Nem todo pedido de ajuda é feito em voz alta

Setembro Amarelo chama atenção para sinais silenciosos de sofrimento e reforça a importância de ouvir, acolher e buscar ajuda.

Dê flores em vida. Cuide de quem mudou. Escute quem se afastou. Em Alegrete, rede pública oferece atendimento em saúde mental; especialistas e órgãos oficiais reforçam que perceber mudanças de comportamento pode ser o primeiro passo para buscar ajuda

Nem sempre quem está sofrendo pede ajuda.

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Às vezes, o sofrimento aparece de maneira silenciosa: em uma pessoa que deixou de encontrar os amigos, em alguém que passou a dormir grande parte do dia, em quem perdeu o apetite ou em uma mudança repentina de comportamento.

É com esse olhar que o Setembro Amarelo propõe uma reflexão que começa dentro de casa, entre amigos, no ambiente de trabalho e nas relações do cotidiano: estamos realmente prestando atenção nas pessoas que estão ao nosso lado?

A mensagem pode ser traduzida em gestos simples: dar flores em vida, perguntar como alguém está, perceber uma mudança e, principalmente, estar disposto a escutar.

O Ministério da Saúde alerta que não existe um sinal isolado capaz de determinar que uma pessoa esteja em risco de suicídio. O que deve chamar a atenção é principalmente a combinação de mudanças de comportamento e manifestações que persistem ou se agravam.

Entre os sinais que merecem atenção estão o isolamento social, a perda de interesse por atividades que antes davam prazer, alterações importantes no comportamento, abandono do autocuidado, desesperança e manifestações relacionadas à morte ou ao desejo de não continuar vivendo.

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Isso não significa que uma pessoa que dorme muito esteja necessariamente deprimida. Tampouco que quem chora com frequência esteja em risco ou que a perda de apetite tenha obrigatoriamente relação com saúde mental.

Observar não é diagnosticar. Observar é cuidar.

A diferença é importante.

O papel de familiares, amigos e colegas não é identificar uma doença, mas perceber que alguma coisa mudou e abrir espaço para uma conversa.

“Você está bem?”

Uma pergunta aparentemente simples pode ser o começo de uma conversa importante.

O Ministério da Saúde recomenda que, diante de alguém que demonstra sofrimento, seja escolhido um momento adequado e um lugar tranquilo para conversar. A orientação é ouvir com mente aberta, oferecer apoio e estimular a busca por ajuda profissional quando necessário.

Isso também significa evitar julgamentos e frases que minimizem o sofrimento.

Dizer “isso é falta do que fazer”, “você precisa reagir” ou “todo mundo tem problemas” pode fechar uma porta justamente quando a pessoa mais precisa encontrar espaço para falar.

Escutar não significa ter todas as respostas.

Às vezes, significa simplesmente permanecer presente.

Imagine algumas situações comuns.

A namorada que passou a chorar por qualquer motivo.

O irmão que abandonou atividades de que gostava.

O amigo que deixou de atender telefonemas e mensagens.

O primo que passou a dormir durante quase todo o dia.

A irmã que perdeu o apetite.

Nenhuma dessas situações, isoladamente, permite afirmar que existe uma crise de saúde mental.

Mas mudanças significativas e persistentes no comportamento merecem atenção, especialmente quando aparecem acompanhadas de isolamento, desesperança, perda de interesse ou outras manifestações de sofrimento.

Por isso, a proposta do Setembro Amarelo é também uma mudança de comportamento de quem está ao redor.

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Em vez de esperar que alguém diga “preciso de ajuda”, talvez seja necessário perguntar:

“O que está acontecendo com você?”

E estar preparado para ouvir.

Existe uma situação que exige atenção especial: quando alguém manifesta diretamente ou indiretamente pensamentos relacionados à própria morte.

Frases como “queria desaparecer”, “não vejo mais sentido na minha vida” ou “queria dormir e não acordar” não devem ser tratadas como simples drama, chantagem ou tentativa de chamar atenção.

O Ministério da Saúde orienta que manifestações desse tipo sejam consideradas sinais de alerta e que a pessoa seja incentivada a buscar ajuda.

Em uma situação de risco imediato, a recomendação é não deixar a pessoa sozinha e procurar atendimento de emergência.

O SAMU 192 funciona 24 horas e atende também situações de urgência relacionadas a tentativas de suicídio e outras condições que representem risco à vida.

Também existe o CVV, pelo telefone 188, com atendimento gratuito e sigiloso para pessoas que precisam conversar.

Em Alegrete, o atendimento em saúde mental integra a estrutura do Sistema Único de Saúde.

A organização municipal contempla serviços como CAPS II, CAPS i e CAPS AD, voltados a diferentes necessidades da população. A própria Prefeitura informa que o município mantém uma política de atenção psicossocial integrada à Secretaria Municipal de Saúde.

O planejamento municipal mais recente também prevê o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial, incluindo a integração entre os CAPS e a atenção básica, capacitação das equipes e ações de cuidado em saúde mental.

A rede existe justamente para que o cuidado não dependa exclusivamente da família.

Quem percebe que algo não está bem pode procurar uma unidade de saúde e buscar orientação sobre o atendimento adequado.

Prevenção não significa apenas agir quando uma situação chega ao limite.

Ela também está nas pequenas atitudes do cotidiano.

É visitar aquele amigo que desapareceu.

É telefonar para quem anda distante.

É perguntar ao colega de trabalho se está tudo bem.

É sentar ao lado de alguém que está passando por uma fase difícil.

É oferecer ajuda para procurar atendimento profissional.

E, sobretudo, é não considerar o sofrimento do outro uma fraqueza.

O Ministério da Saúde reforça que o suicídio pode ser prevenido e que reconhecer sinais de alerta pode ser um primeiro passo para ajudar alguém em sofrimento.

O Setembro Amarelo pode ser muito mais do que uma campanha durante um mês.

Pode ser um convite para recuperar algo que parece simples, mas que muitas vezes falta: atenção ao outro.

Não é preciso esperar uma situação extrema para demonstrar afeto.

Dê flores enquanto a pessoa pode recebê-las.

Procure quem se afastou.

Cuide de quem mudou.

Pergunte como está quem parece não estar bem.

E, quando alguém falar, escute.

Porque talvez a pessoa não esteja pedindo uma solução.

Talvez esteja apenas procurando alguém que permaneça ali enquanto ela consegue dizer o que está acontecendo.

Onde buscar ajuda

CVV – Centro de Valorização da Vida: telefone 188, gratuito e 24 horas.

SAMU: 192, em situações de urgência e emergência.

SUS: Unidades Básicas de Saúde, CAPS, UPA, pronto-socorro e hospitais também integram a rede de atendimento.

Em caso de risco imediato, procure atendimento de emergência e não deixe a pessoa sozinha.

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