Município tem 12,3 mil pessoas inscritas no CadÚnico, quase 4 mil beneficiários do Bolsa Família e mais de 3,3 mil pessoas atendidas pelo BPC
Um estudo sobre os indicadores de pobreza, proteção social e condições de vida no Rio Grande do Sul apresenta um retrato dos principais desafios sociais enfrentados pelo Estado e permite observar também a realidade de municípios como Alegrete. Os dados integram o Caderno ODS Erradicação da Pobreza: o ODS 1 no Rio Grande do Sul – 2015-2025, elaborado pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG).
Em 2025, 1,7% da população gaúcha estava abaixo da linha internacional de extrema pobreza, considerando rendimento domiciliar per capita inferior a US$ 3 por dia, em valores ajustados pela Paridade do Poder de Compra (PPC) de 2021. Sem considerar as transferências de programas sociais, esse percentual chegaria a 4,5%.
Embora o estudo tenha abrangência estadual, os dados de proteção social de Alegrete ajudam a dimensionar a presença das políticas de assistência no município.
Mais de 12 mil pessoas no Cadastro Único
Segundo dados da Secretaria de Promoção e Desenvolvimento Social, 12.363 pessoas estão inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) em Alegrete. O cadastro é utilizado pelo poder público para identificar famílias de baixa renda e possibilitar o acesso a diferentes programas sociais. Entre os inscritos, 3.916 pessoas são atendidas pelo Bolsa Família.
O recorte por faixa de renda também mostra diferentes níveis de vulnerabilidade entre as famílias cadastradas. Conforme os dados municipais, 3.492 estão na faixa classificada como pobre, enquanto 2.861 possuem rendimento de até meio salário mínimo. Outros 6.010 inscritos recebem acima de meio salário mínimo.
Os números mostram que o CadÚnico reúne uma parcela diversificada da população que busca ou acessa políticas públicas de proteção social no município.
BPC atende mais de 3,3 mil pessoas
Outro indicador relevante é o Benefício de Prestação Continuada (BPC), destinado a idosos e pessoas com deficiência que atendem aos critérios estabelecidos pela legislação. Em Alegrete, os dados apontam 2.046 pessoas com deficiência e 1.281 idosos atendidos pelo benefício. Somados, são 3.327 beneficiários nessas duas categorias. O número evidencia a importância da rede de proteção continuada para famílias que possuem entre seus integrantes pessoas em situação de vulnerabilidade e que dependem de renda assistencial.
Indicadores de desenvolvimento
Alegrete apresenta Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,740, classificado na faixa de desenvolvimento humano alto. O componente relacionado à renda registra 0,720. Outro indicador utilizado para analisar as condições sociais é o Índice de Progresso Social (IPS). No componente de Necessidades Humanas Básicas, Alegrete alcançou 77,02 pontos. Dentro dessa dimensão, os resultados apresentados para o município incluem 85,75 pontos em condições de moradia e 78,63 pontos em acesso à água e saneamento. Os indicadores permitem observar diferentes aspectos das condições de vida da população, indo além exclusivamente da renda e considerando fatores como habitação, saneamento e acesso a serviços essenciais.
Desigualdade permanece como desafio
O Índice de Gini de Alegrete é de 0,52, indicador utilizado para medir a concentração de renda. Quanto mais próximo de zero, menor a desigualdade na distribuição dos rendimentos; quanto mais próximo de um, maior a concentração. O resultado insere a questão da desigualdade entre os aspectos que precisam ser considerados na análise da realidade socioeconômica do município.
Cenário estadual
No Rio Grande do Sul, o estudo aponta mudanças importantes ao longo da última década. Pela linha nacional de rendimento domiciliar per capita de até R$ 218 mensais, a proporção da população nessa condição passou de 1,8% em 2015 para 1,4% em 2024.Na faixa de rendimento entre um quarto e meio salário mínimo, o percentual caiu de 12,9% para 9% no mesmo período.
O levantamento também aponta que 77,1% da população ocupada com 14 anos ou mais contribuía para algum instituto de previdência em 2025, acima do percentual registrado no Brasil, de 65,6%. Outro avanço destacado é o acesso à internet: 97,1% dos moradores do Estado viviam, em 2025, em domicílios com utilização da internet, contra 78,8% em 2016.
Os números de Alegrete
| Indicador | Alegrete |
|---|---|
| Pessoas inscritas no CadÚnico | 12.363 |
| Beneficiários do Bolsa Família | 3.916 |
| CadÚnico – faixa classificada como pobre | 3.492 |
| CadÚnico – renda de até meio salário mínimo | 2.861 |
| CadÚnico – renda acima de meio salário mínimo | 6.010 |
| BPC – pessoas com deficiência | 2.046 |
| BPC – idosos | 1.281 |
| BPC – total das duas categorias | 3.327 |
| IDHM | 0,740 |
| IDHM – dimensão renda | 0,720 |
| Índice de Gini | 0,52 |
| IPS – Necessidades Humanas Básicas | 77,02 pontos |
| IPS – condições de moradia | 85,75 pontos |
| IPS – água e saneamento | 78,63 pontos |
Os dados revelam, assim, um município onde a rede de proteção social alcança milhares de pessoas, ao mesmo tempo em que permanecem desafios relacionados à renda e à desigualdade. Para Alegrete, os indicadores de desenvolvimento, assistência social, moradia e saneamento ajudam a construir um retrato mais amplo das condições de vida da população e dos desafios para a redução da pobreza e das vulnerabilidades sociais.

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