Mas o trabalho avança e no município Patrulha Escolar e Patrulha Maria da Penha estão ampliando a atuação no atendimento e acompanhamento de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. Prestes a completar um ano de atuação no município e já reconhecido pelo trabalho desenvolvido. O serviço mantém uma rotina permanente de visitas, fiscalização de medidas protetivas e acolhimento das vítimas.

À frente desse trabalho estão o sargento Matos e a soldado Mota, que realizam as visitas de acompanhamento determinadas pelo Poder Judiciário. A atuação também envolve a fiscalização das Medidas Protetivas de Urgência (MPUs), a avaliação de situações de risco e o encaminhamento de ocorrências identificadas durante o acompanhamento.
Os dados disponíveis na plataforma da Patrulha Maria da Penha mostram a dimensão desse trabalho em Alegrete. Entre 1º de janeiro e julho de 2026, foram registradas 152 vítimas cadastradas, mais que o dobro das 68 vítimas cadastradas durante todo o ano de 2025.
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No mesmo período de 2026, foram confeccionadas 366 certidões, contra 115 em todo o ano anterior. A Patrulha também realizou 200 fiscalizações de Medidas Protetivas de Urgência, enquanto em 2025 foram contabilizadas 81 fiscalizações.
Os números não significam, necessariamente, que houve o mesmo crescimento percentual no número de casos de violência, uma vez que os indicadores retratam diferentes atividades realizadas pela Patrulha e os períodos analisados são distintos. O ano de 2026, nos dados apresentados, contempla apenas os primeiros sete meses, enquanto a comparação de 2025 corresponde aos 12 meses do ano.

Acompanhamento das vítimas
Um dos desafios apontados pelos próprios registros é a dificuldade de localização de algumas mulheres acompanhadas pelo serviço. Entre janeiro e julho de 2026, foram registradas 93 situações de não localização da vítima. Em todo o ano de 2025, esse número havia sido de 14.
Também foram registrados dois casos de endereço incompleto ou inexistente em cada um dos períodos analisados.
Outro indicador relevante é a recusa de atendimento. Foram 50 registros nos primeiros sete meses de 2026, diante de 13 durante todo o ano de 2025. A Patrulha registrou ainda cinco términos de acompanhamento em 2026, contra um em 2025.

Fiscalização das medidas protetivas
A fiscalização das Medidas Protetivas de Urgência ocupa uma parte importante da rotina da Patrulha Maria da Penha. Em sete meses de 2026, foram contabilizadas 200 fiscalizações, número que já supera em 119 registros o total de 81 realizado em todo o ano passado.
Dentro desse trabalho também estão as avaliações de risco. Foram três registros de Fiscalização de MPU – Avaliação de Risco entre janeiro e julho de 2026, enquanto 2025 terminou com quatro registros nessa categoria.
Os dados de 2026 apontam ainda oito registros de vulnerabilidade – COP, categoria que não apresentou ocorrências no levantamento de 2025.
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Um dos indicadores que chama atenção é o registro de duas prisões por descumprimento de Medida Protetiva de Urgência em 2026. Em 2025, não houve prisão registrada nessa categoria.
Também aparecem na estatística de 2026 156 medidas protetivas expiradas, enquanto o levantamento referente a 2025 apresenta zero registro nessa categoria.

Patrulha também atua nas escolas
Além do acompanhamento das vítimas de violência doméstica, a rotina dos policiais envolve outro trabalho preventivo. Desde julho de 2025, a Patrulha Escolar passou a realizar visitas às instituições de ensino do município, em uma ação desenvolvida juntamente com a Patrulha Maria da Penha.
A iniciativa amplia a presença da Brigada Militar nas escolas e busca trabalhar a prevenção, a orientação e a aproximação com a comunidade escolar.
Assim, a atuação do sargento Matos e da soldado Mota não se restringe às visitas às mulheres que possuem medidas protetivas. O trabalho envolve também ações preventivas e de orientação junto às escolas, dentro de uma estratégia de aproximação da segurança pública com diferentes setores da comunidade.
Números revelam aumento da demanda operacional
A comparação entre os dois períodos evidencia uma ampliação significativa da atividade registrada pela Patrulha Maria da Penha em Alegrete. O número de vítimas cadastradas passou de 68 em todo o ano de 2025 para 152 somente nos primeiros sete meses de 2026. As fiscalizações de MPU passaram de 81 para 200, enquanto as certidões confeccionadas saltaram de 115 para 366.
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Os dados da Patrulha Maria da Penha neste ano mostram que a maior parte das Medidas Protetivas de Urgência (MPUs) atendidas pela Brigada Militar está relacionada a conflitos no âmbito familiar. Ex-companheiros, irmãos e ex-namorados aparecem entre os principais vínculos apontados nas solicitações. Mais de 90% dos casos estão amparados pela Lei Maria da Penha.
Entre as vítimas, a faixa etária de 18 a 25 anos concentra o maior número de atendimentos, seguida pelas idades de 26 a 35 anos e pela faixa que reúne pessoas dos 46 anos até mais de 60. A maioria das vítimas é branca.
A segunda-feira é o dia com maior demanda para a Patrulha Maria da Penha. Dos 40 casos registrados, 33 correspondem a procedimentos de fiscalização das medidas protetivas, reforçando o papel da equipe no acompanhamento e na prevenção de novas ocorrências.
Entre os autores, a faixa etária predominante também está entre 26 e 35 anos. Mais de 90% dos agressores identificados são brancos, segundo os dados levantados pela Brigada Militar.
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Ao mesmo tempo, aumentaram os registros relacionados à dificuldade de localização das vítimas e à recusa de atendimento, fatores que também fazem parte da complexidade do acompanhamento realizado pela equipe.
No entanto, a instituição salienta que é importante observar que os números de uma Patrulha especializada não devem ser interpretados isoladamente como uma estatística geral da violência contra a mulher no município. Eles refletem, principalmente, a demanda que chega ao serviço e as ações operacionais realizadas pelos policiais no cumprimento de suas atribuições.
Um serviço baseado no acompanhamento
A Patrulha Maria da Penha tem como uma de suas principais características justamente o acompanhamento continuado. Diferentemente de uma atuação restrita ao momento do registro da ocorrência, os policiais retornam às vítimas, verificam o cumprimento das medidas determinadas pela Justiça e procuram identificar situações que possam representar risco.
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Quando há descumprimento de uma medida protetiva, a situação pode resultar em intervenção policial e, conforme as circunstâncias e os procedimentos legais, prisão do agressor. Em 2026, dois casos chegaram a esse estágio, segundo os dados apresentados.
Em 2025, o levantamento registra um caso de feminicídio na estatística apresentada para Alegrete. Importante salientar, que no casso, a vítima não tinha acompanhamento da patrulha, pois se recusou de denunciar o agressor.
A atuação da Patrulha Maria da Penha, portanto, combina prevenção, acompanhamento, fiscalização e resposta a situações de descumprimento das medidas judiciais, buscando reduzir os riscos enfrentados por mulheres que já estão inseridas no sistema de proteção.

Com os números registrados até julho, 2026 já apresenta uma movimentação operacional superior à observada em várias categorias durante todo o ano anterior. O cenário reforça a importância do trabalho especializado e da manutenção de uma rede de proteção capaz de acompanhar as vítimas não apenas no momento da denúncia, mas também nos períodos seguintes, quando o cumprimento das medidas protetivas e a identificação de novas situações de risco podem ser decisivos para preservar a segurança e a vida das mulheres.

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