Há histórias que atravessam o tempo e permanecem vivas em pequenos gestos do cotidiano. A de Marilene Rodrigues da Silva é uma delas. Aos 72 anos, a cozinheira continua encontrando nas panelas, nos temperos e no preparo dos alimentos uma paixão que descobriu ainda muito jovem.
De família humilde, Marilene conta que, aos 14 anos, já preparava alimentos para a família. Naquela época, diante da necessidade de trabalhar, ouviu que poderia fazer faxinas. Mas decidiu seguir outro caminho.
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“Como não estudei e naquela época, há 58 anos, disseram para eu fazer faxinas, pensei: já que preciso trabalhar, vou aprender uma profissão. E a que eu gosto é cozinhar”, recorda.
Foi assim que começou uma trajetória construída dentro das cozinhas. Ainda jovem, Marilene ingressou como auxiliar e, com o passar dos anos, foi dominando técnicas, receitas e, principalmente, desenvolvendo aquilo que considera essencial para uma boa cozinheira: sensibilidade para criar.
Ela se define como apaixonada pelo que faz. Gosta de inventar, experimentar combinações e buscar novos sabores. Uma característica que, segundo pessoas que já trabalharam ao seu lado, sempre chamou atenção.
Uma rotina que começa cedo
Mesmo aposentada, Marilene continua trabalhando para complementar a renda. A rotina é puxada e começa cedo.
Na Companhia do Buffet, às 6h da manhã, ela e as colegas Andrille e Tatiusa já estão na cozinha. Enquanto o panelão de feijão vai ao fogo, começa uma verdadeira operação para deixar tudo pronto para o horário do almoço.
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Legumes são descascados, carnes cortadas e temperadas, molhos preparados e cada detalhe do cardápio é organizado. Quando os clientes chegam, tudo precisa estar pronto e, principalmente, quentinho nas cubas do restaurante.
Para Marilene, cozinhar vai muito além de simplesmente seguir receitas.
A experiência acumulada ao longo de décadas ensinou que uma boa cozinha exige organização, domínio das técnicas e sensibilidade para combinar sabores. É transformar alimentos simples em pratos capazes de agradar diferentes paladares.
“O alimento precisa ser tratado com cuidado. Para mim, preparar uma comida é quase como algo sagrado para quem vai se alimentar”, explica.
Experiência construída em quase seis décadas
Ao longo da carreira, Marilene trabalhou em diversos restaurantes e cozinhas. Sua experiência também ultrapassou as fronteiras de Alegrete.
Aos 22 anos, durante uma temporada no Rio de Janeiro, trabalhou nas cozinhas das Casas da Banha, levando consigo o conhecimento adquirido desde a adolescência.
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Décadas depois, aos 72 anos, ela continua demonstrando a mesma disposição para o trabalho. E há algo que mudou pouco ao longo dessa trajetória: sua vontade de ensinar.
Com bom humor, Marilene conta que atualmente também ajuda e orienta as colegas mais novas.
Afinal, depois de quase 60 anos diante do fogão, ela sabe que uma cozinha não é feita apenas de panelas, ingredientes e receitas. É feita de experiência, atenção, criatividade e respeito por quem estará do outro lado, esperando pelo prato.
E é justamente nessa relação entre trabalho e paixão que Marilene encontrou uma profissão que se transformou em uma história de vida.



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