Especial Namorados| As novas configurações e diferentes formas de amar

Neste  dia 12 de junho, comemora-se o Dia dos Namorados, uma data que exalta o amor e o relacionamento afetivo entre casais. O amor, entretanto, é um sentimento multifacetado, manifestando-se de maneiras diversas e adaptando-se às transformações sociais e culturais.

Para explorar essas variações, a reportagem do Alegrete Tudo entrevistou a psicóloga Caroline Viana, graduada pela Faculdade Integrada de Santa Maria (FISMA) e especialista em formação em Psicoterapia de Casal e Família. Atuando na clínica Fluir, Caroline realiza atendimentos individuais e de casais sob a perspectiva da Teoria Sistêmica.

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Refletir sobre as diferentes formas de amar pode ampliar a compreensão sobre os relacionamentos, promovendo uma visão mais inclusiva e empática das diversas maneiras de expressar e vivenciar o amor.

Desta forma, segundo a profissional, quando questionada a respeito de algumas pessoas aparentarem amar demais, enquanto outras parecem amar de menos, bem como sobre as diversas demonstrações de afeto, isso sempre a deixa reflexiva. “Acredito que não haja uma resposta correta e única” – comenta. Como psicóloga, Caroline gosta de refletir sobre os diversos aspectos que cercam um relacionamento. Talvez não se encontre a resposta exata nesse texto, no entanto, um enredo reflexivo pode ser um caminho para perceber tal sentimento.

Os relacionamentos amorosos atualmente se encontram em configurações que vêm se modificando ao longo dos anos, com uma perspectiva que ainda passará por muitas transformações. Entre todas as variáveis que influenciam essas mudanças, é possível destacar que o amor é fruto da sociedade, sendo essa sua natureza. Enquanto um grupo social passa por suas evoluções, o amor, como seu reflexo, igualmente muda sua forma de ser manifesto.

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A sociedade, com a intenção de entender todos os fatores que a cercam, possui o grande desejo de sempre buscar compreender determinado fator de uma só maneira. Diversos artistas, poetas e estudiosos buscam definir, em palavras ou textos, o que é o sentimento de amor e como ele deve ser sentido e vivido, de acordo com algumas “normas”.

No entanto, cada vez mais se percebe que o sentimento de amar para cada sujeito pode ser percebido de forma distinta. Deve-se considerar também que dependerá da cultura, região, faixa etária e vivências de cada pessoa. A subjetividade do indivíduo influencia fortemente sua forma de sentir e viver o amor, de tal forma que não podemos deixá-la de lado quando buscamos entender tal fenômeno.

Outro ponto a ser considerado para entender as diferentes formas e percepções de amor é o papel que a mulher representa e aprendeu que deve seguir na sociedade. Historicamente, a mulher é ensinada a se dedicar exclusivamente à sua família e companheiro. Desde pequenas, as jovens meninas são conduzidas a compreender que precisarão fazer grandes esforços por uma única pessoa, que será, em algum momento, a salvação de todo o seu sofrimento.

Caroline convida a recordar ou acessar os contos de fadas mais antigos, aqueles com princesas, príncipes, castelos, bailes e músicas alegres. Realmente muito encantadores e magníficos com seus finais de “felizes para sempre”, no entanto, são de natureza igualmente fantasiada e idealizada, distante do mundo real, que conta com histórias e pessoas reais.

Justamente nesses mesmos contos de fadas, presencia-se a influência sobre os homens precisarem ser fortes, desejados por muitas mulheres, corajosos, destemidos e, muitas vezes, frios, ou seja, distantes com seus sentimentos. Enquanto isso, as mulheres precisam ser pacientes, belas, delicadas, frágeis e idolatrar unicamente seu salvador, no caso, o príncipe.

Nota-se que muito sutilmente homens e mulheres foram separados em grupos de características opostas que devem seguir, logo atingindo seus relacionamentos românticos. Adentrando questões sociais, históricas e até mesmo literárias, percebe-se os aspectos que cercam as diferentes formas de amar. Todavia, Caroline gostaria de ressaltar mais um ponto sobre sua perspectiva: a família, o núcleo, a base inicial de vida de todo sujeito, sendo esse o primeiro grupo social em que o indivíduo é inserido.

Seria inadequado não enaltecer a influência que a família pode gerar em seus integrantes. Desde os primeiros anos de vida, nos relacionamos com as pessoas mais próximas, sendo ali nossa primordial experiência sobre sentimentos e demonstrações. Como aprendemos e nos é ensinado, é carregado em nossa bagagem de vida e a carregamos por onde formos. Com famílias diferentes, em contextos e situações distintas, essas informações são repassadas para os integrantes de forma única em cada configuração familiar.

Diante disso, pensando a partir do que foi pontuado, pode ser comum encontrar casais com percepções distintas em seus relacionamentos, visto que suas origens e vivências são distintas. Consegue-se captar que, muito além das normas sociais que nos são apresentadas desde a infância, também recebemos influências indiretas por toda a vida. Pode-se pensar de forma simples que, em nossa realidade, um amontoado de variáveis incontroláveis influencia nossa forma de receber e demonstrar amor, sendo esse um sentimento único em cada sujeito.

Com essas considerações, torna-se tão importante um processo de psicoterapia e, em alguns casos, terapia de casal. Essa é a possibilidade de ampliar seu autoconhecimento e compreender sua forma de amar, para, num segundo momento, acolher os sentimentos do outro.

Psicóloga Caroline Viana
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