Por que o prédio da nossa Estação Férrea não pode ficar assim?

É necessário manter a  historicidade desta Estação mas também perceber que o lugar serve para atividades turísticas.

Em um grande abandono. Assim está a Estação Ferroviária da cidade de Alegrete. Construída em 1903,  serviu de cenário durante décadas para viajantes de todo o estado, do  país e até dos países fronteiriços. Um local de muitas histórias na cidade, está ruindo.

Por que o prédio da nossa Estação Férrea não pode ficar assim?
Por que o prédio da nossa Estação Férrea não pode ficar assim?

A  decadência do transporte ferroviário no final dos anos 80 teve como consequência a suspensão dos trens para passageiros permitindo que a Estação perdesse sua função e  a cidade, o empobrecimento de uma classe social, silenciando sua forte vocação de cidade ferroviária.

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Por que o prédio da nossa Estação Férrea não pode ficar assim?
Por que o prédio da nossa Estação Férrea não pode ficar assim?

Por que o prédio da nossa Estação Férrea não pode ficar assim?
Por que o prédio da nossa Estação Férrea não pode ficar assim?

Uma construção que é um patrimônio no Município, retrata o passado pujante, hoje, apresenta um processo de deterioração. São muitos os exemplos, desde o mau cheiro, algo que é quase insuportável de ficar no local, devido a prática de pessoas que descartam lixo irregularmente ou até mesmo fazem as necessidades fisiológicas. Entre incêndios, arrombamentos, vidros e portas quebrados e a depredação, um dos cartões postais está à mercê do tempo que poderá levar a total destruição. Com mais de um século, a antiga Estação Ferroviária de Alegrete é o oposto do que se vê, em alguns outros Municípios, a exemplo de Santiago.

Estação Férrea de Santiago
Estação Férrea de Santiago

Em contato, por telefone, com o Coordenador de Cultura Rodrigo Neres, ele falou sobre o espaço e como é utilizado desde a revitalização que foi realizada através da Prefeitura de Santiago. Durou dois anos, sendo inaugurado o espaço no ano de 2011. Veja a história da Estação Férrea de Santiago.

Estação Férrea de Santiago
Estação Férrea de Santiago

A Estação Santiago faz parte da linha Porto Alegre – Uruguaiana dentro do ramal que, partindo de Dilermando de Aguiar faz conexão com São Borja e Cerro Largo. Essa linha destinava-se a fazer ligação entre a capital com a fronteira oeste, inicialmente, mais por objetivo estratégico do que econômico.

Estação Férrea de Santiago
Estação Férrea de Santiago

Construída pelo 1º Batalhão Ferroviário, foi inaugurada no dia 24 de junho de 1936 e no dia 1º de julho do mesmo ano, a chegada do primeiro trem era comemorada na Vila, enquanto continuavam as obras até São Borja. Vários engenheiros-chefes e empreiteiros fixaram-se na localidade nessa fase, o que contribuiu para um grande movimento social e cultural.

Estação Férrea de Santiago
Estação Férrea de Santiago

Desde o estabelecimento do Exército, até o fim da década de 1930, com a chegada do trem a Santiago, foram inúmeras as transformações ocorridas em todos os aspectos da vida social. Sendo que, em 31 de março de 1938, a Vila de Santiago foi elevada à condição de Cidade.

2 – Novo Uso:

Com o fim do transporte de passageiros na cidade o patrimônio predial ferroviário ficou em pleno abandono, se deteriorando com a ação do tempo e do vandalismo. E assim foi durante anos, até a partir de 2009, a Prefeitura Municipal de Santiago iniciou o processo de revitalização dos prédios, investindo na qualificação do espaço e tornando-o um Ponto de Cultura a serviço da comunidade regional.

Estação Férrea de Santiago
Estação Férrea de Santiago

Fez-se uso de recursos próprios e dos profissionais do quadro funcional do município, o que possibilitou que o sonho tornar-se realidade. E no dia 03 de janeiro de 2011, nas comemorações alusivas aos 127 anos de Santiago, foi inaugurado o espaço cultural, que se tornou o principal ponto turístico da Terra dos Poetas, cenário muito utilizado para fotos que percorrem as redes sociais, como também, é sede do Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal de Santiago/RS.

 3 – Os Espaços:

A Estação do Conhecimento foi planejada para valorizar a história e o patrimônio da Terra dos Poetas. É um espaço dinâmico de cultura que busca fortalecer a identidade cultural de Santiago/RS, oportunizando momentos de conhecimento e lazer, bem como evidenciar a importância que a Estação Férrea teve para o desenvolvimento local, tornando viva a memória ferroviária.

a)    Pavimento Térreo: Memorial Ferroviário

São quatro salas que contam, através de painéis e mobiliário, a história dos trens e da ferrovia no mundo, Brasil, Rio Grande do Sul e Santiago. Os visitantes conhecem um pouco das ferrovias pioneiras, as primeiras locomotivas e principalmente a relação da cidade com a chegada do trem.

b)    Pavimento Superior: Memorial dos Poetas

É um espaço destinado à memória dos artistas homenageados nas duas primeiras quadras da Rua dos Poetas, onde figuram personalidades como Aureliano de Figueiredo Pinto, Túlio Piva, Caio Fernando Abreu, entre outros. Além de possuir uma sala exclusiva para a história do município, justificando a identidade cultural de Terra dos Poetas.

c)    Prédio em Anexo: Estação do Cinema

Local do antigo restaurante da estação, foi remodelado e abriga uma sala de cinema que atende as escolas e a comunidade, através da parceria com o CineClio – Cineclube Santiaguense e a URI Campus de Santiago.

d)    Prédio em Anexo: Estação do Café

Espaço construído para dar suporte ao complexo cultural da Estação do Conhecimento, sendo um local de encontro e degustação. 

4 – Objetivo:

O principal objetivo do espaço é desenvolver ações educativas que envolvam a comunidade e as escolas tendo como foco a Educação Patrimonial.

São realizadas diversas atividades que procuram fortalecer o sentimento de pertencimento e o cuidado com o patrimônio cultural dos santiaguenses, seja ele material ou imaterial, buscando valorizar a história local.

Estação do Conhecimento – relato de experiências publicado no Banco Internacional das Cidades Educadoras em Barcelona – Espanha, diversos prêmios de empreendimento e de espaço cultural, participou do Prêmio de Inovação do Turismo do RS e Prêmio Cultura CODIC/FAMURS.

Foto arquivo antes da pandemia – Estação Férrea Santiago

Em contato com o prefeito Márcio Amaral, ele pontuou que realmente a situação do prédio é preocupante. “Estamos tentando achar uma maneira de recuperar, mas as dificuldades começam na elaboração de um projeto, pois sem este levantamento, nem base teríamos para tentar uma parceria com os empresários, com o objetivo de recuperação do prédio. Outra situação é que o prédio é cedido, não é do município. Então, recursos de emendas parlamentares não são possíveis de usar. Mas, a secretaria de Administração está buscando uma forma de elaborar este projeto”- explicou.

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