Com 417 servidores abaixo do salário mínimo, audiência cobra correção dos vencimentos em Alegrete

A noite de terça-feira (25) foi marcada por forte mobilização de servidores públicos e lideranças sindicais no plenário Gaspar Cardoso Paines, da Câmara Municipal de Alegrete.

A Comissão de Infraestrutura, Desenvolvimento e Bem-Estar Social (CIDBES) promoveu audiência pública para discutir o Projeto de Lei nº 069/2025, de autoria do vereador Eder Fioravante, que trata do piso salarial dos servidores públicos concursados da Prefeitura de Alegrete.

O plenário recebeu servidores de diferentes categorias, representantes sindicais, integrantes do Poder Executivo, secretários, diretores e lideranças do funcionalismo municipal. A proposta estabelece que nenhum servidor concursado tenha vencimento básico inferior ao salário mínimo nacional, buscando corrigir distorções existentes nas tabelas de vencimentos.

Clique aqui para receber as notícias do PAT pelo Canal do WhatsApp

Durante a apresentação do projeto, o vereador Eder Fioravante afirmou que atualmente 417 servidores possuem vencimento básico abaixo do salário mínimo nacional. Segundo ele, nesses casos, a remuneração é alcançada por meio de complementações, gratificações e outras vantagens previstas na carreira.

“Hoje, 417 servidores possuem vencimento básico inferior ao salário mínimo nacional. Este é o momento de dialogar com os servidores, com as lideranças do funcionalismo, com o Poder Executivo e com o Poder Legislativo para construir uma solução para essa situação”, afirmou.

Servidores cobram solução

Durante as manifestações, servidores relataram situações consideradas de desvalorização ao longo da carreira e citaram casos de aposentadorias com vencimento básico inferior ao salário mínimo, dependendo de complementações para alcançar o valor mínimo.

Clique aqui para receber as notícias do PAT pelo Canal do WhatsApp

Entre as sugestões apresentadas estiveram o ingresso de ações judiciais para garantir direitos, a revisão dos padrões de vencimento e a elevação dos níveis mais baixos das carreiras.

“A mobilização precisa continuar”, afirmou uma das servidoras durante a audiência.

O presidente do Sindicato dos Municipários de Alegrete (SIMA), Claudomiro Souza, defendeu a revisão da situação salarial e afirmou que a entidade pretende atuar para preservar os direitos dos trabalhadores.

“A prefeitura tem o dever de rever isso. Vamos lutar para que todos os direitos sejam preservados”, declarou. Souza também criticou os baixos vencimentos de parte dos servidores e defendeu mudanças na estrutura salarial. “Não aceitamos a situação. Vamos moralizar”, afirmou.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Município (STEMA), João Pedro, destacou que a valorização deve alcançar todas as categorias do funcionalismo. Segundo ele, a defasagem salarial supera 39%, o que exige um debate aprofundado para buscar uma solução que contemple os servidores.

“A valorização é pertinente a todas as categorias do funcionalismo público”, afirmou.

Prefeitura aponta preocupação com impacto financeiro

Representantes da Prefeitura participaram das discussões e responderam aos questionamentos apresentados pelos servidores.

O secretário de Administração, Sérgio Prates, informou que a folha de pagamento do município está na ordem de R$ 12 milhões e se colocou à disposição para buscar uma solução para a questão.

O prefeito Jesse Trindade afirmou que o assunto precisa ser discutido entre o Executivo, Legislativo e servidores. Disse estar preocupado com a situação e manifestou interesse em encontrar uma alternativa, mas ressaltou que qualquer medida precisa considerar a capacidade financeira do município.

“Todo mundo quer ganhar mais”, afirmou o prefeito, ao defender que as melhorias sejam acompanhadas da criação de receitas capazes de garantir o cumprimento dos compromissos assumidos pela Prefeitura.

Trindade também destacou a necessidade de avaliar as condições financeiras do município antes de estabelecer novos compromissos permanentes com a folha de pagamento.

Vereadores defendem enfrentamento do problema

O vereador João Monteiro chamou atenção para as diferenças existentes entre os vencimentos das diversas categorias e afirmou que as discrepâncias poderiam se tornar cada vez mais evidentes caso não sejam enfrentadas.

A vereadora Carol Figueiredo defendeu que a questão seja tratada com urgência e dignidade, destacando a necessidade de encontrar uma solução para os servidores e para o município.

A audiência foi conduzida pelo presidente da CIDBES, vereador José Rubens Rosa Pillar, e pelo vice-presidente da comissão, vereador Eder Fioravante.

Além deles, participaram os vereadores Gilmar Martins, João Monteiro, Rudi Pinto, Pedro Paraíso e Carol Figueiredo. Dos 15 vereadores que integram o Legislativo municipal, sete estiveram presentes na audiência.

Também participaram o prefeito Jesse Trindade, o vice-prefeito Luciano Belmonte, secretários e diretores municipais, representantes de secretarias, do RPPS Alegrete Prev e lideranças do funcionalismo público.

Sugestões serão analisadas pela comissão

Ao final da audiência, o presidente da CIDBES informou que as sugestões apresentadas serão registradas em ata e analisadas pela comissão para subsidiar o aperfeiçoamento do Projeto de Lei nº 069/2025.

Ficou estabelecido ainda um prazo de até 72 horas após o encerramento da audiência para o recebimento de novas sugestões. Na sequência, deverá ser formada uma comissão, com representantes indicados pelos sindicatos, para dar continuidade às discussões.

Apesar de o plenário ter registrado grande presença no início da audiência, o público foi diminuindo ao longo das horas. O encontro, entretanto, terminou com a definição de que o debate terá continuidade.

A discussão do projeto colocou em evidência uma questão que há anos envolve diferentes categorias do funcionalismo municipal: a existência de vencimentos básicos abaixo do salário mínimo nacional e a utilização de complementações para atingir a remuneração mínima. Agora, a expectativa dos servidores é que as propostas apresentadas na audiência resultem em medidas concretas para corrigir as distorções apontadas.

Fotos e Fonte: assessoria CMA

⚠️Todo conteúdo reproduzido nesta página é exclusivo do Alegrete Tudo e protegido por direitos autorais. É vedada a reprodução total ou parcial sem autorização prévia e expressa, mesmo com a devida citação da fonte.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*