Aos 78 anos, o escultor alegretense Derli Vieira da Silva, conhecido como Chapéu Preto, continua levando a cultura e a identidade do pampa para além das fronteiras de Alegrete. Desta vez, o destino foi Ametista do Sul, no Norte do Rio Grande do Sul, para onde o artista viajou a convite durante uma excursão promovida pelo Sesc. Acostumado a transformar madeira, ferro, pedra e outros materiais em personagens que carregam a alma gaúcha, Chapéu Preto aproveitou a oportunidade para apresentar parte de sua produção e levou na bagagem três esculturas, uma representação do Negrinho do Pastoreio, uma das figuras mais simbólicas da cultura popular do Rio Grande do Sul. A obra, entalhada em madeira, despertou o interesse dos visitantes e acabou sendo vendida durante a viagem.
Mas a passagem por Ametista do Sul acabou produzindo uma história que vai muito além da venda de uma escultura. Para Chapéu Preto, viajar significa também carregar consigo um pedaço de Alegrete. Foi então que surgiu a lembrança de Lauriano Brum, responsável por compor uma música para o escultor. A informação ganhou ainda mais emoção quando a proprietária do hotel onde Chapéu Preto estava hospedado soube da história e decidiu fazer uma surpresa: pediu que a música fosse executada na rádio local como uma forma de homenagear o artista alegretense.
O gesto emocionou Chapéu Preto. Acostumado a ser reconhecido por suas esculturas, ele encontrou naquele gesto uma forma diferente de receber carinho: por meio da música, da memória e da ligação afetiva com sua terra. A proprietária do hotel fez questão de colocar a homenagem no rádio, fazendo com que a passagem do escultor por Ametista do Sul ganhasse um significado especial. A cena resume um pouco da maneira como Chapéu Preto se relaciona com a própria história: por onde passa, leva a arte, mas também fala de Alegrete, de suas raízes e da cultura que ajudou a construir sua identidade.
A trajetória de Derli Vieira da Silva está profundamente ligada à madeira e à cultura gaúcha. Autodidata, ele começou a produzir esculturas ainda aos 12 anos. Desde então, desenvolveu uma linguagem própria, marcada por personagens do cotidiano campeiro e por uma maneira singular de transformar materiais brutos em obras de arte. Ao longo de décadas, suas esculturas ultrapassaram as fronteiras de Alegrete e chegaram a diferentes regiões do Brasil e também ao exterior. Entre os momentos marcantes de sua trajetória estão a participação na ECO-92, no Rio de Janeiro, e diversas exposições e homenagens recebidas ao longo da carreira.
A viagem a Ametista do Sul foi também mais um capítulo dessa caminhada. Aos 78 anos, Chapéu Preto continua produzindo, viajando e apresentando sua arte, sem abandonar aquilo que considera uma das maiores marcas de sua vida: o orgulho de ser alegretense. “Sou apaixonado pela minha terra natal”, destaca o escultor, deixando claro que, independentemente de onde esteja, Alegrete permanece presente em sua arte, em suas histórias e nas relações que estabelece pelo caminho.
No fim, a viagem mostrou que a arte pode atravessar distâncias, aproximar pessoas e fazer com que um artista carregue sua terra natal consigo, mesmo quando está longe dela.























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