Ouro na ciência, primeiro lugar na literatura e Brasília no horizonte: a trajetória de Frederico Ramos Gomes

Frederico Ramos Gomes, do Colégio Raymundo Carvalho, venceu o Concurso de Crônicas Daniela Cunha e alcançou o primeiro lugar estadual na Olimpíada Nacional de Eficiência Energética. Na Olimpíada Nacional de Ciências, também conquistou medalha de bronze.

Aos 14 anos, enquanto muitos adolescentes ainda descobrem suas áreas de interesse, Frederico Ramos Gomes já encontra na ciência, na literatura e na criatividade diferentes caminhos para transformar curiosidade em conhecimento. Estudante do 8º ano do Colégio Raymundo Carvalho, em Alegrete, ele acaba de somar mais uma conquista à sua trajetória: o primeiro lugar do Ensino Fundamental – Anos Finais no Concurso de Crônicas Daniela Cunha, com o texto Entre Frequências: O Preço das Palavras.

O resultado, recebido nesta semana, chega poucos dias depois de outra conquista expressiva. Frederico alcançou o primeiro lugar no Rio Grande do Sul na Olimpíada Nacional de Eficiência Energética (ONEE) 2026 e se prepara para representar o Estado em Brasília, no início de novembro, durante a programação de premiação da competição.

Na capital federal, receberá medalha de ouro e um notebook pelo desempenho na etapa estadual. Também participará de uma nova prova, na disputa pelo título nacional, ao lado de outros 25 estudantes selecionados para essa fase.

Os resultados, em diferentes áreas do conhecimento, revelam uma característica que chama a atenção na trajetória do adolescente: a capacidade de transitar entre o raciocínio científico e a expressão literária. De um lado, o interesse por física, desafios intelectuais e olimpíadas acadêmicas. De outro, a disposição para observar o cotidiano, pesquisar a história e transformar ideias em narrativas.

Em uma fase da vida marcada por descobertas e escolhas, Frederico já experimenta diferentes possibilidades de aprendizagem — e encontra oportunidades para colocar seus conhecimentos à prova.

Da ciência à literatura, novas conquistas

A vitória no Concurso de Crônicas Daniela Cunha amplia um percurso que já vinha sendo marcado pelo desempenho em competições acadêmicas.

Com a crônica Entre Frequências: O Preço das Palavras, Frederico conquistou o primeiro lugar entre os participantes do Ensino Fundamental – Anos Finais. O texto, assinado sob o pseudônimo “Entre Frequências”, parte de uma lembrança aparentemente simples — “Eu não me lembro de quanto custava o pão.” — para construir uma reflexão sobre memória, identidade e as transformações vividas por uma comunidade.

A narrativa aproxima recordações familiares da história de Alegrete, recupera referências ao Plano Cruzado, de 1986, e atribui à Rádio Minuano um papel na memória afetiva das pessoas. A partir desses elementos, o estudante estabelece uma relação entre as experiências individuais, as mudanças econômicas e a história coletiva.

É uma abordagem que exige mais do que escrever bem. Para construir a narrativa, é necessário selecionar informações, estabelecer relações entre passado e presente e transformar referências históricas em uma história capaz de envolver o leitor.

O reconhecimento no concurso mostra que o interesse de Frederico pelo conhecimento também encontra espaço na escrita. A literatura, nesse caso, não aparece separada dos estudos: torna-se outra forma de investigar, interpretar e compreender o mundo.

Primeiro lugar no Rio Grande do Sul e desafio nacional

Na Olimpíada Nacional de Eficiência Energética, Frederico alcançou o primeiro lugar estadual em 2026. A competição estimula o conhecimento sobre eficiência energética e o uso consciente da energia, aproximando os estudantes de questões presentes no cotidiano e nos debates sobre sustentabilidade.

O resultado garantiu ao adolescente a participação na programação olímpica em Brasília, prevista para o início de novembro. Além da entrega da medalha de ouro e do notebook, a viagem terá um novo desafio: uma prova que reunirá estudantes selecionados para a disputa nacional.

A etapa representa a oportunidade de levar o nome de Alegrete e do Rio Grande do Sul a uma competição de alcance brasileiro.

A participação também ajuda a dimensionar o papel das olimpíadas acadêmicas na formação escolar. Ao propor desafios que vão além das atividades habituais da sala de aula, essas iniciativas incentivam a pesquisa, o raciocínio, a autonomia e o aprofundamento de conteúdos.

As competições são abertas a estudantes de escolas públicas e privadas, conforme os critérios de cada edição. Por isso, o incentivo à participação e o acesso às informações sobre as provas são importantes para que mais jovens possam descobrir e desenvolver suas habilidades.

Bronze em Ciências e uma curiosidade que não se limita a uma área

A ONEE não é a única competição científica em que Frederico se destacou. Na Olimpíada Nacional de Ciências (ONC), o estudante também teve um bom desempenho e conquistou o terceiro lugar, com medalha de bronze.

O resultado completa um conjunto de experiências que reúne diferentes campos do conhecimento. Frederico gosta de física, psicologia e desafios intelectuais. Dedica tempo ao estudo de inglês, à leitura e à produção de anotações detalhadas, recursos que utiliza para aprofundar assuntos de seu interesse.

A criatividade também se manifesta nas artes visuais, na produção de conteúdo digital e na elaboração de projetos personalizados. Na literatura, aprecia a criação de fábulas, a construção de personagens e o desenvolvimento de narrativas que provoquem emoções e reflexões.

Essa variedade de interesses ajuda a compreender por que suas conquistas não se concentram em uma única disciplina. O estudante encontra diferentes maneiras de aprender, experimentar e desenvolver suas habilidades.

O papel da família e da escola

Por trás dos resultados estão também o ambiente familiar, o incentivo aos estudos e as oportunidades oferecidas pela escola.

Filho de Ana Paula Ramos e Lizandro Gomes, Frederico tem duas irmãs mais velhas, Ingrid e Luana, e é tio de Manoel. A família o descreve como um jovem dedicado, questionador, determinado, criativo e responsável, características que acompanham seu interesse por novos conhecimentos e sua disposição para enfrentar desafios.

Na rotina, além dos estudos, ele pratica judô e participa de atividades religiosas ligadas ao grupo ABC (Amigos em Busca de Cristo) e à comunidade católica. Também valoriza a convivência com os amigos, o diálogo e o trabalho em grupo.

A diretora do Colégio Raymundo Carvalho, Giciéli Hohemberger Barúa, destaca que as conquistas do estudante refletem tanto seu empenho pessoal quanto a importância de a instituição criar condições para o desenvolvimento dos alunos.

“Como diretora, sinto muito orgulho em ver nossos alunos alcançando suas conquistas, fruto de seu mérito, dedicação e empenho. Acreditamos que o papel do colégio vai além do ensino: é também criar oportunidades, abrir caminhos e oferecer condições para que cada estudante descubra e desenvolva seu potencial. Ver nossos alunos aproveitando essas possibilidades e construindo suas trajetórias é a maior recompensa do nosso trabalho. Estamos orgulhosos das conquistas do nosso querido Frederico”, afirma.

O reconhecimento da direção evidencia um aspecto importante da formação escolar: o aprendizado não se resume ao conteúdo transmitido em aula. O estímulo à participação em concursos, olimpíadas e projetos também pode ajudar os estudantes a identificar interesses, desenvolver a confiança e descobrir novas possibilidades para o futuro.

Mais do que medalhas, caminhos que começam a se abrir

Aos 14 anos, Frederico reúne conquistas na literatura e nas ciências, mas sua trajetória ainda está em construção. O primeiro lugar no Concurso de Crônicas Daniela Cunha, o ouro estadual na Olimpíada Nacional de Eficiência Energética e o bronze na Olimpíada Nacional de Ciências são resultados concretos de uma fase de descobertas, dedicação e aprendizagem.

Em novembro, Brasília será o próximo cenário dessa história. Além de receber a premiação pela ONEE, o estudante terá a oportunidade de disputar o título nacional e vivenciar uma experiência que amplia os horizontes para além da rotina escolar.

Para Alegrete, os resultados também representam o reconhecimento de um estudante que desenvolve seus talentos em diferentes áreas, com o apoio da família e da comunidade escolar.

A história de Frederico não precisa antecipar o que ele será no futuro. O que ela já demonstra é a importância de oferecer espaço à curiosidade, incentivar a busca pelo conhecimento e permitir que os jovens explorem suas capacidades.

Entre as palavras de uma crônica, os desafios de uma olimpíada científica e a expectativa de uma nova competição, um estudante de 14 anos segue construindo sua própria trajetória. E, a cada conquista, descobre que aprender pode ser também uma forma de abrir caminhos.

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