A despedida a Geandre foi do jeito dele

Uma vida precocemente interrompida de forma brutal. Cessaram, diante de disparos de arma de fogo, sonhos, alegrias, vitalidade, amor e muitos planos, porém, não calaram os amigos, os familiares e as pessoas que para sempre vão amá-lo, pois será eterno no coração de todos.

A despedida a Geandre Aguiar Gomes, de 27 anos, foi enternecedora e teve tudo o que ele amava e vibrava diariamente. Um dos amigos falou com o PAT e disse que, a pedido dos pais, eles realizaram uma homenagem como Gege ou Mico, sempre esteve como autor, sendo alegre, amigo e muito feliz ao som das músicas que amava e seu carro que era um sonho, assim como, o convívio com os pais e os amigos, parceiros que ele tinha como irmãos.

No cortejo, da rua Daltro Filho até o Cemitério Público Municipal, buzinaço, aceleradas e música. O pedido de justiça também ficou em uma das músicas do MC Kevin – O Chris feat. Mc Caja – Espera Eu Chegar.

Nos rostos, as lágrimas não cessavam e todos, ainda, pareciam incrédulos com a despedida que ocorreu por um crime violento, um adeus em decorrência de uma tragédia.

Foram centenas de pessoas que estavam ali, para dar o último adeus ao jovem que estava em ascensão e com muitos planos. Um apaixonado por carros, fotografias e, desde o final do ano passado, também passou a se destacar como promotor de eventos.

Gege ou Mico, como era chamado, tinha um número muito expressivo de amigos. Ele era o caçula da professora(aposentada), Marta Aguiar e do mecânico Priamo Gomes.

Marta, ainda muito emocionada, disse que é grata pelo amor plantado pela sua semente. Ela, ainda, está buscando forças para continuar em frente. “Perdi um pedaço de mim e em troca ganhei muitos filhos.
Nesses filhos vou buscar o acolhimento e luz”- citou.

Um dos amigos falou com o PAT e preferiu não se identificar, ele citou que há anos tinha uma grande amizade com Gege e que todas as manifestações são pedidos de justiça para que os acusados não fiquem impunes.

Na sequência completou:

“O Geandre era um cara super de bem com a vida. Tudo que ele se propôs a fazer, realizou com muito amor e intensidade.

Tanto na fotografia, a paixão por carros e som automotivo, a produção de eventos, tudo com muita dedicação e muito amor.

O sonho da vida dele, era ter um Gol, por mais que a Marta quisesse que ele ficasse com o Logan que era dela, ele insistia que queria ter o carro da vida dele, e conseguiu.

No dia 14, (quando foi assassinado), passou o dia inteiro envolvido com o Gol, na oficina do pai, outra paixão que ele tinha desde criança.

Entendia muito sobre carros, amava isso, além disso, a fotografia, era um ofício que realizava com muita maestria e durante anos trabalhou na cobertura de eventos e “retratos”.

Mais recentemente, encontrou uma nova paixão dentro da fotografia, o registro feito de carros.

Mesmo sabendo que, aqui em Alegrete, esse nicho era pequeno, ele se dedicava e fazia com muito amor essas fotografias, dos carros dos amigos ele fez a maioria.

Gostava de mais de viver a vida, não tinha atrito com ninguém, conhecia e se dava com todo mundo, era GG pra cá ou Mico pra lá e a produção de eventos surgiu no final do ano passado, onde as coisas estavam começando a se normalizar por conta da pandemia.

Em mais esse ofício, igualmente, dedicado, sempre muito preocupado pra que não faltasse nada e também com a boa repercussão das festas. Na nossa última produção, realizou mais um sonho, de levar os pais dele pra prestigiar o evento, onde tinha o “dedo” dele.”- encerrou.

O crime:

Geandre Aguiar Gomes, de 27 anos, foi assassinado com, no mínimo, cinco disparos de arma de fogo que o atingiram, na noite da última quinta-feira.

Ele estava saindo de casa, na companhia da mãe, para jantar, quando eles foram surpreendidos por dois indivíduos em uma moto vermelha, em que um deles desceu e efetuou os disparos.

Mesmo socorrido, ele não resistiu aos ferimentos e faleceu no hospital. Gege residia com a mãe no bairro Progresso.

A Polícia Civil está investigando o caso desde a noite do homicídio. A Brigada Militar também realizou o atendimento da ocorrência na noite do dia 14.

A postagem:

Em março deste ano, Gege fez a seguinte postagem em seu Instagram:

“Quando eu tinha 13 anos eu sonhava com um Golinho, aos 26 meu sonho virou realidade. Quando entrei nele e dei a primeira volta meu coração estava disparado e eu me encontrava em prantos.

Amor, sabe? Do tipo que não tem explicação, amor mesmo, aquele que anda junto com ódio. hahahah

Logo, achei necessário fazer umas fotinhos dele, pra eternizar o meu sonho.

Segue essa sequencia que fiz lá no estacionamento daquele mercado da Bento.

Homenagem do irmão Gleidson Aguiar Gomes:

Uma fotografia pode ser resumida como a luz captada em uma fração de tempo. O que, ao meu ver, é uma linda analogia a vida. O que é ela se não muitos fachos de luz passando um tempo por aqui. Independente de frequência, cor, intensidade. Todos esses fachos de luz nos ajudam a compor essa aquarela complexa no tempo que é nossa vida.
Como quase tudo, a luz às vezes pode curar ou queimar, cortar ou soldar, iluminar ou cegar. Veja só, se não é mais uma bela interpretação de sentimentos, sonhos, ações, situações pessoas, enfim da vida. Mas se tudo é tão multifacetado, tão complexo, como se vive? Como se morrer? E no meu contexto, como se vive o morrer?
Depois de muito chorar e tendo certeza que ainda o farei muito mais, o que consegui vislumbrar é que: eu escolhi que viver o morrer é sentir o tempo.

O tempo em que um feixe de luz muito colorido passou pela minha vida. Mas não qualquer tempo dele, e sim o tempo de qualidade, o tempo de alegrias, de amor, de aprendizagem e de dor. Pois todos esses tempos ajudaram a compor parte do meu auto retrato e da luz que sou para os que encontro hoje.
Esses tempos que me permitiram poder fazer parte de belas fotografias de luzes que nem sempre tem o mesmo brilho mas que nos tempos que posso escolher viver, sempre terão um significado de amor pra mim.
Desejo com todas as minhas forças que todas essas luzes que passam, passaram e passarão pela minha vida, quando estiverem vivendo a morte, o consigam o fazê-lo como eu. Com tempos de qualidade e principalmente, de amor.
Muito obrigado por tudo meu adorável facho de luz, que dessa vez passou por aqui como meu irmão. Te desejo apenas luz, felicidade e amor. Ah, e por favor continue colorindo as fotografias de todos que tenha encontrado e venha a encontrar.

Obrigados a todos, que nessa ocasião me ajudaram a utilizar muita dor na matéria prima de transformar essa morte em apenas mais um momento de amor.

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