De São Paulo a Alegrete: pai e filho realizam sonho em desfilar juntos na 3ª Capital Farroupila

Morador de Promissão, no interior de São Paulo, Ciro Alderete retorna a Alegrete ao lado do filho João Pedro para participar do Desfile Farroupilha neste 20 de setembro.

A paixão pelas tradições gaúchas e o orgulho de suas raízes vão fazer o alegretense enfrentar uma viagem de aproximadamente 3 mil quilômetros, entre ida e volta, para viver um momento especial na cidade onde nasceu. Aos 42 anos, Ciro Manuel Alderete Gomes deixou Promissão, no interior de São Paulo, onde vive há 15 anos, e retornou a Alegrete acompanhado do filho, João Pedro Sastre, de 12 anos, para participar do Desfile Farroupilha neste domingo, 20 de setembro.

Criado no bairro Piola, em Alegrete, Ciro é motorista carreteiro há quase duas décadas. Há 15 anos, deixou a 3ª Capital Farroupilha em busca de oportunidades de trabalho e acabou construindo uma nova vida no interior paulista, onde conheceu a esposa, Glauciane Sastre. Foi em São Paulo também que nasceu João Pedro, que agora acompanha o pai em uma viagem carregada de significado.

“Sou natural de Alegrete, bairro Piola. Sou motorista carreteiro há quase 20 anos e faz 15 anos que eu mudei para Promissão, interior de São Paulo, onde conheci minha esposa, Glauciane Sastre. Tivemos o nosso filho, João Pedro Sastre, que inclusive vai desfilar comigo este ano”, conta Ciro.

Um retorno às raízes

A distância não apagou a ligação de Ciro com Alegrete. Pelo contrário. Mesmo morando longe, ele mantém vínculos familiares e profissionais com a cidade. A filha mais velha, Júlia Brasil Gomes, fruto do primeiro casamento, permanece em Alegrete. Ele também mantém contato com as irmãs Cimara e Márcia, que vivem no município. O trabalho como motorista carreteiro também faz com que Ciro retorne eventualmente à terra natal, inclusive prestando serviços para um frigorífico local. São nessas passagens que ele reencontra familiares, amigos e lugares que fazem parte de sua história.

“Apesar da distância, Alegrete nunca deixou de estar presente na minha vida”, resume.

A ligação com a cidade também está nos planos da família. Para dezembro, Ciro, a esposa e o filho pretendem retornar a Alegrete para passar as férias e aproveitar mais tempo ao lado dos familiares.

Pai e filho unidos pela tradição

O Desfile Farroupilha deste ano, porém, terá um significado diferente. Será a oportunidade de Ciro compartilhar com João Pedro uma tradição que faz parte de sua própria história. Ele conta que esta será apenas a segunda vez que desfila em Alegrete. A primeira ocorreu quando tinha aproximadamente 15 anos. Agora, aos 42, ele volta às ruas da cidade natal acompanhado pelo filho.

“É o segundo ano que eu estou desfilando. Eu desfilei quando tinha 15 anos de idade. Hoje estou com 42 anos, então é a segunda vez que estou desfilando. E esse ano vou desfilar com meu filho”, diz um pai orgulhoso.

João Pedro tem 12 anos e também está vivendo a experiência de conhecer mais de perto as tradições do pai. Para tornar o momento ainda mais especial, Ciro mantém cavalos em Alegrete e um deles foi domado especialmente para que o filho pudesse participar do desfile.

A viagem, portanto, não representa apenas o deslocamento entre São Paulo e o Rio Grande do Sul. Para pai e filho, os cerca de 1.500 quilômetros de ida e outros 1.500 de volta representam uma aproximação com a história familiar e com a cultura que Ciro carrega consigo mesmo depois de uma década e meia longe de Alegrete. “É a nossa origem”. Para Ciro, cultivar a tradição gaúcha é também preservar a identidade e transmitir às novas gerações o vínculo com o lugar de onde veio.“Eu sempre gostei de cultuar a tradição gaúcha. É a nossa origem, do Rio Grande do Sul, do Alegrete”, afirma.

A viagem deste ano, segundo ele, é a realização de um sonho: voltar a desfilar em sua cidade e, desta vez, ter o filho ao seu lado. “Estou vindo para realizar esse sonho juntamente com o meu filho, esse ano”, diz.

A emoção da chegada também carrega uma pequena frustração. Ciro conta que não conseguiu chegar a tempo de desfilar na cavalgada da Chama Crioula, estava trabalhando. Ainda assim, o objetivo principal permaneceu: estar em Alegrete no dia 20 de setembro.

Uma viagem que vai além dos quilômetros

Quando Ciro deixou Alegrete, há 15 anos, iniciou uma nova etapa da vida longe de casa. Construiu família, consolidou a profissão e criou o filho em São Paulo. Mas algumas raízes permanecem profundas demais para serem deixadas para trás. Agora, ao lado de João Pedro, ele retorna à cidade onde cresceu, ao bairro Piola e às lembranças da juventude. O cavalo preparado para o filho, o traje tradicionalista e a presença no desfile representam mais do que uma participação em uma programação farroupilha. Representam um reencontro com as próprias origens e a transmissão de uma paixão de pai para filho.

Neste 20 de setembro, enquanto Alegrete celebra suas tradições, entre tantos cavaleiros e participantes que estarão nas ruas, haverá também um alegretense que atravessou o país para estar ali. Ciro Alderete não volta apenas para desfilar. Volta para casa — e leva o filho consigo para apresentar a ele um pedaço da história que carrega desde o bairro Piola.

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