Seca no Brasil: o preço dos alimentos vai subir ainda mais

A alimentação do brasileiro se tornará ainda mais cara e o salário continuará não acompanhando a inflação.

Seca no Brasil: o preço dos alimentos vai subir ainda mais
Seca no Brasil: o preço dos alimentos vai subir ainda mais

Os brasileiros já viam o orçamento apertado com o aumento da energia elétrica e do combustível, e agora os produtos básicos para a alimentação como o feijão, arroz, leite, ovos, café e açúcar tornarão a vida da sociedade mais difícil. O índice de desemprego é absurdamente alto, o que não é novidade, e muitas famílias já foram obrigadas a substituir alimentos, meios de transporte e evitar aparelhos que gastem muita energia para poder sobreviver.

A região Centro-Sul está com faltas de chuva desde o ano de 2020, a queda na produção de diversos alimentos, como a cana-de açúcar, milho, laranja já é grande. A falta de água também teve participação no aumento da energia elétrica, pois como os reservatórios das usinas hidroelétricas estavam com o nível baixo, o governo precisou acionar as termelétricas, que tem a produção de energia mais cara que causou um efeito cascata na economia, ou seja, elevou os gastos da produção das fazendas, indústrias, comércios e assim por diante. Mesmo com a volta das chuvas neste mês, não será o suficiente para encher os reservatórios e as lavouras que dependem de irrigação serão prejudicadas, exceto a soja que será plantada agora.

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Café terá aumento de 40%

A estiagem em Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo, que são as principais regiões produtoras, prejudicaram a florada e o crescimento dos frutos, além das três ondas de geada que sofreram no mês de julho que colaboraram com o prejuízo. Com isso, segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café, Celírio Inácio, a produção de café irá diminuir e os custos dos insumos mais o dólar, vai provocar um aumento de até 40%. Pois 70% do valor total são definidos pela cotação do grão no mercado internacional.

Açúcar já teve aumento de 27% e não para por aí

Assim como o café, o açúcar vai pesar no bolso dos brasileiros. De acordo com o IBGE, entre janeiro e agosto o preço do refinado já havia aumentado 27%, e se continuar a seca o preço irá aumentar ainda mais. De acordo com pesquisas, a safra atual de açúcar teve uma queda de 75 milhões de toneladas.

A salada será substituída?

As hortaliças precisam de água, ou seja, de irrigação para crescerem. Margarete Boteon, Coordenadora do Projeto Hortifruti Brasil, afirma que “o maior limitador é não ter disponibilidade para irrigação”. Mesmo que chova, o preço pode subir igual, devido

às geadas que já aconteceram, a influência do dólar sob os insumos, o gato com a energia para a irrigação, entre outros.

Carne bovina terá aumento de 17,6%

Os bovinos alimentam-se de pastagem, e essa pastagem precisa de água. Pesquisador da equipe de pecuária do Cepea, Thiago Bernardino, afirma que “a base da alimentação é pasto. Se não chove eu tenho menos produção de pasto, menos boi gordo para o abate e o preço sobe.”.

Não é de hoje que a população sofre com o preço da carne, e o famoso churrasco deixará de ser uma opção para muitas famílias. Segundo o economista da LCA, Fábio Romão, após o preço da carne ter aumentado 16,2% em 2020, nesse ano deve aumentar em até 17,6% no acumulado deste ano.

Frango e ovos deixam de ser o mais barato

Geralmente, o frango e o ovo substituem a carne na alimentação de várias pessoas, porém ficarão mais caros. Como o custo da energia elétrica aumentou o custo da produção de milho e farelo de soja também aumentaram, ou seja, o preço da ração continua alto levando ao aumento dos produtos no mercado brasileiro.

Segundo o IBGE, o preço do frango em pedaços já subiu 25% e dos ovos 23%. E a previsão é que aumentem ainda mais, devido ao aumento da inflação e a crise econômica criada pela pandemia.

Leite já acumula um aumento de 34% no ano

A falta de chuva prejudica o rebanho, já que impede a alimentação correta dos mesmos, como às gramíneas das pastagens, silos e fenos. “A atividade leiteira utiliza energia elétrica para equipamentos como bombas de água, ordenhadeiras mecânicas, tanques resfriadores de leite, ventiladores, sistemas de irrigação, principalmente nos sistemas com maior tempo confinado e que o preço da energia representa 50% do custo total”, comenta o presidente da Associação Brasileira de Produtores de Leite, Geraldo Borges.

Feijão não desenvolve sem água

Como a seca atingiu as lavouras, e o feijão não desenvolve sem água, a 1° e 2° safra foram prejudicadas e causou o aumento no valor do alimento. A maioria dos agricultores já desistiu da 3° safra por causa da falta de água nos reservatórios, já que a produção depende 95% de irrigação. Pesquisas afirmam que o consumidor ainda não sentiu os efeitos da seca por completo, mas que irão sentir nos próximos meses.

Arroz continuará caro

Não é de hoje que o preço do arroz assusta a população. Assim como o feijão, a maior parte da produção de arroz é irrigada, consequentemente, o gasto de energia aumenta, além de não ter água suficiente nos reservatórios. “O preço do arroz não deve se estabilizar em torno de R$ 5 o quilo. Não vai subir aos níveis de 2020, mas também não irá baixar”, afirma Andressa Silva, diretora executiva da Associação Brasileira da Indústria do Arroz.

“A gente precisa de chuvas” afirma Antonio Rodrigues, diretor-técnico da União da Indústria de Cana de Açúcar.

Por: Geovanna Valério Lipa

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