Uma iniciativa pioneira de organização dos produtores rurais, aliada à tecnologia e à participação do poder público, deverá ampliar a segurança nas estradas do interior de Alegrete. O projeto prevê a instalação de 36 câmeras de monitoramento em nove pontos estratégicos, com recursos de inteligência artificial e leitura automática de placas de veículos. A cobertura inicial estimada ultrapassa 130 mil hectares.
A proposta nasceu da mobilização dos produtores rurais Leonardo Mazzei e Paulo César Fleck, que identificaram a necessidade de buscar alternativas coletivas diante das dificuldades relacionadas à segurança no campo. A partir dessa preocupação, começaram a articular uma solução que permitisse acompanhar a circulação de veículos nas principais vias rurais e oferecer informações que possam auxiliar na prevenção e na investigação de ocorrências.
O movimento ganhou adesão e já reúne 81 produtores rurais. A articulação também conta com a participação do vereador Rudi Pinto, que acompanha a construção do projeto desde as primeiras tratativas, atuando na aproximação entre os produtores e o poder público municipal.
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Tecnologia para monitorar as estradas do interior
O sistema contará com 36 equipamentos distribuídos em nove pontos de monitoramento. Cada local receberá duas câmeras fixas de alta resolução e outras duas com tecnologia LPR (License Plate Recognition), que permite a leitura automática das placas dos veículos.
A combinação dos equipamentos possibilitará acompanhar a movimentação nas estradas vicinais, identificar veículos e produzir registros que poderão contribuir com o trabalho das forças de segurança.
A estrutura também utilizará conexão via internet por satélite Starlink e alimentação por energia solar, permitindo o funcionamento dos equipamentos em localidades afastadas da área urbana, onde nem sempre existe infraestrutura convencional de comunicação e energia elétrica.
A definição dos pontos ocorreu em conjunto entre os produtores e a Secretaria Municipal de Segurança e Mobilidade Urbana, considerando trechos estratégicos das estradas rurais e regiões que demandam maior atenção em razão de ocorrências ou suspeitas de atividades ilícitas.
Por razões de segurança, os locais exatos de instalação não serão divulgados. Os equipamentos terão como foco as estradas e vias de circulação, e não o monitoramento do interior de propriedades particulares.
Custeio dos produtores e participação do município
Um dos aspectos que diferencia a iniciativa é o modelo de organização e financiamento. A implantação e a manutenção mensal do sistema serão custeadas pelos próprios produtores rurais participantes, que contrataram diretamente a empresa especializada responsável pela execução do projeto.
A empresa Vigillare foi contratada pelo grupo para fornecer e implantar a estrutura tecnológica. O contrato foi assinado em 27 de outubro de 2026.
Ao município caberá a contrapartida operacional, com a disponibilização da estrutura de armazenamento e integração das imagens ao sistema público de segurança. O acompanhamento deverá ocorrer por meio do Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (CIOSP), que contará com acesso às imagens para auxiliar na identificação de situações suspeitas e no encaminhamento de informações às forças de segurança.
Conforme o secretário municipal de Segurança e Mobilidade Urbana, Uillian Rodolfo, a previsão é de que a instalação comece em até 15 dias após a assinatura do contrato, com implantação gradual dos equipamentos.
O novo sistema deverá ser integrado à estrutura municipal de videomonitoramento, que já conta com mais de 900 câmeras instaladas em diferentes pontos do município.
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Monitoramento e proteção das informações
O planejamento prevê disponibilização das imagens em tempo real para acompanhamento pela equipe responsável. A expectativa é que os registros permaneçam armazenados por pelo menos 30 dias, prazo que ainda deverá ser confirmado na definição técnica do sistema.
O acesso será organizado por meio de credenciais específicas para os produtores participantes e para a equipe municipal. Os protocolos de segurança e as condições de acesso deverão ser definidos em conjunto com a empresa contratada, buscando preservar os registros e evitar vazamentos ou utilização indevida das informações.
Além da leitura automática das placas, as câmeras de alta resolução permitirão acompanhar a movimentação nas estradas, criando uma ferramenta de apoio à identificação de veículos e à apuração de eventuais ocorrências.
Regiões contempladas e possibilidade de ampliação
A primeira etapa foi estruturada para atender regiões como Ibirocai, Vacacaí, Inhanduí, Guassu-Boi, Ferraria, Conceição e Itapororó.
A proposta dos organizadores é ampliar a cobertura depois da implantação inicial, com a possibilidade de instalação de pelo menos mais quatro pontos de monitoramento. Entre as regiões previstas para uma futura expansão estão Angico e Mariano Pinto.
A ampliação dependerá da adesão de novos participantes e da capacidade de organização dos produtores para dar continuidade ao projeto.
União de produtores para enfrentar a insegurança no campo
Para Leonardo Mazzei e Paulo César Fleck, a mobilização demonstra a importância da união dos produtores na busca de soluções para problemas que atingem o meio rural.
“Estamos passando por momentos de instabilidades governamentais e insegurança no campo e, nesse projeto, estamos procurando contribuir para diminuir esta sensação. Somos, no momento, 81 pessoas que acreditaram neste projeto pioneiro, esperando que esse número aumente para podermos abranger outras importantes regiões do nosso município”, afirmam.
O vereador Rudi Pinto, que acompanha a iniciativa desde sua concepção, também tem atuado na articulação com os produtores e na interlocução com o poder público. Defensor das demandas relacionadas à segurança rural na Câmara Municipal, ele deverá continuar acompanhando as etapas de implantação e os encaminhamentos necessários para o desenvolvimento do projeto.
A iniciativa representa uma nova frente de cooperação em Alegrete, na qual os próprios produtores assumem o investimento em tecnologia, enquanto o município participa com a estrutura pública de monitoramento e integração operacional.
Mais do que instalar câmeras nas estradas do interior, o projeto estabelece uma rede de vigilância compartilhada, com potencial para ampliar a capacidade de prevenção, identificação de veículos e resposta a ocorrências. A expectativa é que a experiência possa servir de referência para outras regiões rurais, fortalecendo a integração entre comunidade, tecnologia e segurança pública.


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