Acusado de pedofilia é preso e jovem desaparecida em Chapecó é encontrada em Livramento

Após mais de 40 dias de buscas pela adolescente desaparecida em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, a garota foi localizada no município de Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul.

Em coletiva de imprensa realizada na tarde desta segunda-feira (3), a delegada de Polícia Civil da DPCAMI (Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso), Lisiane Junges, que coordena a operação, revelou alguns detalhes sobre a investigação.

Segundo a delegada, a adolescente foi encontrada com Jean Alberto Mota Mastrascusa, de 35 anos. Ambos se conheceram por meio da internet alguns meses antes do desaparecimento. A investigação apurou que Jean saiu de Chapecó no dia 20 de maio e a adolescente deixou a cidade no dia 21.

“Passaram por Erechim, Santa Maria e Santana do Livramento. No dia 8 de junho entraram no Uruguai e, a partir disso, a investigação necessitou de um trato internacional para que o suspeito pudesse ser preso fora do Brasil. Com a ajuda da Interpol brasileira e uruguaia diligências continuaram na busca pelos dois”, detalhou a Lisiane.

Nos últimos dias eles voltaram até Santana do Livramento e Jean acabou preso e a adolescente localizada em um kit net, nesta segunda-feira (3). O local era sujo e insalubre, conforme detalhou a Brigada Militar do Rio Grande do Sul, responsável pela prisão de Jean e pela localização da garota.

Quando sumiu a menina estava com os cabelos ruivos, mas ao ser localizada estava com eles escuros. A adolescente passou por avaliação médica e está bem de saúde. Ela está acompanhada pelo Conselho Tutelar até que volte para Chapecó. A expectativa da DPCAMI é que ela retorne ao município até a quarta-feira (5) com Jean, que permanece preso preventivamente.

“O mandado de prisão expedido em desfavor dele é por produção, comercialização e divulgação de material sexual infanto-juvenil”, explicou a delegada.

Adolescente também é investigada, diz delegada

Segundo a delegada, a adolescente figura como vítima de Jean, mas também é alvo da investigação por suspeita de compartilhar os materiais pornográficos.

Além disso, ela desapareceu seis dias após o início das investigações sobre as circunstâncias da morte do próprio pai, Vilson Maestri. A morte aconteceu no dia 7 de maio, porém, no dia 15 do mesmo mês, um familiar registrou um boletim de ocorrência suspeitando sobre as causas da morte de Vilson.

“Começamos as investigações, inicialmente, para esclarecer se a morte foi natural ou violenta. As diligências acabaram direcionando à adolescente e apuramos que ela estava se relacionando com esse homem de 35 anos. Então, a investigação evoluiu”, comentou Lisiane.

O corpo do pai da adolescente foi exumado e com o desaparecimento da garota e de Jean, a Polícia Civil passou a suspeitar da existência de alguma ligação entre a morte de Vilson e o sumiço.

“A investigação não terminou. Ainda não conversei com os dois para esclarecer a motivação e circunstâncias do desaparecimento, mas a morte dele [o pai da adolescente] pode ter ligação com o sumiço. Porém, ainda não sabemos se ela foi coagida ou tem participação na morte”, salienta.

Crimes semelhantes em outros estados

Segundo a delegada, crimes semelhantes em outros estados brasileiros também chegaram ao conhecimento da DPCAMI. “Existem informações, de forma não oficial, de que esse é o modus operandi adotado pelo criminoso e a conduta dele vinha sendo investigada em outros estados, mas a DPCAMI se envolveu pontualmente no sumiço da adolescente”, citou.

Lisiane acrescentou que Jean é natural de Porto Alegre, mas já morou em outros estados onde teria supostamente cometido crimes semelhantes. “É um homem que convenceu a adolescente a sair. Não houve um rapto ou sequestro. Ele se dedicou de forma bastante sofisticada na fuga, o que demandou trabalho complexo por parte da equipe da DPCAMI, mas logramos êxito com a localização e prisão”, finalizou.

Trabalho conjunto

A delegada salientou que a investigação e localização de Jean e da adolescente contou com muitas mãos. Apesar de ter sido coordenada pela DPCAMI de Chapecó, contou com o apoio da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, que efetuou a prisão nesta segunda-feira e o Centro Integrado de Operações de Fronteira da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança, localizado em Foz do Iguaçu.

Também colaboraram o Centro de Cooperação Policial Internacional da Polícia Federal no Rio de Janeiro, o Departamento de Inteligência da SSP do Rio Grande do Sul, o Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal no Rio Grande, o Comando Tripartite da Polícia Federal em Foz do Iguaçu e a Interpol por meio da superintendência da Polícia Federal em Santa Catarina.

Texto: ND+

Foto: Willian Ricardo/ND

Fonte: Sentinela24h

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