Um levantamento realizado pela Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) identificou inconformidades na classificação de parte das amostras de arroz comercializadas como Tipo 1. A entidade afirma que encaminhará os resultados às autoridades competentes e poderá buscar medidas nas esferas administrativa, cível e penal.
A pesquisa foi realizada entre novembro de 2025 e janeiro de 2026 e percorreu 167 estabelecimentos em 32 cidades de seis estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Ao todo, a operação percorreu cerca de 8,5 mil quilômetros, com as amostras coletadas posteriormente encaminhadas para análise em laboratório credenciado.
80% das amostras analisadas apresentaram classificação inferior
Das 268 amostras comercializadas como arroz Tipo 1 e submetidas à avaliação, 215, ou 80,22%, apresentaram classificação inferior à informada na embalagem, segundo os resultados divulgados pela Federarroz.
A entidade ressalta que o percentual não representa todo o arroz Tipo 1 comercializado no país. O índice corresponde exclusivamente às amostras selecionadas e analisadas durante o levantamento.
A seleção priorizou produtos que apresentavam indícios visuais de desconformidade com a classificação declarada e aqueles encontrados nas menores faixas de preço nas gôndolas dos estabelecimentos visitados.
Entre os critérios utilizados para a classificação estão a presença de defeitos e o percentual de grãos quebrados. Segundo o levantamento, foram encontradas amostras comercializadas como Tipo 1 que apresentaram, por exemplo, 18% e 35% de grãos quebrados, índices associados a classificações inferiores dentro dos parâmetros considerados na análise.
As divergências foram identificadas nos seis estados visitados pela operação.
Federarroz afirma que consumidor pode ser prejudicado
O presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, reforçou que os resultados devem ser interpretados dentro do universo específico analisado pela entidade.
“É importante frisar que esse número não representa todo o arroz oferecido nas prateleiras. Ele se refere aos produtos que analisamos, selecionados principalmente porque já apresentavam indícios visuais de desconformidade ou estavam em faixas de preço muito abaixo das demais marcas”, explicou.
Para Nunes, a comercialização de um produto de classificação inferior como Tipo 1 também provoca impactos sobre empresas que seguem os padrões estabelecidos.
“Quando um arroz de qualidade inferior é vendido como Tipo 1, ele passa a concorrer em preço com marcas que fazem seu trabalho dentro dos padrões de qualidade. Essa prática lesa o consumidor e também as empresas que cumprem as regras”, afirmou
Resultados serão encaminhados aos órgãos competentes
O diretor jurídico da Federarroz, Anderson Belloli, informou que os resultados serão apresentados aos órgãos responsáveis pela fiscalização para que os casos identificados sejam analisados individualmente.
Segundo ele, eventuais medidas poderão ocorrer nas esferas administrativa, cível e penal, conforme a competência dos órgãos envolvidos e o enquadramento de cada situação.
“Estamos falando de uma possível fraude ao consumidor, que não se limita a uma questão de qualidade. A partir das inconformidades constatadas, as informações serão levadas aos órgãos competentes para que cada caso seja apurado”, afirmou Belloli.
Na esfera administrativa, a entidade pretende encaminhar os dados ao Ministério da Agricultura e Pecuária. Na área cível, o diretor jurídico cita os Ministérios Públicos estaduais e, em situações que envolvam mais de um estado, o Ministério Público Federal.
Eventuais consequências na esfera penal dependerão das apurações realizadas pelas autoridades responsáveis
Entidade quer ampliar debate sobre fiscalização
Além dos encaminhamentos aos órgãos competentes, a Federarroz pretende utilizar os resultados do levantamento para ampliar a discussão sobre a fiscalização da classificação comercial do arroz.
A entidade defende que a informação apresentada na embalagem corresponda efetivamente às características do produto oferecido ao consumidor.
O levantamento, segundo a Federação, busca contribuir para o cumprimento das regras de classificação, a proteção dos consumidores e a concorrência entre empresas que atuam no mercado de arroz.

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