Segundo a Conab, o crescimento está relacionado ao maior incentivo do setor industrial, aos custos de implantação mais competitivos em comparação ao trigo, à expectativa de rentabilidade e aos bons resultados produtivos obtidos pelos agricultores.
A maior parte do plantio ocorreu durante o mês de maio, responsável por 72% da área total. Outros 10% foram implantados em abril e os 18% restantes nas primeiras semanas de junho, dentro da janela agronômica recomendada para a cultura.
No final de julho, 70% das lavouras gaúchas permaneciam em desenvolvimento vegetativo, enquanto 28% estavam na fase de florescimento e 2% já haviam iniciado o enchimento de grãos.
Apesar das condições climáticas adversas registradas ao longo do inverno, as geadas de junho não provocaram perdas expressivas. Conforme a Conab, os danos ficaram restritos a episódios pontuais de abortamento de flores, sem comprometimento significativo do potencial produtivo.
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Em julho, porém, as oscilações de temperatura, acompanhadas de chuvas volumosas e episódios de precipitação torrencial, com acumulados superiores a 100 milímetros em um único dia em algumas regiões, provocaram erosão e lixiviação de nutrientes, além de aumentar o risco de doenças. A orientação é de monitoramento constante para o surgimento de bacterioses e doenças fúngicas.
Alegrete mantém aposta na canola
Em Alegrete, o plantio de canola está na fase final, com expectativa de aproximadamente 10 mil hectares cultivados neste ano. O município também acompanha a expansão da cultura no Estado, embora a área local tenha sido reduzida em relação à previsão da safra anterior.
O produtor rural Eduardo Marchezan, que acompanha a diversificação das culturas de inverno na região, afirma que a confiança dos agricultores na canola permanece elevada, mesmo diante das previsões de chuva para os próximos meses. Ao longo dos anos, Marchezan já trabalhou com diferentes culturas de inverno, entre elas trigo, canola, girassol e painço. Neste ano, no entanto, decidiu não plantar canola em sua propriedade diante das condições climáticas previstas.
Mesmo com a decisão individual, ele observa que a cultura continua ganhando espaço entre os produtores de Alegrete.
“Pelo que tenho acompanhado, aumentou bastante a área de canola e também de carinata. Os produtores acreditam mais na canola, mesmo com previsão de chuva, do que no trigo”, afirmou.
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Para Marchezan, o fortalecimento das empresas que atuam no segmento também tem contribuído para a expansão da cultura, ao oferecer maior segurança comercial aos agricultores.
Enquanto a canola avança, o trigo perde espaço no município. Para esta safra, a expectativa é de aproximadamente 10 mil hectares destinados à canola, enquanto na safra passada a previsão era de cerca de 18 mil hectares de trigo. O cenário representa uma redução superior a 40% na área prevista para o cereal em Alegrete.
A expansão da canola no Estado e a mudança no perfil das culturas de inverno mostram uma transformação nas escolhas dos produtores, que passam a considerar fatores como rentabilidade, custos de produção e segurança na comercialização na definição das áreas cultivadas.

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