Há exatos dez anos, em 2 de outubro de 2016, Alegrete vivia uma eleição que entraria para a história política do município. Naquele domingo, 22.073 eleitores escolheram Cleni Paz da Silva para governar a cidade. O resultado representou 52,30% dos votos válidos e fez dela a primeira mulher eleita prefeita de Alegrete.
O resultado oficial do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul mostra que Cleni recebeu 22.073 votos, enquanto Maria de Fátima Castro Mulazzani obteve 20.130. Naquele pleito, 45.497 eleitores compareceram às urnas, de um eleitorado apto de 60.725 pessoas.
A eleição de Cleni ganhou uma dimensão ainda maior porque Alegrete estava entre os municípios brasileiros que tinham exclusivamente candidatas mulheres na disputa pela Prefeitura em 2016. O próprio Tribunal Superior Eleitoral registrou Alegrete entre as 56 cidades brasileiras nessa condição.
Uma trajetória construída antes da política
A chegada de Cleni à Prefeitura foi o resultado de uma trajetória que começou muito antes das urnas.
Nascida e criada no Passo Novo, Cleni construiu sua vida profissional principalmente ligada à educação. Foi professora da rede municipal durante décadas e também dirigiu a Escola Municipal Marcelo Faraco.
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Mais tarde, ampliou sua formação e passou a atuar na advocacia. Sua trajetória também incluiu participação na Ordem dos Advogados do Brasil e atuação em diferentes espaços da comunidade alegretense.
No tradicionalismo, Cleni também ocupou um espaço pouco comum para a época. No CTG Quero-Quero, tornou-se a primeira mulher a assumir a patronagem, ampliando sua participação em uma área historicamente marcada pela presença masculina.
Na política institucional, antes de chegar ao Executivo, foi vereadora e participou da direção do Legislativo municipal. Registros da Câmara Municipal mostram sua atuação como vereadora e vice-presidente do Legislativo durante a legislatura que antecedeu sua eleição para a Prefeitura.
Na Câmara, sua atuação também esteve relacionada à apresentação de projetos e homenagens a pessoas e iniciativas da comunidade.
Uma vitória que rompeu uma marca histórica
Ao ser eleita em 2016, Cleni não apenas venceu uma disputa eleitoral. Seu nome passou a ocupar um lugar específico na história política de Alegrete: foi a primeira mulher a assumir o comando do Executivo municipal.
A experiência, porém, foi curta. Cleni morreu em 23 de dezembro de 2018, aos 61 anos, depois de se afastar da Prefeitura para realizar tratamento de saúde. O município decretou luto oficial de três dias.
A notícia de sua morte interrompeu um mandato que havia começado pouco mais de dois anos antes e provocou manifestações de pesar de diferentes setores da comunidade.
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A lembrança de Rubens Pillar
A passagem dos dez anos da eleição foi lembrada nesta sexta-feira, 2 de outubro, pelo vereador Rubens Pillar. Em uma publicação nas redes sociais, ele recuperou a trajetória de Cleni e também registrou a relação pessoal e profissional que manteve com ela.
No texto, Pillar escreveu:
“Há exatos dez anos, Cleni Paz fez história!
No dia 2 de outubro de 2016, 22.073 alegretenses escolheram Cleni Paz da Silva para governar o município. Pela primeira vez, uma mulher era eleita prefeita de Alegrete.
Quem conheceu a trajetória da Cleni sabe que aquela vitória não foi obra do acaso.
Nascida e criada no Passo Novo, perdeu os pais muito cedo e fez da educação o seu caminho. Foram mais de 30 anos como professora da rede municipal, boa parte deles na zona rural, além da direção da Escola Marcelo Faraco. Depois vieram o Direito, a advocacia, a vice-presidência da OAB de Alegrete. No CTG Quero-Quero, foi a primeira mulher a assumir a patronagem. Na Câmara, foi vereadora e presidente do Legislativo.
Tive o privilégio de acompanhar de perto parte dessa caminhada, primeiro como seu assessor na Câmara e depois na Prefeitura. Sempre digo que tenho duas grandes referências na política: meu pai, José Rubens Pillar e a Cleni.
Ela nos deixou cedo demais, em dezembro de 2018. O tempo passa, mas não apaga o que ela construiu. Seu nome ficou marcado na história do nosso município, e sua trajetória e seu trabalho seguem inspirando muita gente.”**
O relato de Pillar acrescenta à lembrança histórica uma dimensão pessoal: a de alguém que acompanhou parte da trajetória de Cleni nos bastidores da atividade política e administrativa.
Dez anos depois, novamente em período eleitoral
A lembrança de Cleni ocorre justamente em um novo momento eleitoral.
Neste domingo, 4 de outubro de 2026, os eleitores brasileiros irão às urnas para o primeiro turno das eleições gerais. Diferentemente de 2016, quando os alegretenses escolheram prefeito e vereadores, agora a votação é para presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador, senador, deputado federal e deputado estadual. No Distrito Federal, a disputa é para deputado distrital.
A ordem de votação será: deputado federal, deputado estadual, senador — em duas vagas —, governador e presidente. Em 2026, serão renovadas 54 das 81 cadeiras do Senado, além das 513 vagas da Câmara dos Deputados e das cadeiras das Assembleias Legislativas dos estados.
Assim, a coincidência das datas coloca lado a lado dois momentos eleitorais completamente diferentes: há dez anos, a eleição municipal que marcou a entrada de uma mulher na Prefeitura de Alegrete; agora, uma eleição geral que definirá os ocupantes dos principais cargos dos poderes Executivo e Legislativo em âmbito federal e estadual.
A história de Cleni, entretanto, permanece vinculada a uma conquista específica da política alegretense. Independentemente das disputas partidárias de cada época, sua eleição em 2016 permanece como um marco: pela primeira vez, uma mulher recebeu o voto dos alegretenses para comandar a Prefeitura.

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