Apaixonado pela vida campeira desde a infância, o ginete Relson Fontoura da Silva recebeu uma última homenagem à altura da história que construiu. Na tarde desta quinta-feira (29), amigos acompanharam seu cortejo fúnebre a cavalo, em um gesto de carinho e reconhecimento àquele que fez dos animais parte inseparável de sua vida. Mas uma presença tornou a despedida ainda mais comovente: o cavalo Nanico, seu companheiro de 22 anos.
A despedida começou na Funerária Paraíso e reuniu amigos que fizeram questão de prestar a homenagem montados a cavalo. Entre eles estava Nanico, o animal de estimação e companheiro de tantos anos, com quem o ginete mantinha uma relação muito especial.
Segundo Gideão Miranda, grande amigo de Relson, os dois tinham uma ligação de confiança e afeto que todos conheciam. Nanico era seu xodó.
Quando o corpo chegou à capela velatória, o cavalo se aproximou. No momento em que o caixão deixou o local, bateu repetidamente as patas no chão. Durante o trajeto até o cemitério, tentou se aproximar do carro funerário, buscando encostar o focinho no veículo. Já no destino para a sepultura, permaneceu olhando em direção ao interior do cemitério.
Os gestos chamaram a atenção e emocionaram familiares e amigos que acompanhavam a despedida. Uma cena que dificilmente será esquecida por quem conhecia a história dos dois.
Uma paixão que começou na infância
Relson nasceu em 19 de dezembro de 1988. Filho de Ataliba Lourenço da Silva e Maria Eliza Fontoura da Silva, desde pequeno demonstrava uma paixão intensa pelos cavalos.
Conforme recorda Gideão, a vontade de estar perto dos animais era tão grande que, ainda criança, chegava a provocar algumas divergências com a mãe. Com o passar dos anos, aquela paixão de menino se transformou em profissão e modo de vida.
Tornou-se ginete, trabalhou em estâncias e, mais recentemente, atuava no Parque Dr. Lauro Dorneles, nos arremates da Agenda.
O cuidado com os animais era uma de suas características mais marcantes. Segundo o amigo, fazia o que fosse necessário para garantir o bem-estar dos cavalos. Depois da mãe, da companheira e dos filhos, eles ocupavam um lugar muito especial em seu coração.
A luta contra o câncer
Há aproximadamente um ano, depois de sucessivas idas à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), Relson recebeu o diagnóstico de câncer no rim esquerdo, já com metástase no pulmão esquerdo.
De acordo com o relato de Gideão, a doença foi identificada após uma internação solicitada por um médico que decidiu investigar a origem dos problemas de saúde que vinha enfrentando.
Vieram os exames, o acompanhamento e o tratamento. Há cerca de oito meses, passou a receber cuidados paliativos. A luta contra a doença terminou na madrugada desta quinta-feira (29), quando faleceu, aos 37 anos.
Uma história que permanece
Relson deixa a companheira, Edilaine Soares Anacleto, com quem compartilhava a vida havia nove anos, e três filhos. Entre eles, uma menina que criou e registrou como filha, além de João Pedro Anacleto Fontoura, de oito anos, e Lourenço Manoel Anacleto Fontoura, de três.
Deixa também familiares, amigos e as lembranças de uma trajetória construída em torno do trabalho, da amizade e da vida campeira.
Na tarde desta quinta-feira, os amigos transformaram a despedida em uma homenagem à sua história. Montados a cavalo, acompanharam o último trajeto daquele que tantas vezes esteve sobre o lombo de um animal. Foi uma demonstração de afeto e reconhecimento, uma maneira de dizer adeus respeitando aquilo que sempre fez parte de sua essência.
E Nanico também esteve lá.
Relson passou a vida ao lado dos cavalos. No último adeus, não foram apenas os amigos e familiares que estiveram presentes. Seu companheiro de tantos anos também acompanhou a despedida. Uma história de amizade que, até o fim, permaneceu lado a lado.






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