‘Só quero amamentar e levar pra casa’, diz mãe de bebê com tumor que teve equipe médica de 50 pessoas no parto

Mãe já teve alta médica e bebê ainda segue internado. Médico que participou das consultas pré-natal disse que caso mostrou como é importante o planejamento prévio do parto.

Após 10 anos do primeiro filho, a dentista Vanessa Barbosa Furtado, de 39 anos, descobriu a nova gravidez. Tudo foi planejado por ela e o marido e logo começaram as consultas do pré-natal, em Figueirão, na região norte do estado.

No 6° mês, a notícia que a deixou apavorada: um tumor na cabeça do bebê. Com diagnóstico em mãos, a família foi para Campo Grande e teve o parto, envolvendo 50 profissionais. Agora, ela só pensa em voltar pra casa com o José nos braços.

“Agora ele está na UI [Unidade Intermediária] e eu só quero amamentar e levar pra casa. O parto foi algo surpreendente. Se não tivesse acontecido tudo isso ele não sobreviveria. Eu até falei para uma médica, que é mérito de toda a equipe e acho que nem se eu tivesse condições de pagar por tudo teria todo esse empenho. Na hora, eu tomei anestesia geral e só depois acordei e até me assustei com tanta gente”, afirmou ao G1 Vanessa.

O marido da Vanessa, no entanto, acompanhou cada passo do procedimento cirúrgico. “Ele também ficou apavorado na hora que tiraram o bebê. O tumor era muito grande, era bem estranho mesmo. E a gravidez do Guilherme [filho mais velho] foi muito tranquila e a do José estava indo tudo bem nas consultas, até que, no ultrassom morfológico, apresentou o tumor iniciando com 3 centímetros a partir do 6° mês”, contou.

Na ocasião, o médico teria explicado das possibilidades do tumor “desaparecer, estabilizar ou aumentar”. “Na outra consulta ele já tinha evoluído e dobrado de tamanho. Já em Campo Grande, os profissionais todos que conversei diziam que era algo raro e era só procurar na internet pra entender que poucos sobrevivem ou tem um desfecho igual teve no meu caso. Mas, graças a Deus, deu tudo certo”, comentou.

Equipe médica em MS na sala do centro cirúrgico do HRMS com gestante de 33 semanas — Foto: HRMS/Divulgação

Equipe médica em MS na sala do centro cirúrgico do HRMS com gestante de 33 semanas — Foto: HRMS/Divulgação

No decorrer dos meses, Vanessa fala que passou por clínicas particulares e soube que o bebê precisaria de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “Em seguida, com 32 semanas, a bolsa rompeu e eu fui para o HR [Hospital Regional]. Dei entrada no dia 7 de dezembro de 2019, levando todos os exames que já tinha feito. Eles analisaram o caso e teve esse sucesso. Agora, o José apenas vai precisar de acompanhamento mensal pelo ambulatório. Ele ainda está se alimentando pela sonda e eu aguardo ansiosa pela amamentação”, falou.

O médico William Lemos, que atua como supervisor e chefe de serviço do ginecologia e obstetrícia da Santa Casa, atendeu Vanessa em uma clínica particular.

“Eu a acompanhei nos exames de ultrassonografia e a médica assistente dela me encaminhou para fazer uma avaliação tumor que, na época, estava com 3,5 centímetros. Foi aí que eu informei que seria necessário acompanhar a cada 15 dias para ver a massa e também recomendei o procedimento chamado exit. Este caso, mais uma vez, nos mostrou como é importante o planejamento prévio, isso faz a diferença para a evolução do paciente”, argumentou.

Procedimento para retirada de tumor em bebê envolveu 50 profissionais em MS — Foto: HRMS/Divulgação

Procedimento para retirada de tumor em bebê envolveu 50 profissionais em MS — Foto: HRMS/Divulgação

Entenda o caso

O Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS) mobilizou 50 profissionais e duas salas no centro cirúrgico para atender a uma gestante de 34 semanas, que precisou de uma cirurgia complexa. A ação ocorreu recentemente e a equipe médica resumiu o atendimento como “desafiador e surpreendente”.

Ao chegar no hospital, Vanessa se queixava de dor abdominal. Ela então foi medicada, passou por exames e permaneceu internada. Neste período, foi constatado que o filho dela estava com Teratoma Cervical, um tipo de tumor.

Com o diagnóstico em mãos, a equipe passou a estudar o caso com informações de artigos científicos, além da experiência dos profissionais, que ainda fizeram simulações teóricas. Participaram: médicos, cirurgiões, enfermeiros, anestesistas, obstetras, pediatras com especialidade na cabeça e pescoço, além de intensivista neonatal, técnicos e até fisioterapeutas.

Houve então a definição do melhor tratamento, a remoção cirúrgica do tumor. Neste procedimento, o bebê foi retirado do ventre por meio da cesariana e depois foi entubado. Em seguida, ele foi levado para outra sala do centro cirúrgico e lá houve a retirada do tumor, enquanto a mãe também passava pela conclusão do parto.

A diretora-presidente do HRMS, também especialista em cirurgia em cabeça e pescoço, Rosana Leite, fala que “era um tumor grande, maior que a cabeça da criança”. “…A gente aproveitou a circulação do cordão umbilical, deixando o útero bem relaxado e envolvendo toda uma equipe técnica, fizemos a cesárea. Havia realmente pressão na traqueia, entubamos, cortamos o cordão umbilical e, na outra sala, retiramos o tumor. A mãe, graças a Deus, ficou muito bem”, finalizou.

Equipe com 50 profissionais faz parto de bebê no Hospital Regional

Equipe com 50 profissionais faz parto de bebê no Hospital Regional

Fonte: G1

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