“Tenho 85, mas cabeça de 15”: Cosete Ramos, uma patrona movida pela felicidade

Educadora, escritora e estudiosa da felicidade, Cosete Ramos destaca o orgulho de retornar à sua terra natal e defende a educação como caminho essencial para o futuro.

Passava das 11h da última quinta-feira (15) quando a patrona da Feira do Livro de Alegrete, Cosete Ramos, chegou ao Centro Cultural. Sorridente e cheia de energia, ela acompanhou os momentos finais da apresentação da Banda Marcial Mirim da Escola Honório Lemes. Ao término, aplaudiu os estudantes, contagiando o ambiente com sua alegria. Logo foi cercada pelos alunos, que aproveitaram a oportunidade para tirar fotos com a homenageada.

Na sequência, duas integrantes de um grupo da terceira idade também aguardavam para registrar o encontro e foram prontamente atendidas. A entrevista, inicialmente agendada para o espaço Mário Quintana, começou antes do previsto, impulsionada pela disposição e pelo entusiasmo da doutora em Educação, formada pela Florida State University, nos Estados Unidos.

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Com uma trajetória marcada pela dedicação à educação, Cosete acumula 25 anos de atuação como técnica e dirigente no Ministério da Educação e é autora de mais de 60 livros na área educacional. Também idealizou o AMABRASÍLIA, movimento que reúne mais de 300 pessoas na capital federal, além do Movimento Brasília Capital da Felicidade.

Ao ser questionada sobre a idade, responde sem hesitar: “Tenho 85, mas cabeça de 15”. A frase traduz o espírito da patrona, que considera uma dádiva divina manter a disposição, a alegria e a vontade de viver. Para ela, a felicidade deve ser cultivada em todos os sentidos.

E, quando tenta explicar essa ligação tão especial com sua terra natal, encontra uma resposta simples e cheia de significado: bebeu água do Ibirapuitã. Cosete recorda que, aos cinco anos, já tomava banho na praia do Carramanchão, experiências da infância que ajudaram a construir sua relação afetiva com Alegrete.

A busca pela compreensão da felicidade também faz parte de sua trajetória. Estudiosa do tema, ela foi até a Organização das Nações Unidas (ONU) e atravessou o mundo para chegar ao Butão, onde aprofundou seus conhecimentos sobre o assunto em contato com o rei daquele país. Desde então, trouxe essa experiência para suas iniciativas, idealizando o projeto Alegrete Cidade da Felicidade.

A entrevista foi interrompida por uma visita inesperada: o palhaço da Feira do Livro aproximou-se para desejar bom dia e dar um abraço na patrona. O gesto foi prontamente retribuído. Logo depois, um aluno lhe ofereceu um chimarrão.

Cosete não deixou passar a oportunidade de traduzir aquele momento em poucas palavras: “É isso a felicidade: um abraço, um chimarrão”.

Uma homenagem que emociona

A patrona também falou sobre a emoção de receber o convite do prefeito Jesse Trindade dos Santos para assumir a distinção nesta edição da Feira do Livro. Ela recorda que recebeu uma ligação na qual o prefeito antecipou que gostaria de lhe fazer um convite. Sem sequer saber do que se tratava, aceitou imediatamente.

“Eu vibrei muito, dei pulos, gritei por ser homenageada como patrona da Feira da minha cidade. Muito feliz mesmo. Muito significativa a homenagem”, revelou.

Acompanhada da diretora de Cultura, Vanessa Peres, Cosete reafirmou que ser patrona da Feira do Livro de sua cidade representa uma das maiores homenagens que já recebeu. A emoção se mistura ao orgulho de reencontrar suas raízes e de participar de um evento que valoriza o conhecimento, a leitura e a cultura.

Doutora em Educação, ela também aproveitou a oportunidade para defender maiores investimentos na área. Para Cosete, embora a inovação tenha conquistado espaço e transformado diferentes setores da sociedade, a alfabetização continuará sendo indispensável.

A movimentação da Feira seguiu com a chegada de estudantes e visitantes, que fizeram questão de registrar o encontro com a patrona. Entre fotografias, abraços e conversas, ela fez questão de agradecer aos pais pela formação recebida e pela vida que construiu.

“A gente tem de valorizar cada momento. Sou uma mulher muito feliz”, pontuou.

O coração que sempre retorna a Alegrete

Presente na Feira do Livro desde a abertura, Cosete promete participar de todas as atividades até o encerramento. A intenção é aproveitar cada dia, reencontrar pessoas e compartilhar sua experiência com a comunidade.

“Vou viver com felicidade. Estar em Alegrete é diferente. Sempre quando cruzo a ponte do Ibirapuitã, parece que meu coração vai sair pela boca”, relatou, emocionada.

Entre a simplicidade de um chimarrão, o carinho dos estudantes e as lembranças da infância, Cosete Ramos demonstra que a felicidade, para ela, está muito além dos grandes acontecimentos. Está nos encontros, na memória, na gratidão e no sentimento de pertencimento.

Assim é a patrona desta edição da Feira do Livro de Alegrete: uma educadora, escritora e defensora da felicidade que transforma sua trajetória em inspiração e reafirma, com entusiasmo, o valor da educação, da cultura e dos laços que unem uma pessoa à sua terra natal.

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