Em setembro, o Rio Grande parece falar uma linguagem que passa de geração em geração. Está no mate, na música, na pilcha, no cavalo e, sobretudo, nos gestos que aproximam pais e filhos. Na tarde de sexta-feira (18), essa tradição encontrou uma criança de apenas dois anos diante da Escola Divino Coração, em Alegrete.
Mariano Ceolin esperava pelo momento de ir para casa quando viu chegar o pai, Igor Ceolin, a cavalo. A surpresa rapidamente virou alegria. Para quem passava, poderia ser apenas uma maneira diferente de buscar o filho na escola. Para Mariano, era a chegada do pai — só que de um jeito capaz de transformar uma tarde comum em uma lembrança especial.


Filho de Igor Ceolin e Marielly Fogaça, Mariano cresce convivendo com o tradicionalismo. Aos dois anos, ainda não tem idade para compreender tudo o que representa a cultura gaúcha, mas já começa a conhecê-la pela experiência, pelo exemplo e, principalmente, pelo afeto dos pais. Ele já esteve ao lado do pai em um desfile de 20 de Setembro e, neste ano, a história deverá se repetir.
É assim que uma tradição permanece viva: não apenas quando é ensinada, mas quando é vivida.
Naquele encontro diante da escola, o cavalo foi apenas o cenário. O que realmente se revelou foi algo maior: a cumplicidade entre um pai e um filho, a alegria de uma criança e a delicada passagem de valores de uma geração para outra.
Mariano talvez ainda não consiga explicar o que sentiu ao ver o pai chegando a cavalo.
Mas há memórias que não precisam ser compreendidas para serem guardadas.
E algumas começam exatamente assim: com um pai, um filho e a tradição chegando para buscá-lo.

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