Direção do Presídio de Alegrete comemora avanços, mesmo com o caos da superlotação

“A estrutura continua a mesma, é muito precária, mas foi imposta uma disciplina, além de ter uma grande diferença no comprometimento de toda equipe. Todos abraçaram a causa e trabalham em conjunto. É a mesma filosofia de ação. Não adianta somente reclamar, precisamos desenvolver metodologias para lutar com aquilo que temos em mãos” – comentou o chefe de segurança do Presídio Estadual de Alegrete, Clóvis Salbego.

Uma entrevista que abordou vários tópicos, desde a superlotação, melhorias, trabalho da equipe, ações realizadas durante o ano passado, segurança, Nova Casa Prisional, entre outros, Salbego fez uma avaliação do ano de 2019 e dos últimos dois anos, que está à frente da segurança do PEAL.

Clóvis Salbego foi objetivo em dizer que sozinho não consegue implementar nada. Existe uma equipe engajada e muito dedicada, independente de todas as dificuldades. Ele relembrou ainda que no período em que a tela foi colocada, houve um trabalho muito mais ostensivo, como guarda externa, assim como a ação imediata em dois episódios mais complexos: a tentativa de fuga de um apenado que pulou o muro e fraturou a mão, sendo capturado de imediato, e a greve com a frustrada tentativa de rebelião no início de dezembro.

 

Nestes últimos anos, lideranças foram identificadas, assim como, facções e tudo isso foi dissipado com as transferências e operações com todos os órgãos.

Durante a entrevista, Salbego ressaltou que toda ação tem uma reação. O trabalho ostensivo e preventivo tem sido um dos resultados positivos. Neste ano de 2019, a cadeia de Alegrete chegou a superlotação de 232 apenados, sendo que a capacidade é de 81. Além dos 90 em sistema de rodízio e 57 em trabalho externo( regime semiaberto) ou domiciliar.

“É preciso saber que quem manda é o Estado. Mas acima de tudo precisamos salientar que a união e integração dos órgãos têm sido muito importante”, falou Salbego se referindo à Polícia Civil, Brigada Militar, Exército e Polícia Federal. Com isso também ocorreu a parceria com demais cadeias e, apesar da superlotação ser algo que é uma realidade de todas, as vagas solicitadas são disponibilizadas em outros municípios.

O administrador, que assumiu em maio de 2019, Cledir Pies também participou da entrevista. ” É uma sequência do trabalho realizado, mas é claro que isso é como já foi citado, tem muito de todo o envolvimento dos colegas. Não tem como ter uma ressocialização adequada, como deveria ser, mas trabalhamos para que a estrutura de trabalho dos agentes seja a melhor possível, assim como, a dos apenados. Acredito que não é apenas cumprir a pena, é preciso um trabalho social” – comentou.

Dentro deste contexto, vem o trabalho que é realizado pelas Igrejas, Universal e Igreja da Graça( Alessandro Monteiro). As duas igrejas fazem muito mais do que ir ao Presídio e levar a Palavra aos detentos, são ações solidárias, inclusive para às famílias, principalmente com crianças.

Também foi implementada a leitura entre os presos. Já com relação às melhorias, a verba é do judiciário. Nesta semana, a melhoria está acontecendo no telhado, que está sendo substituído para zinco. Outro destaque é o apoio dos médicos Simone Estivalet Pedroso e Omar Abdallah. Além do ônibus da Secretaria de Saúde do Município que estava indo a cada 15 dias. ” O controle da tuberculose é saúde pública, pois isso sai do Presídio para os bairros, nas visitas por exemplo” – esclareceu.

Quanto à nova cadeia, no Município, ambos falaram da importância e o quanto há um trabalho permanente para a continuidade da obra. O Chefe de Segurança, Clóvis Salbego conta com o apoio do agente Laércio Lanes.

Fazendo uma retrospectiva, no ano de 2014 saiu uma matéria no PAT falando do caos do Presídio Estadual de Alegrete. À época, a Juíza Lilian Frazmann havia interditado de forma parcial a cadeia. O que está vigente até os dias atuais, para apenados condenados.

Relembre parte da matéria da época:

Situação atual – junho de 2014
Fernando Aranda, à época administrativo,  informou que com capacidade para 81 apenados, a casa prisional de Alegrete abrigava 127 detentos. Com a interdição parcial 60 presos foram, no sistema de rodízio, para o presídio de Uruguaiana.
A boa notícia, naquele ano, foi de que estava confirmada a construção de um novo presídio no Município. O administrador adiantou que já havia saído a licitação e, até o final do mês de junho estava previsto a liberação da primeira parcela de recursos.
“O novo presídio será em uma área no Corredor dos Papagaios e terá capacidade para 283 apenados. A obra, em torno de R$ 17 milhões de reais, conforme Aranda, será modulada, moderna e ampla. E, além das celas terá salas de estudo, de trabalho, de serviços de saúde, entre outros. Do total desse valor, 80% vem do Fundo Penitenciário Nacional e 20% do Governo do Estado. A obra tem a previsão de ser concluída em 2015.” essa era a informação naquele ano. 

Desde então a burocracia arrasta a liberação de recursos e o andamento da obra está em torno de 5%. Atualmente, a Casa Prisional é administrada, por Cledir Pies e tem como Delegado da 6ª DPR da Susepe, Ricardo Moraes e Eduardo Berbigier.

 

 

 

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