A história de Alegrete e de seus personagens do século XIX ganhou destaque na última sexta-feira (30) e no sábado (31) de outubro, durante a realização da III Cavalgada Histórica, promovida pelo grupo Cavaleiros do Alegrete. Com o tema “O Alegrete e seus Valentes”, a edição deste ano prestou homenagem ao Coronel Pedro Pereira de Carvalho, estancieiro que, conforme pesquisas desenvolvidas pelo Núcleo de Pesquisa dos Cavaleiros do Alegrete, teve participação relevante nos acontecimentos da Revolução Farroupilha.
A programação iniciou na noite de sexta-feira, na Fazenda São José do Capivari, propriedade que reúne importantes referências históricas e arquitetônicas. Entre os elementos que compõem o cenário estão um antigo sobrado centenário, atualmente em ruínas, além de estruturas e mangueiras de pedra em formato circular, vestígios de uma época em que as estâncias também exerciam funções estratégicas nos movimentos militares.
A partir dos estudos e levantamentos históricos realizados pelo grupo, o local foi escolhido por sua relação com o contexto histórico do personagem homenageado.
Foi nesse ambiente que os Cavaleiros do Alegrete protagonizaram uma encenação de uma reunião de campanha, inspirada nos encontros entre chefes militares, estancieiros e soldados durante a Revolução Farroupilha. A representação foi ambientada no ano de 1844, remetendo à antiga Estância da Figueira, denominação histórica utilizada no roteiro da cerimônia.
A solenidade foi conduzida por Jorge Mendonça, com pronunciamento do professor e pesquisador Silvio Carvalho, responsável pela contextualização histórica. Os participantes utilizaram indumentárias inspiradas nos costumes da época, reunindo elementos dos uniformes imperiais e peças tradicionais, como o chiripá, vestimenta característica das tropas rio-grandenses daquele período.
A encenação contou com a participação dos integrantes João Isabelino, Adrovani Perufo, Luis Ronaldo, Plínio Macedo e Julinho Fontoura. Também prestigiaram a atividade os convidados de Uruguaiana: o artista e músico Carlos Rilo, cavaleiro da 4ª Região Tradicionalista, e o declamador Pedro Cortelin, do CTG Martins Fierro. O gerente da propriedade, senhor Francisco, foi o anfitrião da programação, recebendo a comitiva na fazenda.
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Durante a cerimônia, foram executados os hinos Nacional, Rio-Grandense e de Alegrete. Na sequência, ocorreram os pronunciamentos e a leitura simbólica de uma ata de reunião de campanha, ambientada em 1844. A proposta foi proporcionar aos participantes uma experiência de aproximação com os acontecimentos históricos, utilizando o próprio cenário como parte da narrativa.
Entre as autoridades presentes esteve o coronel Anderson Félix Geraldo, comandante do 12º Batalhão de Engenharia de Combate Blindado, que ressaltou a importância de iniciativas voltadas à preservação da cultura e das tradições rio-grandenses. Natural de Brasília, ele manifestou satisfação em participar de uma atividade que valoriza a história regional. Também participou o ex-prefeito de Alegrete e atual secretário de Estado Márcio Amaral, que parabenizou os organizadores pela realização e pela contribuição cultural oferecida à comunidade. Acompanhando a comitiva do coronel Félix, esteve presente ainda o subtenente Daniel.
Cavalgada percorreu o caminho entre a história rural e o centro de Alegrete
Na manhã de sábado (31), a programação teve continuidade com a cavalgada que partiu da Fazenda São José do Capivari em direção à Praça Getúlio Vargas, no centro de Alegrete, em frente ao Museu Oswaldo Aranha.
O percurso simbolizou a conexão entre a paisagem rural, onde parte importante da história regional foi construída, e o espaço urbano que hoje preserva a memória do município. A chegada ao centro representou o encerramento de uma jornada marcada pela valorização da história, da tradição e da identidade alegretense.
Em frente ao Museu Oswaldo Aranha, o professor e pesquisador Silvio Carvalho realizou o encerramento oficial, agradecendo aos cavaleiros, familiares, apoiadores e a todos que contribuíram para a concretização da terceira edição do evento.
A organização também registrou agradecimento aos apoiadores culturais CAAL, Hortifruti Rossel, Mercado Manganeli, Rei do Gelo, Construart e Figuera Máquinas. A segurança e o acompanhamento do deslocamento ficaram sob responsabilidade da Polícia Rodoviária Federal, no trecho da BR-290, e da Guarda Municipal, nas vias urbanas.
Pesquisa e memória como compromisso com as futuras gerações
Mais do que uma atividade tradicionalista, a Cavalgada Histórica representa uma proposta de valorização cultural desenvolvida pelos Cavaleiros do Alegrete. Por meio do Núcleo de Pesquisa, o grupo trabalha na identificação, no estudo e na divulgação de personagens, acontecimentos e lugares que integram a trajetória histórica do município.
A iniciativa também busca resgatar a memória de personalidades que tiveram participação em momentos importantes da história regional, mas que ainda são pouco conhecidas por grande parte da população.
Ao transformar pesquisas em experiências culturais, ocupar cenários históricos e aproximar a comunidade de episódios do passado, os Cavaleiros do Alegrete contribuem para a preservação do patrimônio material e imaterial do município.
A III Cavalgada Histórica encerrou sua programação reafirmando o compromisso com a memória de Alegrete e deixando uma mensagem importante: preservar a história não significa apenas recordar o passado, mas garantir que as próximas gerações conheçam os personagens, os acontecimentos e os caminhos que ajudaram a construir a identidade do povo alegretense.


























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