A comida pode não fazer diferença para alguns remédios, melhorar a tolerância de outros e, em determinadas situações, alterar sua absorção.
Um exemplo muito comum é a dipirona. Ela pode ser tomada com ou sem alimentos. O mesmo acontece, em geral, com o paracetamol: não é necessário estar de estômago cheio para que ele funcione.
Portanto, aquela ideia de que “todo remédio precisa ser tomado depois de comer para não fazer mal ao estômago” não é verdadeira.
Com o ibuprofeno e outros anti-inflamatórios, como o naproxeno, a situação é diferente. Eles podem ser tomados com alimentos, e isso pode ajudar a diminuir o desconforto gastrointestinal. Mas atenção: comer antes de tomar o medicamento não elimina os riscos dos anti-inflamatórios, principalmente quando usados em excesso ou por pessoas que apresentam fatores de risco.
Outro medicamento muito conhecido é o omeprazol. Nesse caso, o momento em relação à refeição é importante: ele geralmente deve ser tomado antes de comer, porque seu mecanismo de ação depende da ativação das bombas de ácido do estômago.
E os antidepressivos? Também existe muita dúvida. Medicamentos muito utilizados, como sertralina, escitalopram e fluoxetina, podem, em geral, ser tomados com ou sem alimentos. A amitriptilina também pode ser administrada com ou sem refeição.
Já a venlafaxina é um exemplo diferente: a orientação é tomá-la com alimento.
Nos medicamentos para ansiedade, acontece algo semelhante. Clonazepam e diazepam, por exemplo, podem ser tomados com ou sem alimentos. Isso significa que o paciente não precisa necessariamente esperar uma refeição para tomar esses medicamentos. O mais importante é seguir a prescrição e manter o horário orientado.
Mas atenção: o fato de um antidepressivo ou ansiolítico poder ser tomado com ou sem comida não significa que ele possa ser usado livremente. Esses medicamentos exigem prescrição e acompanhamento profissional.
No Brasil, as substâncias sujeitas a controle especial são regulamentadas pela Anvisa, com base na Portaria 344/98 e suas atualizações. Em 2026, inclusive, houve mudanças nos modelos e procedimentos relacionados aos receituários de medicamentos controlados.
E existem medicamentos em que o jejum é fundamental. É o caso do alendronato, utilizado no tratamento da osteoporose, e da levotiroxina, utilizada no hipotireoidismo. Nesses casos, a presença de alimentos pode prejudicar significativamente a absorção.
Percebe como não existe uma regra única?
Dipirona, paracetamol, amoxicilina, loratadina, sertralina, escitalopram, fluoxetina, amitriptilina, clonazepam e diazepam: geralmente podem ser tomados com ou sem alimentos.
Ibuprofeno e naproxeno: podem ser tomados com alimentos, o que pode melhorar a tolerabilidade.
Amoxicilina + clavulanato: no início da refeição.
Venlafaxina: com alimento.
Omeprazol: geralmente antes da refeição.
Alendronato e levotiroxina: exigem atenção especial ao jejum.
A grande dica é: não pergunte apenas “que horas eu tomo?”. Pergunte também “como eu tomo?”. Porque alimento, leite, suplementos e até o horário em relação à refeição podem interferir no tratamento.
Na dúvida, pergunte ao farmacêutico. Uma orientação de poucos segundos pode fazer o medicamento funcionar melhor, e com mais segurança.
Jucelino Medeiros Marques Junior
Mestre em Química Analítica – UFSM
Especialista em Gestão de Processos e Qualidade – Uninter
Especialista em Processos Industriais Estéreis – Centro Universitário Católico Ítalo Brasileiro
Especialista em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica – ICQT
Farmacêutico – CRF 16567

Seja o primeiro a comentar