A receita para superar duras adversidades no interior e chegar à universidade

É grandiosa história da alegretense que saiu do bairro José de Abreu para Universidade Federal de Rio Grande onde cursa Letras.

Vitória Castro Theodózio é uma grande inspiração para todos que imaginam que algumas dificuldades podem ser desculpa para que abandonem seus sonhos.

Até os cinco anos ela residiu na Vila Piola, depois foi para o bairro José de Abreu. A mãe de Vitória trabalhava todo dia e para ela ter onde ficar, precisava estudar na Escola José Antônio Vilaverde Moura pela manhã e à tarde ficava na casa do avô.

Mas esse trajeto para chegar até a escola, toda manhã, não era nada fácil. Ela precisava passar por outros dois bairros, incluindo uma rua que é rodeada por mato.

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Mas foi no 5° ano na Escola Vila Verde, quando tinha 10 anos, que ela encontrou a Prof. Marilene, responsável e a grande incentivadora na vida da alegretense que sempre foi muito criativa.

Vitória lembra que naquela época aprendeu que uma das melhores formas de expressar a sua criatividade era através da escrita.

E, foi com as histórias malucas que criava e escrevia em sala de aula, que a Prof. Marilene viu seu potencial e a presenteou com vários livros.

“Lembro que minha mãe não sabia como ia levar tanta coisa da Piola para a José de Abreu. Eu amava escrever, e naquele mesmo ano veio a oportunidade de participar de um concurso de redação do PROERD que conquistei o 1° lugar.

Com essa colocação, ganhei espaço para participar no próximo de um projeto que a Brigada de Alegrete desenvolvia”- recorda..

Logo depois, veio a paixão pela leitura e, aos 13 anos leu seu primeiro livro, “Harry Potter e a Pedra Filosofal”.

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“Me apaixonei por esse mundo onde é possível imaginar sem limites, se conectar com cada personagem, viajar mundos sem nem sair do lugar, ser apresentado a outras opiniões, viver várias vidas e no fim do dia ainda ser eu mesma, mas com uma bagagem imensa absorvida dessas histórias”- salienta.

Além de todos os benefícios, a leitura, muitas vezes, foi uma ferramenta para barrar a solidão, já que quando ficou “mais velha”, passou a ficar sozinha em casa, durante o período que a mãe trabalhava, ou seja, o dia inteiro.

Ao passar de escola Municipal para escola Estadual, Vitória também percebeu uma diferença no nível de ensino. Os alunos que já estudavam(na Estadual), estavam mais adiantados em relação a ela e os demais colegas da rede municipal.

“Isso é só uma parte de vários problemas que estão presentes na educação das escolas mais afastadas do centro. Infelizmente nessas áreas, o estudo, muitas vezes é deixado de lado, seja por falta de incentivo, da família ou da escola, por cruzar os caminhos da violência e drogas, ou até por ter outras prioridades que realmente precisam de atenção, como por exemplo, precisar trabalhar para ajudar no sustento de casa. Ter que conciliar trabalho e estudo acaba, por vezes, sendo cansativo e deixando o aluno desanimado para continuar estudando. Até nossos sonhos acabam ficando de lado. Tendo que nos preocupar com outros problemas, esquecemos de sonhar.”- acrescenta.

Mas ela jamais desistiu de seus objetivos e a escolha pela faculdade de Letras foi o resultado da paixão pela leitura e escrita e por ser testemunha viva de que elas(leitura e escrita) podem e mudam vidas, além de acreditar muito na educação.

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” Quando vi a aprovação pelo SISU na Universidade Federal do Rio Grande , eu não consegui acreditar. Mesmo sonhando com isso, ainda me sentia pequena, como se a faculdade não fosse para mim, “faculdade é coisa pra gente importante” era essa minha visão, não estava acreditando que estava saindo da José de Abreu, um lugar tão pequeno, para a Faculdade. Até entender que precisamos, sim, ocupar estes espaços. Somos necessários e somos importantes”- pontua.

A alegretense destacou que a finalização da entrevista com o PAT teria que ser também para agradecimento a todos os mestres professores que passaram por sua vida e transformaram sua trajetória.

“Espero um dia ser uma profissional tão boa quanto eles. E, se no futuro, eu conseguir fazer um pouquinho só do que a professora Marilene fez por mim na vida de um aluno meu, minha missão estará cumprida.

Também quero dispor da minha ajuda a todos jovens em situação semelhante à minha, e que sonham tão alto quanto eu”- conclui.

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