“Já estou me sentindo melhor. Posso parar de tomar o antibiótico?”
Essa é uma dúvida bastante comum nas farmácias. A resposta, porém, é simples: não interrompa o tratamento por conta própria.
A melhora dos sintomas não significa, necessariamente, que a infecção tenha sido completamente controlada. Quando um antibiótico é prescrito, é importante seguir corretamente a orientação do profissional de saúde, respeitando a dose, os horários e a duração indicada.
Se o paciente apresentar melhora antes do período previsto, a decisão de interromper, modificar ou manter o tratamento deve ser tomada pelo profissional responsável.
O cuidado é ainda mais importante diante do avanço da resistência antimicrobiana. O problema ocorre quando bactérias desenvolvem mecanismos que fazem com que determinados antibióticos deixem de funcionar adequadamente.
Como consequência, algumas infecções podem se tornar mais difíceis de tratar, exigindo medicamentos diferentes, tratamentos mais prolongados e, em determinados casos, hospitalização.
O Ministério da Saúde destaca que o uso incorreto ou excessivo de antibióticos é um dos fatores que contribuem para o desenvolvimento e a disseminação da resistência antimicrobiana. A Anvisa também mantém programas voltados ao uso racional desses medicamentos e ao enfrentamento da resistência.
Em 2026, a agência aprovou o Programa Nacional de Prevenção e Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde para o período de 2026 a 2030, que inclui ações específicas relacionadas à resistência aos antimicrobianos.
Outro erro frequente é guardar sobras de antibióticos para utilizar em uma próxima doença ou tomar um medicamento que foi prescrito para outra pessoa.
Sintomas semelhantes podem ter causas diferentes, e nem toda infecção necessita de antibiótico. Gripes e resfriados, por exemplo, são causados por vírus e não são tratados com antibióticos.
Por isso, diante da dúvida “já estou melhor, posso parar?”, a orientação é não tomar essa decisão sozinho.
Se houver melhora antes do período previsto, efeitos adversos, piora dos sintomas ou qualquer dúvida durante o tratamento, procure o profissional de saúde responsável.
Usar antibióticos corretamente não é apenas uma forma de cuidar da própria saúde. É também uma maneira de preservar esses medicamentos para que continuem funcionando quando realmente forem necessários.
Jucelino Medeiros Marques Junior
Mestre em Química Analítica – UFSM
Especialista em Gestão de Processos e Qualidade – Uninter
Especialista em Processos Industriais Estéreis – Centro Universitário Católico Ítalo Brasileiro
Especialista em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica – ICQT
Farmacêutico – CRF 16567

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