Covid-19: socorristas estão na linha de frente e também merecem aplausos

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Socorristas acostumados a lidar com traumas veem mudança no perfil de pacientes durante a pandemia, que já deixou milhões de infectados no País.

A conversa difícil, entrecortada pelo cansaço da socorrista e pelas barreiras impostas pela máscara especial, que protege os profissionais torna suas vozes pouco audíveis.

 

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O reflexo dessa demanda é sentido por todos socorristas e motoristas de ambulância. Os profissionais precisaram adaptar o seu ofício diário a uma nova nova realidade em equipamentos de proteção, assim como a função de desinfectar a ambulância a cada retorno de uma ocorrência, foram adicionados à rotina.

“A gente já passou pela H1N1, pela dengue, mas essa doença agora é diferente. Acho que entrou na cabeça de todo mundo que luva, máscara e avental é obrigatório. Não tem mais jeito de trabalhar sem”, destaca um dos entrevistados.

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A reportagem conseguiu conversar com alguns desses profissionais em Alegrete. A escala apertada e desgastante dificultou o relato de muitos. A preocupação consigo e com os familiares é constante em quem está na linha de frente, mas medo é uma palavra que não cabe no cotidiano deles, especialmente quando se veem em situações de urgência e casos da covid-19.

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Para o já aposentado Júlio Arrussul, motorista da primeira ambulância municipal, foram 32 anos de serviço em saúde. É um dos profissionais mais antigo e em época de pandemia está atuando de freelancer. Atua na remoção de pacientes por todo Rio Grande do Sul. “Com a covid-19 aumentaram os cuidados especiais com os equipamentos utilizados e até no veículo”, conta Arrussul.

 

 

Outro engajado na missão de zelar vidas é Valdir Knierim, há 23 anos na área, atuou por 17 anos no hospital militar da Guarnição de Alegrete, como motorista e técnico de enfermagem. Atualmente é motorista socorrista de uma empresa particular, e já está com seis anos de trabalho.

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Acostumado a remoções de pacientes em estado grave, Valdir conta que com a pandemia tudo mudou. A máscara foi incorporada ao uniforme, o álcool gel é companheiro das viagens. “Temos um protocolo a seguir. Carregamos vidas e por ela zelamos pela saúde, tivemos que redobrar os cuidados”, explica o profissional.

Na função de condutor de urgência e emergência desde 2011, Gideão Miranda Pereira, trabalha como motorista desde 83, pois foi motorista de ônibus escolar.

“A rotina é de incertezas do que vamos encontrar. Um acidente grave; a remoção de uma pessoa contaminada? São indagações que não temos respostas”, Gideão sintetiza assim o momento de apreensão que passa um socorrista.

Atuando na SAMU ele cumpre um rigoroso processo de cuidados em prevenção ao novo coronavírus. Com seis cursos de socorrista em diversas situações e lugares, desde os confinados e de difícil acesso e até situações inusitadas, o profissional está ciente que os cuidados devem ser redobrados em função da pandemia.

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Há 16 anos como socorrista e atuando no transporte de pacientes para tratamento fora do domicílio, Éder Arrussul, completou uma década no Serviço de Atendimento Médico de Urgência.

“Durante a pandemia estamos trabalhando todos os dias e enfrentando uma situação de total desconhecimento, pois o nosso trabalho exige que entremos em contato com um inimigo visível e ainda um tanto desconhecido”, avalia o profissional.

 

Condutor socorrista na UPA, Homero Brasil, conta que diariamente faz remoções de pacientes acamados de casa para consulta com traumatologista, clínica renal para fazer diálise, auxílio nos ESFs para remoção e atende chamados para remover pacientes com sintomas da covid-19 que necessitam de ambulância.

Brasil também auxilia o SAMU em solicitações de diversos tipos de acidentes e também atende acidentes na área urbana e rural. São mais de 10 anos nessa função, numa rotina puxada que ele admite o gosto pelo que faz.

“O medo sempre existe. Mas a vontade de cumprir com sua obrigação e profissionalismo é maior”, destaca Homero que mantém um cuidado especial em prevenção ao coronavírus. Como servidor público da linha de frente já passou pelo teste que deu negativo, além de cuidado na parte física e a alimentação que também cuida fielmente.

A rotina pesada destes profissionais em meio à pandemia comprovou o profissionalismo da turma que não tem dia nem horário para socorrer vítimas. Seja num chamado de emergência ou numa remoção de pacientes o cuidado e a prevenção foram incorporados na vida daqueles que tem por objetivo salvar e zelar por vidas.

Júlio Cesar Santos

 


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