Dra. Rosimeire, a baiana que dirige o hospital militar, diz que se apaixonou por Alegrete

Rosimeire Paiva Barbosa Lins deixou a cidade de Paulo Afonso, localizada no sertão baiano, a 460 km de Salvador.

Rosimeire Paiva Barbosa Lins, saiu da cidade de Paulo Afonso, localizada no sertão baiano, a 460 km da capital. A cidade fica situada às margens do São Francisco, fazendo divisa com os estados de Pernambuco, Alagoas e Sergipe. O município é privilegiado pela natureza, que premiou a região com belas paisagens e muita água.

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E foi desse lugar que Rosimeire vislumbrou que sua vida seria plena, primeiro na sua ida para Recife- PE e finalmente,  chegando à Alegrete, município distante 3.660,6 quilômetros de Paulo Afonso e que está localizado no oeste do estado do RS, a 506 km de distância da capital Porto Alegre, e com uma  população de 78.768 habitantes, conforme  estimativas de 2014 do IBGE, Alegrete é o maior município da Região Sul do Brasil e o 186º maior município do Brasil em área territorial, com mais de 7.800 quilômetros quadrados.

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A baiana iniciou sua carreira militar em meados de 2001 como oficial médica temporária no Hospital Geral de Recife, atualmente Hospital Militar de Área de Recife. Mas a história iniciou bem antes, quando acompanhava uma cirurgiã dentista militar num projeto que envolvia crianças com algum tipo de deficiência. Ela era anestesista das crianças que recebiam tratamento dentário. Foi através da orientação dessa dentista que soube a respeito das atividades do médico militar temporário e encaminhou seus documentos e currículo para seleção no Exército Brasileiro.

Em 2002, após ter prestado concurso, já estava no Rio de Janeiro, na Escola de Saúde do Exército, no rol dos oficiais de saúde de carreira. Na EsSEx, Dra. Rosimeire ficou  cerca de 12 meses. No momento da escolha das cidades para onde seguiria,  já conhecia a história de Alegrete, ainda quando residia em Recife, onde na época, ao atender militares, ganhou um presente de uma criança – um prato decorativo com o nome grifado “lembrança de Alegrete” com a foto estampada da Igreja Matriz.

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Ela não titubeou. “Eu quero ir para Alegrete”, afirmou a militar. A entrevista foi concedida ao Portal Alegrete Tudo, em sua sala, de onde dirige o Hospital de Guarnição de Alegrete desde 2023. Precedida de um saboroso café, a Dra. revelou na entrevista como tem desenvolvido as atividades no HGUA, do orgulho em exercer a profissão e gratidão pelos que estão em sua volta.

No dia 18 de dezembro de 2002, juntamente com o seu esposo, Dr. Charles de Andrade Lins, ela chegou na 3ª Capital Farroupilha, cumprindo transferência militar por plena vontade e dever profissional. A ideia era voltar para Recife, queria ficar perto dos pais e familiares,  até porque, o limite para este tipo de serviço militar em área de Fronteira, seria em média de 2 anos.

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Mas quis o destino que, a então 1ª Tenente, chegasse ao posto de Tenente-Coronel e mostrasse muito profissionalismo na carreira militar. Em 2017, ainda Major, foi transferida para Campo Grande-MS. Antes de se despedir de Alegrete, ela conta que pegou um táxi próximo à  Santa Casa e pediu ao motorista que percorresse toda cidade. No trajeto, Rosimeire chorou tanto que  deixou o taxista preocupado, eram lágrimas de saudades, pensando que não mais veria Alegrete, relembra emocionada a doutora.

Não tardou muito, para que o Coronel médico santa-mariense Jorge Luiz Boemo indicado para direção do HGUA  e também para o comando da Guarnição de Alegrete, estendesse o convite para a colega Rosimeire retornar à Alegrete.

Em 2020, durante a pandemia Covid-19, o trabalho prestado pelo HGUA junto à Santa Casa e comunidade, foi fator determinante nas piores horas da mazela que assolou o país inteiro. Com um posto de atendimento instalado defronte à Santa Casa, a equipe do HGuA teve um papel fundamental no atendimento e triagem de pacientes, na transferência de militares graves e no auxílio às demandas de equipamentos e de pessoal. Ela conta que passou, junto com os amigos de farda do HGuA, por duas pandemias: H1N1 em 2009 e Covid-19 em 2020, que a fortaleceu profissionalmente e espiritualmente.

A médica anestesiologista também tem formação em pediatria e foi voluntária em atendimento médico na cidade, quando não existiam as ESFs e ela, junto com mais dois colegas, Dr Érico e Dra Marjeane, atendiam a população da Vila Nova, em um consultório improvisado no IRMA.

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A Ten. Cel. Med. Rosimeire Paiva Barbosa Lins, Diretora do HGuA tem desenvolvido grandes melhorias na unidade militar. Ressalta que tem priorizado o melhor atendimento na clínica cirúrgica, ampliando as cirurgias de ortopedia e traumatologia, cirurgia geral, ginecologia/ obstetrícia e oftalmologia.

Com um pronto atendimento onde passam mais de 700 pacientes ao mês, um setor cirúrgico que registra uma média de 26 procedimentos mensais, o hospital militar busca se manter resolutivo e sustentável. A área de fisioterapia chega a registrar 250 atendimentos/mês e tem projeto de ganhar ampliação, principalmente devido ao maior número de atendimentos na área de traumatologia e ortopedia. Destacam-se ainda  o setor de internação clínica, os atendimentos realizados na odontoclínica e laboratório, que atualmente contam com instalações modernas e equipe capacitada.

A Guarnição de Alegrete é a terceira maior

Guarnição subordinada à 3ª Região Região Militar, contando com 06 (seis) Organizações Militares apoiadas; atende a um efetivo total de 5000 usuários, entre militares da ativa, reserva, inativos, pensionistas, servidores civis (e seus dependentes diretos), somando-se, ainda, o apoio aos usuários de Uruguaiana, Quarai, Itaqui e Rosário do Sul.

A Organização Militar de Saúde, que existe como Enfermaria Militar desde 1896, teve seu centenário oficialmente comemorado e registrado em 1998, está completando 128 anos. Todos os integrantes do Hospital de Guarnição de Alegrete, militares, servidores civis e colaboradores, profissionais dedicados a prestar assistência de saúde à família militar, recebem o reconhecimento e gratidão eterna da diretora.

“Aqui fazemos um trabalho em equipe. Conquistas devem-se às pessoas que aqui trabalham e fazem o hospital crescer”, assevera a profissional. De liderança acolhedora, ela entrega que o trabalho é feito por pessoas capacitadas e comprometidas e ela é apenas a ponta da hierarquia no hospital.

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Indagada sobre o burburinho de que Alegrete perderia a categoria de hospital e se transformaria numa posto médico, a diretora confirma que sempre existiu esse assunto. Mas trata com profissionalismo. “Conseguimos reverter momentos difíceis com muito trabalho e capacidade técnica, o fortalecimento do HGUA fala por si”, afirma.

Parcerias com as demais unidades

Militares tem contribuído com o engrandecimento do hospital. Expressa a sua gratidão aos comandantes que auxiliam o hospital  nas diversas missões e necessidades.

Com a revisão do tempo de serviço, a diretora terá mais dois anos e parte para a reserva. Seu destino já está definido. “Não me perguntes onde fica o Alegrete…segue o rumo do teu próprio coração”, exatamente como nas estrofes do Canto Alegretense. A baiana Rosimeire, cidadã alegretense por indicação do ex-vereador Chico das Pedras (In memoriam), vai continuar morando em Alegrete e o melhor, atuando na área médica.

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“Tenho orgulho muito grande em ser diretora deste hospital que é tão importante para todos. Quero deixar o HGUA sustentável, resolvendo suas próprias demandas. Essa cidade me acolheu muito bem e me sinto em casa”, destaca a Tenente-coronel.

O trabalho longínquo e dedicação de Rosimeire pode ser visto no dia a dia. Durante a entrevista, uma pausa e ela recebeu um mimo com flores de agradecimento de mais um serviço prestado na comunidade. Crianças que ela acompanhou na sala parto e em atendimentos na pediatria, estão prestando serviço militar , alguns no próprio HGuA. Alguns civis, com profissões renomadas, nutrem um carinho enorme pela baiana de Paulo Afonso que trilha uma linda trajetória militar e escolheu Alegrete como sua terra do coração.

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