Alegrete fecha o 1º semestre com saldo negativo de empregos e fica entre os municípios que mais perderam vagas no RS

Alegrete encerrou o primeiro semestre de 2026 com saldo negativo de 222 empregos formais, conforme os dados do novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Governo Federal. O município registrou 2.517 admissões e 2.739 desligamentos entre janeiro e junho, uma diferença de 222 postos.

O desempenho coloca Alegrete na 13ª posição entre os municípios gaúchos com os maiores saldos negativos de empregos no período, considerando o levantamento apresentado. O resultado também representa o pior desempenho do município para um primeiro semestre nos últimos três anos.

Em 2024, Alegrete havia encerrado os primeiros seis meses com saldo negativo de 65 postos de trabalho, resultado de 2.864 admissões e 2.929 desligamentos.

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Já em 2025, foram registradas 3.098 contratações com carteira assinada contra 3.105 desligamentos, gerando um saldo negativo de apenas sete vagas.

Os números de 2026, portanto, mostram uma piora significativa no mercado de trabalho formal do município em comparação aos dois anos anteriores.

Serviços e construção tiveram saldo positivo

Na análise por setores da economia, Serviços apresentou o melhor resultado no primeiro semestre em Alegrete, com saldo positivo de 48 empregos.

A Construção Civil também terminou o período com resultado positivo, gerando 29 vagas formais.

Por outro lado, os setores de Comércio e Indústria apresentaram fortes perdas.

O Comércio registrou saldo negativo de 90 empregos, enquanto a Indústria fechou 76 postos de trabalho no período.

Os dados do Caged consideram apenas as movimentações de empregos formais, com carteira assinada.

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Junho termina sem geração de empregos

Apesar do saldo acumulado negativo no semestre, Alegrete encerrou junho de 2026 com saldo zerado na geração de empregos, segundo os dados apresentados.

O resultado contrasta com os números registrados nos dois anos anteriores.

Em junho de 2025, foram contabilizadas 360 admissões e 389 desligamentos, resultando na perda de 29 postos de trabalho.

No mesmo mês de 2024, o município teve 349 admissões e 380 desligamentos, com saldo negativo de 31 empregos.

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Desempenho por setor em junho

No detalhamento de junho de 2025, a Indústria foi o único setor com desempenho positivo, criando quatro postos de trabalho. Foram 63 admissões contra 59 desligamentos.

O Comércio registrou saldo negativo de 12 empregos, com 124 trabalhadores contratados e 136 desligados.

Na Agropecuária, foram 76 admissões e 87 desligamentos, resultando na perda de 11 vagas formais.

A Construção Civil também fechou o mês no negativo, com saldo de -7, resultado de 12 admissões e 19 desligamentos.

Já o setor de Serviços registrou 85 contratações e 88 desligamentos, encerrando junho com saldo negativo de três empregos.

Alegrete entre os municípios com maiores perdas

No ranking dos municípios gaúchos apresentados com os maiores saldos negativos de empregos no primeiro semestre, Alegrete aparece na 13ª colocação, com -222.

Confira a lista:

Pelotas: -1.378

Capão da Canoa: -930

Torres: -550

Tramandaí: -440

Xangri-Lá: -437

Imbé: -428

Bagé: -344

Panambi: -322

Eldorado: -295

Não-Me-Toque: -269

Uruguaiana: -266

Guaíba: -248

Alegrete: -222

Carazinho: -216

São Gabriel: -210

Itaqui: -195

Guaporé: -191

Gramado: -151

Santiago: -146

Campo Bom: -108

Lagoa Vermelha: -105

Palmeira das Missões: -88

Igrejinha: -63

Resultado acende alerta para o mercado de trabalho local

A evolução dos números mostra uma redução no ritmo de geração de empregos formais em Alegrete. Depois de um saldo negativo de 65 vagas no primeiro semestre de 2024 e de apenas sete postos perdidos em 2025, o município chegou a 222 empregos formais a menos nos primeiros seis meses de 2026.

O cenário é especialmente influenciado pelo desempenho negativo do Comércio e da Indústria, que juntos responderam pelo fechamento de 166 postos de trabalho no semestre.

Em contrapartida, os setores de Serviços e Construção Civil conseguiram apresentar saldo positivo, mas não suficiente para compensar as perdas registradas nas demais atividades econômicas.

Os dados do Caged refletem exclusivamente o mercado de trabalho formal e não abrangem trabalhadores informais ou outras formas de ocupação sem registro.

Secretaria de Desenvolvimento Econômico afirma que cenário do emprego em Alegrete exige análise além dos números do Caged.

Diante dos dados sobre a geração de empregos em Alegrete, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Fernando Lucas, afirmou que a preocupação com o mercado de trabalho é legítima, mas defendeu uma análise mais ampla dos indicadores. Segundo ele, o município enfrenta um cenário econômico desafiador, mas continua registrando a abertura de vagas e movimentação em diferentes setores.

“Não vou dizer que está tudo bem, porque sabemos que Alegrete, assim como o Rio Grande do Sul, enfrenta um cenário econômico desafiador. Mas acho importante fazer uma análise um pouco mais ampla dos números”, afirmou o secretário.

De acordo com Fernando Lucas, a Secretaria acompanha semanalmente a oferta de vagas e atua na aproximação entre empresas que buscam trabalhadores e pessoas que procuram oportunidades. Para ele, a existência de vagas, entretanto, não significa necessariamente que elas resultarão em novas contratações formais registradas no Caged.

O secretário também chama atenção para as mudanças na dinâmica do mercado de trabalho. Entre os fatores citados estão o crescimento do número de Microempreendedores Individuais (MEIs), do trabalho autônomo, dos serviços realizados por meio da internet e de outras formas de ocupação que não aparecem diretamente nas estatísticas tradicionais de emprego formal.

“Hoje uma pessoa pode prestar serviço, vender produtos, trabalhar pela internet, atuar como autônomo ou abrir um MEI sem necessariamente aparecer como um novo emprego CLT no Caged”, explicou.

Outro aspecto apontado pelo secretário é a informalidade. Segundo ele, parte da atividade econômica não é captada pelos indicadores de emprego formal. Fernando Lucas ressalta, porém, que isso não significa aceitar a informalidade como solução, mas reconhecer sua existência para compreender melhor a realidade econômica.

“A informalidade precisa ser enfrentada. Precisamos buscar formalização, proteção e melhores condições de trabalho, mas ela também precisa ser considerada quando analisamos a realidade econômica”, afirmou.

A rotatividade da mão de obra e os afastamentos de trabalhadores também foram citados como fatores que interferem na dinâmica das empresas. Segundo o secretário, a quantidade de atestados observada pelo município é um fenômeno que merece ser estudado com dados, pois pode influenciar demissões, reposição de trabalhadores e novas contratações.

Setores com saldo positivo

Fernando Lucas também destacou setores em que Alegrete apresentou desempenho positivo no levantamento baseado no Caged. Na fabricação de produtos do arroz, por exemplo, o município ficou em primeiro lugar no Rio Grande do Sul e no Brasil, segundo os dados apresentados pela Secretaria, com 154 admissões e saldo positivo de 17 empregos.

O secretário reconhece que a atividade está diretamente relacionada à vocação econômica do município, mas ressalta que o setor também enfrenta dificuldades para encontrar mão de obra qualificada.

Outros segmentos citados apresentaram saldo positivo no período analisado: serviços de engenharia, com 29 empregos; construção de rodovias e ferrovias, com 30; manutenção de redes de distribuição de energia elétrica, com 11; e transporte coletivo municipal, também com saldo de 11 empregos. Conforme a Secretaria, esses resultados colocaram os setores em posições relevantes no ranking estadual.

Para Fernando Lucas, os números demonstram que, embora o saldo geral do emprego seja um indicador importante, ele não deve ser utilizado isoladamente para definir a situação econômica do município.

“Quando olhamos apenas para o saldo de admissões menos desligamentos, temos uma fotografia importante, mas não temos o filme inteiro”, declarou.

O secretário avalia ainda que a economia de Alegrete é fortemente influenciada pelo agronegócio e pelo ciclo das safras, além de sofrer os efeitos da conjuntura econômica do Rio Grande do Sul e do país. Ao mesmo tempo, segundo ele, ocorre uma transformação estrutural na maneira como as pessoas trabalham.

Nesse contexto, a Secretaria afirma atuar em diferentes frentes, como intermediação de vagas de emprego, qualificação profissional, atendimento a empreendedores, apoio a MEIs, microcrédito, programa Juro Zero, atração de empresas, Distrito Industrial, turismo e fortalecimento de atividades econômicas já consolidadas no município.

“Não vamos maquiar número negativo. Se há perda de emprego, precisamos reconhecer e trabalhar para mudar. Mas também não podemos transformar um indicador específico em diagnóstico completo da economia”, afirmou Fernando Lucas.

Para o secretário, o desafio do município é ampliar a geração de empregos formais, fortalecer os empreendedores, atrair novos investimentos e preparar a população para as transformações do mercado de trabalho.

“Emprego e renda precisam ser prioridade. A diferença é que nós estamos trabalhando diariamente para enfrentar esse problema, e não apenas olhando o número depois que ele aparece”, concluiu.

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