolveu policiais, escola, professores, Secretaria Municipal de Educação, Portal Alegrete Tudo e a família do menino.
A Polícia Civil poderia simplesmente ter seguido a programação depois de ver a fotografia. Poderia ter considerado aquela pequena viatura apenas uma curiosidade entre tantas imagens produzidas durante o desfile. Mas houve uma diferença importante: alguém decidiu parar por alguns instantes e perguntar quem era aquele menino. E essa pergunta foi suficiente para desencadear toda uma sequência de acontecimentos. Primeiro veio a fotografia. Depois, a curiosidade. Em seguida, a busca pela escola. A escola levou à família. A família recebeu o convite. E o convite levou Davi de volta à avenida, desta vez sentado em uma viatura de verdade, vivendo uma experiência que provavelmente ficará guardada entre as lembranças da infância.
É uma história pequena diante da dimensão de uma Caminhada Cívica, mas justamente por isso talvez seja uma das mais capazes de revelar o sentido humano que existe por trás de um evento dessa natureza. Entre centenas de participantes, milhares de olhares e inúmeras imagens registradas ao longo dos dois dias, uma fotografia de um menino carregando uma viatura de papelão poderia ter sido apenas mais uma. Não foi. Alguém percebeu o gesto, quis saber quem estava por trás dele e decidiu transformar aquela curiosidade em um encontro. No fim, não houve necessidade de grandes discursos. O próprio encontro entre Davi e os policiais contou a história.
Quando as bandeiras forem recolhidas, os uniformes guardados, as escolas retornarem às salas de aula e a avenida voltar à rotina, provavelmente muitas das imagens da Caminhada Cívica permanecerão apenas na memória de quem participou. Mas há uma cena que merece ficar: a de um menino de oito anos sentado dentro de uma viatura da Polícia Civil, percorrendo a avenida onde, no dia anterior, havia passado carregando uma pequena viatura feita de papelão. Entre uma cena e outra existiu uma fotografia, uma pergunta e uma mobilização que ninguém havia planejado. Davi fez uma homenagem porque admirava a Polícia Civil. Os policiais perceberam. E, ao procurarem o menino, acabaram descobrindo que algumas das histórias mais bonitas não são aquelas que nascem de grandes acontecimentos, mas aquelas que começam com um gesto pequeno, espontâneo e verdadeiro.
No sábado, Davi carregou uma viatura de papelão. No domingo, uma viatura de verdade carregou Davi. E, entre as duas cenas, ficou uma história que talvez diga muito sobre o que significa perceber o outro: às vezes, basta olhar com um pouco mais de atenção para descobrir que, no meio de uma multidão, existe uma história esperando para ser encontrada.

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