Fernando Campos Rosa, um amor obstinado por Alegrete

Confira a entrevista com o alegretense que escreve histórias e estórias sobre sua cidade natal

Fernando Campos Rosa
Fernando Campos Rosa

O alegretense Fernando Campos da Rosa, nasceu no dia 26 agosto de 1954. Filho de Horadio Rovera da Rosa, o Remelexo (Mestre de cerimônia que ficava na frente dos blocos) da União Operária e da lavadeira Diamantina Campos da Rosa, é uma figura, digamos, popular.

Aos 61 anos, o aposentado reside em Porto Alegre. Em Alegrete morava na Usina próximo à Rua Vinte de Setembro. Fernando é ativista dos movimentos estudantis, foi interactiano e integrou a Action International, órgão de ajuda humanitária em todo mundo no voluntariado.

Fernando participa de várias campanhas
Fernando participa de várias campanhas

Na Capital é militante sindical, atua no movimento comunitário no projeto Segurança, Cidadania e Paz(Secipaz), e traz em seu histórico uma participação como convidado de uma feira em Hannover na Alemanha, no ano de 2002, por sua destacada atuação na diminuição da violência na região norte de Porto Alegre com o Parque Chico Mendes na Paz.

O alegretense também atuou no Projeto Vó Chica, Brincando Sem Armas e União de Idosos Alegria de Viver com aulas de inglês. Fernando estudou no Demétrio, IRMA, Oswaldo Aranha, Emílio Zuñeda, e em Porto Alegre no Instituto São José e no Instituto Mackenzie.

Missa Crioula: fé e amor às tradições na Semana Farroupilha

Morador do Rubem Berta, o alegretense já lançou dois livros. Trabalhava de cobrador de ônibus da Carris e colhia histórias dos passageiros e incluía na obra dedicada à sua terra natal. Um dos livro se chama Alegrete, Meu Amor (Errejota Livros), e reúne seis histórias que se passam na cidade. Elas misturam fatos e lugares de Alegrete com coisas que ele inventou em Porto Alegre.

Fernando vive na Capital há mais de 30 anos e foi cobrador por mais de 24. A obra lançada é a segunda escrita por Fernando. A primeira, lançada na Feira do Livro de Porto Alegre em 2018, chama-se Alegrete nos Tempos do Cine Glória, e tinha a mesma estrutura do segundo livro. Tudo começou pela internet.

Atuante no grupo Alegretenses Desgarrados no Facebook, é lá que ele mostra seu amor pela terra onde nasceu. Escreve, posta fotos e escreve diariamente na página.

A reportagem do Portal Alegrete Tudo entrevistou o alegretense que é uma grande figura. De bem com a vida, Fernando conversou com a reportagem através do aplicativo de mensagens do Facebook. Disse que não tem WattsApp. – Só a patroa tem – rebateu ele.

“A nossa vida era como uma calça velha azul e desbotada, blusão no ombro e um violão. Éramos felizes e sabíamos, o que somos é o que sobrou de nós. Um pouco da minha noção de mundo aprendi em Alegrete”, assim Fernando iniciou o papo.

Fernando em suas andanças,
Fernando em suas andanças,

Confira os principais trechos:

Portal: Mesmo longe dos pagos tu exaltas o amor pelo Alegrete. A 3ª Capital Farroupilha faz parte do teu dia a dia. Como é alimentada essa paixão pela terra natal ?

A exaltação vem através de textos escritos nas redes sociais sobre a cidade. Eu uso de uma literatura de afeto, um certo retratismo urbano que retrata a vida de pessoas comuns ou personalidades como Batata, Lilico, Thadeu, Coruja, Caruncho, Dr Romário, Cabaré do Serafim, a Pensão da Eva, da Dona Chininha. Vou entrando pelas ruas, bares, becos, vilas do Alegrete. É um certo realismo fantástico

Portal: Fernando, tu faz postagens na página Desgarrados Alegrete, sempre exaltando a cidade com fotos, mas seguidamente tem algumas poemas e estórias que ocorreram na cidade sintetizada em forma de poema. Que ideia é essa ?

Como te disse. A coisa vai fluindo…Lá vem o trem, a mais de cem, a mais de cem, lá vem o trem/Batata ,Lilico,Tadeu Coruja, Caruncho/Mandei avisar na Zona da Usina, lá vem o tresoitão, a lambreta do Lencina/Missa das Dez, Igreja da Matriz, subir no Manequinho, banho no Chafariz/picolé Q-Brasa, sorvete do Bacachiri, Birutas, Canjiqueira, caipirinha no Parati. Vai surgindo eu vou falando e por vai.

Portal: Foste para Capital e se notabilizou na função de cobrador de ônibus. Como foi e quanto tempo durou este trabalho ?

Trabalhei no transporte coletivo na empresa Carris da capital por 30 anos. São muitas histórias vivenciadas dentro de um ônibus pelas ruas de Porto Alegre. Foi uma baita experiência de vida.

Fernando na Confraria da Praça Nova
Fernando na Confraria da Praça Nova

Portal: Fale um pouco dos seus livros. Que obras são essas ?

Foram dois livros escritos: “Alegrete nos tempos do Cine Glória” e “Alegrete meu amor”. Recebi convite fiz lançamento na Feira do Livro de Porto Alegre com as duas edições já esgotadas. Estive aí em Alegrete. Foi sucesso, aquilo que sempre gostei- falar de Alegrete e contar algumas histórias reais outras nem tanto.

Portal: Qual o próximo projeto literário do escritor Fernando Campos Rosa ?

Sim. Eu pretendo escrever os livros “Alegrete-Rio Ibirapuitã” e “Alegrete melhor que Paris”, além de um filme ou documentário sobre o Alegrete. Estou estudando projetos e possibilidades, mas é para logo. Aguardem.

Portal: Qual a tua melhor lembrança do Alegrete ?

Nossa. saudades de sentar na frente de casa para conversar e reviver lembranças no Rio Ibirapuitã.

Fernando na rua onde morou Vinte de Setembro
Fernando na rua onde morou Vinte de Setembro

Portal: No próximo ano teremos eleição para prefeito. Quais as três principais demandas que tu elencarias para o Alegrete ?

Sugestão do uso do prédio da Viação Férrea para desenvolvimento de um polo cultural e um case “Eu Amo Alegrete”

Portal: Como é o cotidiano do alegretense na capital dos gaúchos ?

Normal. Tenho os encontros dos Alegretenses Desgarrados em Torres e CTG 35 em Porto Alegre, além do acampamento farroupilha e encontros da Casa do Alegrete e encontros no Café Matheus no Centro de Porto Alegre.

Fernando atuante em eventos culturais
Fernando atuante em eventos culturais

Portal: Qual o foi pior momento do Fernando na pandemia do novo coronavírus ?

Perdi muitos amigos com a pandemia. O pior momento foi a indefinição quanto à vacina, mas depois com cuidados e as duas doses seguimos firme e forte.

Portal: Qual a mensagem que tu deixas para os teus conterrâneos nesse momento de retomada das atividades e na lenta volta da normalidade ?

Simples. Viva la vida. Invista em pequenas e boas coisas simples da vida como uma amizade. O que precisamos é entender que nesses tempos difíceis é viver de pequenas coisas como as grandes amizades, e de paz e respeito com as diferenças.

Fernando no movimento sindical
Fernando no movimento sindical

Fotos: acervo pessoal

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