Famílias relatam telhados destruídos, falta de atendimento efetivo e novos prejuízos provocados pelas chuvas. Defesa Civil afirma que aguarda liberação de recursos do Governo do Estado para atender a comunidade.
Moradores do Assentamento Novo Alegrete relatam que, oito dias após o temporal que atingiu a região, ainda aguardam assistência para reparar os danos causados às residências. Segundo os relatos, diversas casas permanecem com os telhados parcialmente destruídos e expostas à chuva.

Uma das moradoras conta que, além dos prejuízos provocados pelo temporal, a comunidade enfrentou seis dias sem energia elétrica. Mesmo após o restabelecimento do serviço, segundo ela, nenhuma ajuda efetiva chegou às famílias.
“Nesse período ficamos seis dias sem energia elétrica e, mesmo depois que voltou, nenhuma ajuda efetiva chegou”, desabafa.
De acordo com os moradores, os cadastros das famílias foram realizados e houve atendimento da Defesa Civil e, posteriormente, do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS). No entanto, eles afirmam que também precisaram refazer o cadastro na Vila do Passo Novo.
“De concreto, nada foi entregue. Nenhuma visita para avaliar os danos, nenhuma telha, nenhuma cumeeira. Só burocracia, sem ação”, relata outra moradora.
A situação se agravou com as chuvas registradas nos últimos dias. Conforme os moradores, já foram três episódios de chuva desde o temporal inicial. Com o vento, mais telhas acabaram sendo arrancadas das residências, aumentando os danos.
A previsão de novas chuvas preocupa as famílias, que afirmam continuar sem condições de proteger adequadamente as casas. Famílias com crianças precisaram deixar suas residências e estão temporariamente abrigadas na casa de vizinhos ou parentes.

Para os moradores, a comunidade acabou ficando em segundo plano diante da prioridade dada à Vila do Passo Novo.
“Somos poucas casas e a prioridade foi a vila, mas nós também somos pessoas, também temos crianças e também precisamos de acolhimento. Isso é indigno e desumano. A Defesa Civil tem obrigação legal e moral de agir de forma imediata em situações de calamidade. Não basta cadastrar, é preciso trazer ajuda de verdade”, afirma um dos moradores.
Defesa Civil aguarda recursos
Procurado pela reportagem, o coordenador da Defesa Civil de Alegrete, Adão Roberto Rodrigues, explicou que o órgão aguarda a liberação de recursos por parte do Governo do Estado para ampliar o atendimento aos moradores do assentamento. No entanto, confirmou que houve distribuição de lonas aos moradores daquela localidade.
Segundo Rodrigues, no primeiro momento, os materiais disponíveis foram destinados à distribuição na Vila do Passo Novo, e os moradores daquela localidade foram contemplados. Após tomar conhecimento da situação relatada pelas famílias do Assentamento Novo Alegrete, o coordenador informou que entraria em contato para acionar o processo de atendimento, que depende de procedimentos burocráticos e da liberação de recursos. “Estamos aguardando sinalização do Estado e, tão logo seja possível, vamos atender esses moradores”, pontuou Rodrigues.
Enquanto aguardam uma solução, as famílias do assentamento permanecem com os imóveis vulneráveis às condições climáticas e pedem que a assistência seja efetivada antes que novas chuvas provoquem ainda mais prejuízos.

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