Novo medicamento contra hepatite B apresenta resultados promissores e pode chegar ao Brasil

Uma nova alternativa para o tratamento da hepatite B crônica acaba de ganhar espaço no cenário internacional.

O Japão autorizou o uso do bepirovirsen, medicamento desenvolvido pela farmacêutica GSK, para adultos com a doença que já tenham passado por pelo menos seis meses de tratamento convencional e apresentem determinados marcadores relacionados à infecção.

O principal destaque da nova terapia está nos resultados associados à chamada cura funcional. Esse termo não significa que o vírus seja completamente eliminado do organismo, mas que a infecção pode ser controlada a ponto de permitir, em alguns pacientes, a interrupção do tratamento contínuo, reduzindo também os riscos relacionados à evolução da doença.

Atualmente, os medicamentos utilizados contra a hepatite B conseguem manter o vírus sob controle, mas muitos pacientes precisam fazer uso da terapia por longos períodos ou mesmo durante toda a vida. Nos estudos clínicos do bepirovirsen, porém, uma parcela dos participantes apresentou uma resposta considerada significativamente superior à observada com os tratamentos convencionais.

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As pesquisas envolveram cerca de 1.800 pacientes e mostraram que aproximadamente 20% alcançaram a chamada cura funcional. Entre aqueles tratados com as terapias atualmente disponíveis, esse resultado ocorre em cerca de 1% dos casos.

O medicamento também apresenta uma estratégia de atuação diferente. Além de reduzir a multiplicação do vírus e favorecer a resposta do sistema imunológico, o bepirovirsen diminui a produção do HBsAg, uma proteína utilizada como um dos principais indicadores da presença do vírus da hepatite B no organismo. A redução desse marcador está relacionada a um melhor controle da infecção e pode ajudar a diminuir o risco de complicações, como cirrose e câncer de fígado.

A hepatite B crônica continua sendo um importante problema de saúde pública. Estima-se que aproximadamente 250 milhões de pessoas convivam com a doença em todo o mundo, sendo cerca de 1 milhão delas no Brasil.

A autorização concedida pelo Japão representa um passo importante para uma estratégia que vinha sendo investigada em estudos clínicos e agora passa a ser uma opção terapêutica para determinados pacientes. No Brasil, a GSK já apresentou à Anvisa um pedido de registro do bepirovirsen. Se a agência aprovar o medicamento, a empresa estima que ele poderá estar disponível no país a partir de 2027.

Atualmente, o tratamento da hepatite B é oferecido pelo SUS. Por isso, mesmo que o novo medicamento receba autorização da Anvisa, ainda serão necessárias avaliações específicas para definir sua eventual incorporação ao sistema público, incluindo questões relacionadas à eficácia, segurança, custo e benefício para os pacientes.

Jucelino Medeiros Marques Junior
Mestre em Química Analítica – UFSM
Especialista em Gestão de Processos e Qualidade – Uninter
Especialista em Processos Industriais Estéreis – Centro Universitário Católico Ítalo Brasileiro
Especialista em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica – ICQT
Farmacêutico – CRF 16567

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