Dia do Caminhoneiro: pelas estradas do Brasil e do Mercosul, eles movimentam a economia

O Dia Nacional do Caminhoneiro é celebrado nesta quarta-feira, 16 de setembro. A data foi instituída pela Lei Federal nº 11.927, de 17 de abril de 2009. O texto legal estabelece oficialmente o dia 16 de setembro como a data nacional dedicada à categoria.

Mais do que uma data no calendário, o dia chama a atenção para uma atividade presente na rotina de praticamente todos os setores da economia. São caminhoneiros que transportam alimentos, matérias-primas, veículos e diversos outros produtos entre cidades, estados e países.

Em Alegrete, profissionais que vivem essa realidade diariamente relatam que, além dos quilômetros percorridos, a profissão envolve períodos longe da família, esperas para carregamento e descarregamento e situações que nem sempre são percebidas por quem acompanha o trabalho apenas de fora.

Vinte anos na estrada

O alegretense Daniel Lopes da Rosa trabalha como caminhoneiro há 20 anos. Atualmente, suas viagens são realizadas dentro do Rio Grande do Sul, principalmente no transporte de arroz e soja com destino ao Porto do Rio Grande.

Mesmo sem realizar atualmente viagens para outros estados, Daniel afirma que a rotina pode mantê-lo distante de casa por períodos consideráveis.

Segundo ele, o tempo de permanência fora de casa não está relacionado apenas ao percurso. Filas e períodos de espera para o descarregamento também fazem parte da rotina.

Para o caminhoneiro, a atividade tem uma participação direta no abastecimento das cidades.

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“Nós somos os que transportamos de tudo e abastecemos o país, e mesmo assim, muitos ainda não valorizam esta classe.”

Daniel também relata situações que, segundo ele, demonstram a falta de atenção enfrentada por alguns profissionais durante as viagens.

“Outro dia eu estava do lado de fora de um escritório e começou a chover e tive que pedir para entrar para me abrigar da chuva.”

Viagens internacionais

A rotina de Luis Evandro Correa Antunes envolve distâncias ainda maiores. Ele trabalha no transporte de veículos para países do Mercosul, incluindo Argentina, Chile e Uruguai.

Ao longo da carreira, já chegou a permanecer três meses longe de casa. Atualmente, segundo ele, as viagens costumam durar em média 40 dias.

A distância da família é uma das principais dificuldades apontadas pelo caminhoneiro, que tem um filho de 11 anos e uma enteada de dois anos.

“Tem que gostar e precisar, pois vendemos nosso tempo por dinheiro e faço pela família.”

Luis Evandro afirma que saber que a família está bem enquanto ele está na estrada ajuda a enfrentar os períodos de ausência.

Uma profissão marcada pela distância

As histórias de Daniel e Luis Evandro mostram diferentes realidades dentro do transporte rodoviário. Enquanto um percorre principalmente as estradas gaúchas levando produtos agrícolas ao Porto do Rio Grande, o outro atravessa fronteiras transportando veículos.

Em comum, os dois têm uma rotina condicionada pelas estradas e pelos períodos longe de casa.

O Ministério dos Transportes também reconhece o papel da atividade para a economia brasileira ao destacar o 16 de setembro entre as datas destinadas a lembrar a importância dos caminhoneiros.

Neste 16 de setembro, as histórias desses profissionais ajudam a dimensionar uma parte da rotina que muitas vezes passa despercebida: enquanto a carga segue pelas rodovias, também seguem dentro das cabines trabalhadores que deixam suas famílias por dias ou semanas para cumprir suas jornadas.

A data nacional, instituída por lei, coloca esses profissionais no centro da atenção e permite lembrar que, antes de cada carga chegar ao seu destino, existe uma jornada percorrida por quem vive grande parte da vida sobre as estradas.

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