Empresa afirma ter alcançado quórum necessário para avançar com o plano e convoca credores aderentes para reunião em setembro, em Alegrete
Depois de enfrentar uma das crises mais graves de sua trajetória empresarial, a Ritt afirma estar entrando em uma nova fase do processo de reorganização. A empresa informa que já alcançou o quórum necessário para avançar com a Recuperação Extrajudicial e pretende ampliar o diálogo com credores antes de encaminhar o plano para homologação judicial.
A reestruturação envolve diferentes grupos de credores e obrigações, incluindo adquirentes de imóveis, investidores, fornecedores, instituições financeiras, trabalhadores e outros envolvidos nas atividades da empresa.
O empresário Felipe Ritt afirma que a atual etapa busca enfrentar os problemas acumulados nos últimos anos sem ignorar os impactos provocados pela crise.

“Eu conheço a realidade que estamos enfrentando. Sei que existem credores frustrados, preocupados e até desacreditados. Eu respeito todos eles. Não quero reescrever o passado nem diminuir a dimensão dos problemas.”
Segundo Felipe, a decisão de assumir uma participação mais direta no processo de reorganização está relacionada à necessidade de buscar alternativas para os credores e preservar a capacidade econômica das empresas.
Da Recuperação Judicial à Extrajudicial
O primeiro caminho adotado pela Ritt foi a Recuperação Judicial, com o objetivo de reorganizar as empresas e estabelecer uma solução coletiva para as dívidas. O processo, entretanto, foi extinto antes da implementação de um plano.
A empresa informa que recorre da decisão, mas decidiu não aguardar exclusivamente o resultado dos recursos. Paralelamente, passou a estruturar uma Recuperação Extrajudicial, alternativa que permite a negociação direta com determinadas classes de credores e, cumpridos os requisitos legais, o posterior pedido de homologação judicial.
“Continuamos discutindo a Recuperação Judicial pelos meios jurídicos cabíveis, mas entendemos que precisávamos avançar. Não seria responsável ficar apenas esperando quando existe outra alternativa legal para buscar uma solução”, afirma Felipe.
Na avaliação da empresa, a Recuperação Extrajudicial pode contribuir para organizar situações que atualmente estão fragmentadas em cobranças, execuções e negociações individuais.
A estratégia apresentada pela Ritt também considera a preservação de ativos e atividades que ainda tenham capacidade de gerar receita. A empresa avalia que uma eventual desmobilização desordenada ou um cenário de falência poderia provocar destruição de valor e ampliar as perdas dos próprios credores.
Quórum necessário já foi alcançado
A construção do Plano de Recuperação Extrajudicial envolveu apresentação da proposta, reuniões, esclarecimentos, negociações e recebimento dos termos de adesão.
De acordo com a Ritt, o percentual necessário de adesões já foi atingido. Mesmo assim, a empresa decidiu manter o recebimento de novas adesões antes de encaminhar o plano ao Judiciário.
Para Felipe Ritt, ampliar a participação dos credores é importante não apenas para o cumprimento dos requisitos legais, mas também para fortalecer a representatividade da proposta.
“Atingir o percentual necessário é importante, mas para mim isso não encerra o trabalho. Quero que o maior número possível de credores participe desse processo.”
A intenção, segundo o empresário, é apresentar ao Judiciário não somente o cumprimento de uma exigência legal, mas também demonstrar a existência de um grupo expressivo de credores disposto a buscar uma solução coletiva.
Nem todas as dívidas têm o mesmo tratamento
Um dos pontos destacados pela empresa é que as obrigações possuem diferentes naturezas jurídicas e, por isso, não podem necessariamente ser submetidas ao mesmo instrumento.
Segundo a Ritt, a Recuperação Extrajudicial é direcionada principalmente a adquirentes de imóveis e investidores, adquirentes com imóveis já entregues mas ainda pendentes de regularização, fornecedores, instituições financeiras sem garantia e demais credores abrangidos pelo plano.
Os créditos trabalhistas e tributários possuem tratamento jurídico próprio e não estão submetidos às mesmas condições da Recuperação Extrajudicial.
“Não existe uma única solução para obrigações de naturezas diferentes. Estamos buscando enfrentar cada passivo pelo instrumento jurídico adequado”, explica Felipe.
Trabalhadores terão tratamento específico
A empresa reconhece a existência de obrigações trabalhistas e afirma que esses créditos estão sendo tratados separadamente, inclusive no âmbito da Justiça do Trabalho.
A estratégia apresentada prevê a busca de mecanismos que permitam direcionar patrimônio e recursos disponíveis para o pagamento dos respectivos créditos.
A Ritt também sustenta que a preservação das atividades economicamente viáveis é importante para recuperar a capacidade de geração de recursos e, consequentemente, ampliar a possibilidade de cumprimento das obrigações.
Passivo tributário também será negociado
As obrigações tributárias igualmente terão tratamento específico. Conforme a empresa, a estratégia envolve a utilização dos instrumentos previstos na legislação para negociação, parcelamento e transação tributária, levando em consideração a capacidade financeira das empresas que permanecerão em funcionamento.
A intenção é buscar uma regularização fiscal considerada sustentável e compatível com a geração de caixa das operações.
Reestruturação inclui retomada das atividades
A reorganização, segundo a Ritt, não está restrita à negociação das dívidas.
A empresa afirma que já iniciou mudanças em suas estruturas produtivas, retomou contatos comerciais, avalia novos contratos e prepara as atividades consideradas estratégicas para a nova fase.
Também foram iniciadas novas contratações de trabalhadores destinadas às operações que deverão permanecer na estrutura reorganizada.
“Temos obrigações do passado que precisam ser enfrentadas. Mas só existe capacidade de pagamento no futuro se houver empresa trabalhando no presente. Precisamos produzir, vender, receber e transformar atividade econômica em capacidade real de cumprir compromissos”, afirma Felipe.
Credores terão reunião em setembro
A próxima etapa pública da reestruturação será a 1ª Reunião dos Credores Aderentes ao Plano de Recuperação Extrajudicial da Ritt, marcada para o dia 10 de setembro de 2026, às 19h30, no Auditório da URCAMP, na Praça Getúlio Vargas, em Alegrete.
A participação será exclusiva aos credores que formalizarem a adesão ao Plano mediante entrega do respectivo termo até a data da reunião.
Entre os assuntos previstos estão esclarecimentos gerais sobre o plano, apresentação dos próximos passos até o pedido de homologação judicial e a formação de uma Comissão de Credores.
A proposta é que os próprios credores indiquem seus representantes para a comissão.
“Não quero uma comissão escolhida pela empresa e nem alguém falando pelos credores por indicação nossa. Quero que eles próprios se organizem, indiquem seus representantes e participem das decisões que dizem respeito ao futuro dessa construção”, destaca Felipe.
Também deverá ser proposta a indicação, pelos próprios credores aderentes, de um profissional da área jurídica que possa auxiliá-los na condução das reuniões, no acompanhamento das discussões e na busca de soluções coletivas.
Homologação judicial será o próximo passo
A reunião e a coleta de adesões representam uma etapa anterior ao encaminhamento judicial. Depois de concluída essa fase, a empresa pretende apresentar ao Juízo Empresarial competente o Plano de Recuperação Extrajudicial, os termos de adesão e a documentação necessária para solicitar a homologação.
A homologação judicial será uma etapa importante para a formalização do acordo nos termos previstos pela legislação aplicável.
A Ritt afirma ainda que pretende manter os credores e demais envolvidos informados sobre os avanços relevantes da reestruturação.
Empresa busca reconstruir confiança
Além dos aspectos financeiros e jurídicos, a Ritt reconhece que a crise provocou impactos na relação de confiança com parte dos credores.
Felipe afirma que essa confiança não será recuperada apenas por meio de declarações ou pela apresentação de um plano, mas pela execução das medidas propostas.
“Cada credor que adere está depositando novamente uma parcela de confiança nesse processo. Essa confiança precisa ser correspondida com transparência, trabalho e participação.”
Segundo o empresário, o objetivo é utilizar as alternativas jurídicas e econômicas disponíveis para preservar atividades produtivas, reorganizar as obrigações acumuladas e recuperar gradualmente a capacidade de pagamento.
“Enquanto existir uma alternativa juridicamente válida e economicamente responsável que possa representar uma solução melhor para a maioria dos nossos credores, vou continuar trabalhando por ela.”
Informações aos credores
A empresa informa que os credores interessados em conhecer o Plano de Recuperação Extrajudicial, esclarecer dúvidas ou obter informações sobre a proposta podem entrar em contato diretamente com a Ritt pelo WhatsApp (55) 99935-0451. A orientação é que os credores tenham acesso às informações antes de tomar qualquer decisão relacionada à adesão.
Serviço
1ª Reunião dos Credores Aderentes ao Plano de Recuperação Extrajudicial da Ritt
Data: 10 de setembro de 2026
Horário: 19h30
Local: Auditório da URCAMP – Praça Getúlio Vargas – Alegrete/RS
Participação: exclusiva aos credores que formalizarem sua adesão ao Plano mediante entrega do respectivo termo até 10 de setembro.

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