Exatamente no dia em que se completaram 120 anos do nascimento de Mario Quintana, celebrado em 30 de julho, a Companhia Alegretense de Teatro (COARTE) realizou a pré-estreia de “Quintanares: O Menino Pássaro”, transformando a data em um encontro entre memória, poesia e arte cênica.

O Salão de Atos da Escola Estadual Raymundo Carvalho recebeu um grande público, que ocupou o auditório para prestigiar a montagem. O ambiente já revelava, antes mesmo da abertura das cortinas, que a experiência iria além de uma simples apresentação teatral. Na entrada, cada espectador foi recebido pelos integrantes da companhia com um delicado broche em formato de passarinho, símbolo que atravessa toda a narrativa e representa a liberdade criativa, a leveza e o imaginário tão característicos da obra quintaniana. O gesto acolhedor estabeleceu desde os primeiros instantes uma conexão entre plateia e espetáculo.
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Sob a direção de Kleber Lorenzoni e co-direção de Renato Casagrande, “Quintanares: O Menino Pássaro” constrói uma delicada fábula poética que convida o público a revisitar o universo de Mario Quintana por meio da linguagem do teatro. A montagem não busca apenas representar o poeta, mas traduzir em cena sua maneira singular de enxergar o mundo, onde a simplicidade convive com a profundidade, a infância dialoga com a filosofia e a imaginação transforma o cotidiano em encantamento.














Ao longo da apresentação, o público foi conduzido por uma narrativa marcada por momentos de humor, sensibilidade e reflexão. As reações da plateia evidenciaram o envolvimento com a história, alternando risos espontâneos, silêncio atento e aplausos calorosos em diversos momentos da encenação. A construção dos personagens deu ritmo e identidade à obra, com interpretações de Maico Carricio, no papel de Pontualdo; Andrielle Dallagnol, como Sonetina; Paulo Amaral, interpretando Poesino; Fabiane Torrens, dando vida à personagem Criatividade; Luli Nicoli, no papel de Virgulina; e Rosiane Morais, interpretando Dona Prefácia.
A atmosfera lúdica da montagem também foi fortalecida pela trilha e pelo acompanhamento sonoro executados por Didi Aurélio, cuja participação ampliou as emoções transmitidas em cena e ajudou a criar um ambiente que dialoga diretamente com o imaginário poético de Quintana. Luz, sonoridade, interpretação e texto se integraram para construir um espetáculo que desperta diferentes sentimentos e aproxima públicos de todas as idades da literatura.
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A iniciativa conta com o apoio da Prefeitura de Alegrete, por meio da Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, parceria que reforça a importância de investir em produções locais capazes de preservar e difundir o patrimônio cultural gaúcho. Em um momento em que o acesso à cultura e à literatura ganha ainda mais relevância, a montagem surge como uma ferramenta de formação de público e valorização da identidade artística regional.
Depois da recepção entusiasmada na pré-estreia, “Quintanares: O Menino Pássaro” inicia agora uma nova etapa de sua trajetória. Durante o mês de agosto, o espetáculo participará de um festival de teatro, realizará apresentações em instituições de ensino e também integrará a programação oficial da Feira do Livro de Alegrete, ampliando o alcance da obra e permitindo que estudantes, leitores e amantes das artes tenham contato com o universo de Mario Quintana por meio da linguagem teatral.
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Mais do que uma homenagem ao poeta nascido há 120 anos, a produção da COARTE reafirma a capacidade do teatro de manter viva a literatura, transformando palavras em movimento, versos em personagens e poesia em experiência compartilhada. Em tempos de velocidade e excesso de informação, “Quintanares: O Menino Pássaro” convida o público a fazer exatamente aquilo que Mario Quintana sempre inspirou: desacelerar, imaginar e descobrir que, muitas vezes, é na delicadeza que reside a verdadeira grandeza da arte.

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