Relato de um socorrista do Samu é dramático e de um realismo que impressiona

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Desde o início da pandemia do novo coronavírus, muitas equipes estão na linha de frente. Entre elas o Samu.

A nobre missão de um samuzeiro, os profissionais que trazem na rotina a dedicação para salvar vidas. A cada atendimento, os segundos fazem a diferença e muitas vezes essas pessoas expõem as suas próprias vidas em benefício do outro, principalmente, em meio á pandemia. A profissão exige bastante das equipes de socorro.

 

(FOTO ARQUIVO ANTES DA PANDEMIA)

Quando uma pessoa abre um chamado para a Central, pelo número 192, e descreve o que está acontecendo, as equipes se preparam para os atendimentos depois do comando da Central. Mas a informação inicial dá apenas uma noção do que espera por eles. Ao chegarem em cada ocorrência é que, os samuzeiros, têm a dimensão da responsabilidade da profissão.

 

Leia Mais:Samu 10 anos em Alegrete: a maior comemoração são as milhares de vidas salvas

Nas redes sociais um desabafo de um samuzeiro, que não se identificou, viralizou. Veja abaixo:

“Muitas pessoas, desconhecendo a nossa realidade, dizem que ganhamos bem. ‘Mas vocês não precisam ganhar bem. Trabalham pouco, só de 3 a 5 dias por semana, tem um bom salário, benefícios e ainda podem dormir na base.’

Meu caro, você não tem ideia das dores que carregamos ou das memórias que nos assombram. Dormir na base? As vezes descansamos!

Mas se estamos na base, é sinal que ninguém sofreu acidente, que nenhum pai de família sofreu um AVC, que o avô não entrou em parada cardiorrespiratória ou que um bebê não se afogou com leite. Você já se deitou, momentos depois de dizer a uma mãe que o filho dela que está deitado no chão do quarto, teve uma overdose e está morto e que não tem mais nada a fazer, querendo que ela tivesse a certeza que você fez tudo que era possível?

Leia Mais: Preso o acusado do homicídio de Samuka; o crime ocorreu há quase três anos em Alegrete

Você já se sentou para uma refeição após ter visto um corpo em decomposição dentro de um local fechado?
Quantas vítimas em acidentes de trânsito você já recolheu pedaços pelo chão?

Alguém já segurou em sua mão com lágrimas nos olhos te pedindo para ajudar um ente querido e você fez tudo o que podia, mas mesmo assim, você ouvir que não fez o bastante?

Quantas vítimas de arma branca ou de fogo você precisou entrar em vielas e bairros perigosos para socorrer?

Você já parou de almoçar ao ouvir o sinal sonoro para você sair da base em apenas 60 segundos?

Já saiu debaixo de fortes chuvas para resgatar uma pessoa que caiu de um andaime que está no meio dos escombros com difícil acesso para socorrer um pai de família?

Quantas vezes você ouviu uma vítima de carro que bateu de frente com um caminhão, lhe perguntar: “cadê meu filho?” E você responder: “Ele está bem!”, mas na verdade ele está morto entre as ferragens do veículo que ocupava.

Quantas vezes já segurou em teus braços um bebê com parada cardíaca, e seus pais chorando a clamar pela vida, e você o devolver respirando? Ou não ter conseguido reanimar?

Quantas vítimas de suicídio com pais, mães e filhos desesperados esperando você as socorrer.
Em quantas tragédias você já esteve para resgatar vidas?

Então, quando você olhar para socorristas, seja  médico(a), enfermeiro(a), técnicos(as) de enfermagem, enfermagem ou condutor(a) do Samu 192, não nos julgue”….

Em Alegrete, o Samu completou, neste ano, 10 anos de atuação.

Flaviane Antolini Favero


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