Alegrete está entre os 25 municípios com menor IMERS do Rio Grande do Sul

Resultado de Alegrete está abaixo da média estadual de 66,97; baixa participação dos estudantes nas avaliações é apontada pela Secretaria de Educação como um dos fatores que influenciaram o desempenho

Alunos da EMEB Honório Lemes

Alegrete registrou 48,8451 pontos no Índice Municipal da Educação do Rio Grande do Sul (IMERS) em 2025, ficando na 477ª posição entre os 497 municípios gaúchos. O resultado coloca o município abaixo da média estadual, que chegou a 66,97 pontos no ano passado.

O IMERS considera indicadores de aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática, evolução do desempenho dos estudantes e taxa de aprovação nas redes municipais de ensino. Em Alegrete, o índice apresentou oscilação nos últimos quatro anos: foi de 47,4335 em 2022, subiu para 48,6219 em 2023, caiu para 40,522 em 2024 e voltou a crescer em 2025, chegando a 48,8451.

Apesar da recuperação em relação a 2024, o município permanece entre os últimos colocados do Estado no indicador geral.

Desempenho preocupa principalmente nos Anos Finais

Os números detalhados das avaliações mostram diferenças importantes entre as etapas de ensino. No 2º ano do Ensino Fundamental, utilizado para o cálculo do Índice de Qualidade da Alfabetização (IQA), 12,55% dos estudantes tiveram desempenho abaixo do básico em Língua Portuguesa, enquanto 14,07% alcançaram o nível avançado.

Em Matemática, 9,51% ficaram abaixo do básico e 8,75% atingiram desempenho avançado.

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O IQA de Alegrete foi de 41,5887.

No 5º ano, correspondente ao Índice de Qualidade dos Anos Iniciais (IQI), os resultados foram de 7,64% abaixo do básico em Língua Portuguesa, 35,63% no nível adequado e 13,69% no nível avançado.

Em Matemática, 13,06% dos estudantes ficaram abaixo do básico, enquanto 30,89% apresentaram desempenho básico e 7,96% alcançaram o nível avançado.

O IQI de Alegrete foi de 53,7254, resultado superior ao registrado no 2º ano, mas ainda distante da média estadual do componente, que chegou a 69,44 em 2025.

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Já os resultados do 9º ano, que compõem o Índice de Qualidade dos Anos Finais (IQF), apresentam um dos principais pontos de atenção do município.

Em Língua Portuguesa, 38,92% dos estudantes ficaram no nível básico, enquanto 18,72% tiveram desempenho abaixo do básico. Apenas 0,49% alcançaram o nível avançado. Outro dado chama atenção: 27,59% dos estudantes não fizeram a prova.

Em Matemática, o cenário é ainda mais desafiador. 35,96% apresentaram desempenho abaixo do básico, 33,50% ficaram no nível básico e apenas 2,96% atingiram o nível adequado. Não houve estudantes classificados no nível avançado. Assim como em Português, 27,59% não realizaram a avaliação.

O IQF de Alegrete ficou em 26,2379, enquanto a média estadual para esse componente foi de 48,67.

Participação nas avaliações entra no debate

O secretário municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Rodrigo Guterres, atribui parte do resultado à baixa adesão dos estudantes às provas. Segundo ele, a participação reduzida acabou influenciando a média geral do município. “Vamos recuperar. Assim como foi realizado para a avaliação do SAEB que resultou no maior avanço do IDEB da história do município de Alegrete”, pontuou.

A Secretaria de Educação já prepara uma nova logística para ampliar a participação dos alunos nas avaliações. A expectativa da pasta é que uma maior presença dos estudantes nas provas contribua para que os resultados municipais reflitam de maneira mais abrangente o desempenho da rede. O dado de participação ganha relevância especialmente no 9º ano, etapa em que mais de um quarto dos estudantes não realizou a avaliação, segundo os números apresentados.

Região apresenta diferenças significativas

Na comparação com municípios da região, Alegrete aparece com o menor IMERS entre os nove municípios analisados.

Manoel Viana registrou 67,8521, seguido por Quaraí, com 66,4713, e Barra do Quaraí, com 65,2398. Na sequência aparecem Uruguaiana (64,3004), São Borja (60,5105), Itaqui (55,2176), São Francisco de Assis (50,2095), Sant’Ana do Livramento (50,1892) e Alegrete (48,8451).

MunicípioIMERS 2025Posição no Estado
Manoel Viana67,8521244º
Quaraí66,4713271º
Barra do Quaraí65,2398307º
Uruguaiana64,3004322º
São Borja60,5105383º
Itaqui55,2176442º
São Francisco de Assis50,2095472º
Sant’Ana do Livramento50,1892474º
Alegrete48,8451477º

Os números também mostram que os municípios apresentam comportamentos diferentes conforme o componente analisado. Manoel Viana, por exemplo, teve IQI de 81,1239, enquanto Quaraí alcançou 51,9584 no IQF. Barra do Quaraí apresentou 69,6486 no IQA, e Uruguaiana registrou 68,5639 no IQI.

Alegrete, por outro lado, teve seus menores resultados justamente nos indicadores de qualidade da alfabetização e, principalmente, dos anos finais.

Índice estadual avançou em quatro anos

No conjunto dos municípios gaúchos, o IMERS apresentou crescimento entre 2022 e 2025. A média passou de 59,79 em 2022 para 63,44 em 2023, chegou a 63,56 em 2024 e alcançou 66,97 em 2025. O avanço também aparece na distribuição dos municípios. O número de cidades com IMERS acima de 80 passou de quatro, em 2022, para 31 em 2025. Já os municípios com índice inferior a 40 caíram de 13 para apenas três no mesmo período. O maior resultado estadual em 2025 foi registrado por Nova Roma do Sul, com 89,27 pontos.

Na composição do índice, o IQA representa 40%, o IQI corresponde a 35%, o IQF representa 15% e os 10% restantes são referentes à taxa de aprovação. Língua Portuguesa e Matemática possuem pesos iguais dentro dos três componentes de aprendizagem.

Em 2025, a média estadual do IQA foi de 64,34, a do IQI chegou a 69,44 e a do IQF ficou em 48,67. A taxa média de aprovação dos municípios foi de 96,33%, com 470 municípios apresentando percentual igual ou superior a 90%.

O que os números mostram em Alegrete

O resultado de 2025 indica que Alegrete conseguiu recuperar parte da queda registrada em 2024, quando o IMERS havia chegado a 40,522. Ainda assim, o índice de 48,8451 permanece significativamente abaixo da média estadual. Os dados apontam diferenças entre as etapas: os anos iniciais apresentam indicadores superiores aos registrados no 9º ano, enquanto o desempenho dos anos finais concentra os números mais baixos, sobretudo em Matemática.

Outro elemento relevante é a participação nas avaliações. A ausência de 27,59% dos estudantes do 9º ano nas provas de Língua Portuguesa e Matemática é destacada pela administração municipal como um fator que prejudicou o resultado. Para 2026, a estratégia anunciada pela Secretaria de Educação é ampliar a participação dos alunos nas avaliações e, a partir de uma base de dados mais abrangente, buscar melhorar os indicadores da rede.

O IMERS é calculado pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), em parceria com a Secretaria Estadual da Educação (Seduc). O indicador também é utilizado no cálculo da Participação no Rateio da Cota-parte da Educação (PRE), componente relacionado à distribuição de recursos do ICMS aos municípios.Os dados foram divulgados pela Secretaria de Planejamento Governança e Gestão/SPGG, Departamento de Economia e Estatística – DEE e Secretaria de Educação – SEDUC.

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