CEPAL, o grande guardião da história de Alegrete, completa 30 anos

No recanto preservado da Estação Férrea, um tesouro silencioso aguarda visitantes curiosos e ávidos por explorar os vestígios do passado. É ali, no Museu História Natural de Alegrete - CEPAL, que se concentra um acervo abrangente, mergulhado nas nuances da arqueologia, paleontologia e história natural.

O espaço desvela um panorama peculiar de relíquias, desde certidões que remontam a 1822 até fichas de votação da década de 60, fósseis, pedras preciosas, animais empalhados e uma variedade de objetos que reverberam os ecos do tempo. O grande salão abriga uma miscelânea cativante, onde cada peça conta sua própria história, enquanto os corredores estreitos guardam segredos meticulosamente catalogados em volumes empoeirados. São mais de 12 mil exemplares de livros, abarcando áreas que se estendem desde a antropologia até a taxidermia.

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Destacam-se entre as imagens primorosas da arte missioneira, algumas datando há mais de 300 anos. Especialmente notáveis são as representações da Imaculada Conceição, cujas vestimentas resplandecem com folhas de ouro delicadamente aplicadas. A pesquisa revela que o precioso metal teria cruzado oceanos para ornamentar essas peças, trazendo consigo o legado da Espanha. Detalhes como os orifícios distintivos da produção jesuíta-guarani e a representação da meia lua conferem uma aura única a essas obras de arte sacra.

No entanto, a surpresa reside nos pequenos tesouros escondidos nas entranhas das esculturas. Ao examinar o interior oco de uma imagem de Santo Antônio missioneiro, os pesquisadores descobriram pedaços de papel com nomes de devotos, testemunhando súplicas que variam desde pedidos de casamento até auxílio na busca por objetos perdidos. O Museu opera diariamente, das 9h ao meio-dia e das 14h às 18h, abrindo também suas portas para visitas escolares interessadas em explorar os meandros do passado.

Neste dia 25 de fevereiro, o CEPAL comemora três décadas de dedicação ao patrimônio cultural da região. O PAT entrevistou o presidente, Gerson Manganelli, e o vice-presidente, Nelson Assumpção, para discutir o legado e o futuro desta instituição singular.

Ao longo dos anos, destes últimos três sob a liderança de Gerson, o museu ampliou seu escopo de atuação, reconhecendo a importância de servir à comunidade de maneiras inovadoras. Em um mundo dominado pela tecnologia e pela rapidez da informação digital, o CEPAL encontrou novas formas de relevância, como o Grupo AMA – Ajuda Maior aos Autistas, iniciativa que busca oferecer a acolhida às crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e suas famílias.

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Coordenado por Jaqueline Copetti, o AMA nasceu por meio de uma iniciativa de Nelson Assumpção, que o planejava desde 2019, e é um exemplo vivo do compromisso do CEPAL com a inclusão e o bem-estar da comunidade. Com 15 voluntários dedicados e a orientação de Jaqueline, o projeto que completou um ano atende atualmente 28 crianças, oferecendo sessões de estimulação global do desenvolvimento e apoio às famílias numa atmosfera acolhedora e empática. As atvidades ocorrem todas as segundas-feiras à tarde, terças pela manhã e quartas e quintas pela manhã e tarde.

“São 50 minutos de estímulo à criança. Todas que chegam aqui, depois de um atendimento, retornam e muitas esperam ansiosas, pois aqui ocorre uma entrega de corpo e alma”, acrescenta. Além disso, eles pontuam que sempre há alguém se colocando à disposição para o voluntariado.

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Expandindo o trabalho com crianças autistas, o AMA planeja ampliar suas atividades, oferecendo palestras educativas sobre o TEA em escolas, com o “AMA vai a Escola” e outros espaços públicos a partir de maio deste ano. Paralelamente, também há o Grupo Sentido da Vida, uma iniciativa sem fins lucrativos que antecede o CEPAL, continua seu trabalho de promover o desenvolvimento espiritual e emocional em diversas faixas etárias.

Nelson Assumpção, afável e comprometido, destaca o papel do grupo nas discussões sobre amor, perdão e outros aspectos fundamentais da experiência humana. É essa dedicação incansável ao serviço comunitário que tem mantido viva a chama do CEPAL, desde os dias pioneiros do professor Danilinho até os esforços atuais desta equipe.

O Centro de Pesquisa e Documentação de Alegrete (Cepal) é mais do que um museu; é um testemunho vivo do poder da paixão e da perseverança na preservação do passado e na construção de um futuro mais inclusivo para todos.

para todos.

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